sábado, junho 17, 2017

Grotesco

«Luisa Salgueiro, dita a cigana e não é só pelo aspecto, paga os favores que recebe com votos alinhados com os centralistas.»

Foi nestes termos que um euro deputado do Partido Socialista se referiu a uma deputada do seu partido no Parlamento de Portugal. Temos portanto um deputado que acha que os ciganos têm um determinado aspeto e têm comportamentos de baixo nível próprios da sua etnia. Se este deputado fosse do partido da Le Pen teria sido notícia por racismo, mas como é de um partido que desde sempre se opôs ao racismo a sua condenação é abafada pelo sentimento de vergonha.

Qualquer português que não seja racista sente vergonha de ser concidadão desta personagem, os portugueses têm razões para que o país seja representado por este deputado no parlamento europeu, o partido Socialista tem nele uma mancha que envergonha toda a esquerda, daí a resposta pronta de António Costa.

Mas este senhor além de grotesco revela pouca inteligência, só alguém com grandes debilidades ao nível da capacidade intelectual escreveria o que ele escreveu, dito desta forma sincera são raros os casos de racismo nesta forma pura, em que se considera que uma etnia ou raça tem uma natureza maldosa. Julgo que só mesmo o nazismo se aproximava desta abordagem em relação aos judeus.

Mas o ainda e vergonhosamente deputado europeu acha que não escreveu nada condenável e agora usa a sua página de Twitter para tentar denegrir deputados como João Galamba, tenta a todo o custo colocar-se na posição de quem está a ser atacado por ter sido um aliado de José Seguro. Tenta trazer Seguro para a sua pocilga ao mesmo tempo que procura atingir António Costa enlameado o nome de João Galamba, alguém que tem mais qualidades e inteligência na ponta de um dedo do que o eurodeputado em todo o seu esponjoso volume.

Esperemos que Seguro e os seus mais íntimos não se deixem emporcalhar pelo seu velho companheiro de viagem e que o PS se mobilize para extrair este furúnculo.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Manuel dos Santos, deputado que envergonha Portugal

Não sei bem quem é este Manuel dos Santos, mas como está enriquecendo no Parlamento Europeu isso quer dizer que deve ter sido muito amigo do Seguro. Mas se dantes não sabia da existência desta personagem, agora fiquei a saber que o senhor deputado é um idiota que devia ser dispensado e devolvido à sua presidência. É uma vergonha para qualquer partido com valores democráticos ter nas suas fileiras gente deste nível.

«Em Maio, todos os deputados aprovaram um voto de saudação à iniciativa de candidatar a cidade de Lisboa a receber a Agência Europeia do Medicamento. Entre os votos por unanimidade estava a deputada do PS Luísa Salgueiro, eleita pelo distrito do Porto. Esta sexta-feira, a parlamentar foi insultada na rede social Twitter pelo eurodeputado socialista Manuel dos Santos.

O socialista, também ele do Porto, acusa a deputada de votar com os "centralistas". Até aqui eram apenas críticas entre deputados do mesmo partido, contudo, nos tweets, Manuel dos Santos chama a deputada de "cigana" e vai mais longe nos comentários racistas dizendo que é cigana "não só pelo aspecto", mas porque "paga os favores que recebe com votos alinhados com os centralistas".» [Público]

PS: Já depois de preparar este comentário a propósito deste "gajo" veio a público que António Costa defendeu que o racista deve ser expulso. Além de racista é um sacana que nem os colegas de partido respeita, em de uma mentalidade bacoca. Esperemos que o idiota tenha a coragem de se demitir e que também seja condenado no Parlamento Europeu por racismo e convidado a integrar o grupo da extrema direita.

Além disso as declarações de Manuel dos Santos constituem um crime público pelo que o Ministério Público deve abrir um inquérito e constituir o deputado arguido num processo pelo crime de racismo; leia-se o artigo 240.º, alínea 2b) do Código penal:

"CAPÍTULO II
Dos crimes contra a humanidade

Artigo 240.º
(Discriminação racial)

1- Quem:
a) Fundar ou constituir organização ou desenvolver actividades de propaganda organizada que incitem à discriminação, ao ódio ou à violência raciais ou religiosas, ou que a encoragem; ou 
b) Participar na organização ou nas actividades referidas na alínea anterior ou lhes prestar assistência, incluindo o seu financiamento; é punido com pena de prisão de 1 a 8 anos.

2- Quem, em reunião pública, por escrito destinado a divulgação ou através de qualquer meio de comunicação social:
a) Provocar actos de violência contra pessoa ou grupo de pessoas por causa da sua raça, cor ou origem étnica ou nacional ou religião; ou
b) Difamar ou injuriar pessoa ou grupo de pessoas por causa da sua raça, cor ou origem étnica ou nacional ou religião, nomeadamente através da negação de crimes de guerra ou contra a paz e a humanidade;

com a intenção de incitar à discriminação racial ou religiosa ou de a encorajar, é punido com pena de prisão de 6 meses a 5 anos."

«O secretário-geral do PS, António Costa, criticou esta sexta-feira o eurodeputado socialista Manuel dos Santos, afirmando que se tornou "uma vergonha para o PS", e defendeu a sua expulsão do partido por "preconceitos racistas".

“Há muito que Manuel dos Santos desonra o seu passado. Hoje tornou-se uma vergonha para o PS. Espero que a Comissão Nacional de Jurisdição rapidamente nos liberte da companhia de quem partilha preconceitos racistas”, afirmou, numa declaração à agência Lusa.» [Expresso]

O eurodeputado racista bem pode usar o twitter para inventar fantasmas a combater, o que escreveu é claro, trata-se de racismo puro e duro.

 Mário Ronaldo Centeno

Quando se disse que o ministro alemão tinha chamado Ronaldo a Centeno alguma direita sugeriu que a notícia era falsa, da mesma forma que sugeriram que a hipótese de Centeno vir a presidir ao Eurogrupo era uma falsa notícia plantada pelo PS na comunicação social. Parece que o ministro alemão das Finanças admira mesmo Mário Centeno.

 De que serve ser um país rico

De nada serve ser um dos países mais ricos e poderosos do mundo se no centro da sua capital os seus cidadãos morrem intoxicados e queimados num incêndio que lembra alguns desastres ocorridos em países ditos pobres. Agora que a Inglaterra se quer ver livre das regras europeias, aproximando-se do aliado americano, é caso para pensar que mais regras facilitadoras serão adoptadas.

É incrível que um prédio com centenas de moradores e vinte andares  esteja revestido de material combustível, transformando um incêndio num apartamento numa imensa labareda, em poucos minutos. No centro de Londres morreu gente como se a capital do Reino Unido ainda estivesse nos tempos da Revolução Industrial.

Há duas semanas soube-se que em tempo de terrorismo a atual primeira-ministra tinha despedido mais de 20.000 polícias, agora percebeu-se que na capital londrina há prédios de 20 andares sem as menores condições para combater um incêndio.

 O inferno do Passos Coelho

Passos Coelho anunciou a vinda do diabo e desde então que está no inferno, como se estivesse a ser assado dentro de um forno. Nunca escondeu que previa o pior e quase denunciou o desejo que tal sucedesse, esperava chegar ao poder com a mesma receita que já tinha usado e com a vantagem de um segundo resgate lhe permitir regressar à política de terror.

Mas teve azar, o diabo não veio e cada dia há mais uma boa notícia, todas as suas previsões falham e cada vez que é confrontado com uma boa notícia para o país reage de forma que revela desorientação. Desta vez chegou ao ridículo de ser o primeiro partido a festejar a saída do procedimento do défice excessivo, quando ainda recentemente apoiava os argumentos das agências de notação para manter o a notação em lixo.

Passos está a pagar caro pela sua incompetência e oportunismo e por cada boa notícia as sondagens apontam para uma descida nas sondagens, ainda hoje deu mais um trambolhão no barómetro da Aximage, o que mais se aproximou dos resultados das últimas eleições legislativas. Está cada vez mais distante dos 30% e perigosamente a aproximar-se dos 20%, enquanto o CDS tende a caber dentro de um táxi, senão mesmo de uma carroça.


      
 Ai Passos, Passos
   
«Os números da Aximage são arrasadores para o PSD e para o conjunto da direita em Portugal. As intenções de voto no PSD e no CDS estão nos níveis mais baixos de sempre. Em Junho, o PSD fica pelos 24,6%, enquanto o CDS desce para 4,6%.

Salvo as devidas distâncias entre sondagens e eleições, vale a pena comparar estas intenções de voto com o histórico dos resultados das legislativas. A conclusão é que as intenções de voto no PSD estão nos piores níveis de sempre, só verificados há 40 anos atrás, e num contexto muito diferente do actual: estávamos em 1976, ainda sob o calor da revolução, quando o PSD recebeu 24% dos votos, nas mesmas eleições em que o CDS obteve aquela que é ainda hoje a sua maior votação de sempre, de quase 16% – hoje as sondagens dão-lhe apenas 4,6%.

O segundo pior resultado do PSD aconteceu nas eleições legislativas de 2005, na ressaca do mal sucedido Governo de Santana Lopes, em que José Sócrates conseguiu a primeira maioria absoluta do PS: os social-democratas não chegaram a 29% dos votos.» [Jornal de Negócios]
   
Parecer:

A direita arrisca-se a pagar caro as aventuras do experimentalismo económico de Passos Coelho.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «aguarde-se pelas próximas eleições.»
  
 Espertalhão
   
«O PSD acusa o PS de estar a “mandar às malvas” uma das propostas que o partido do Governo apresentou no âmbito da comissão para o reforço da transparência segundo a qual, no entender dos social-democratas, a nomeação de Diogo Lacerda Machado para a administração da TAP seria inviável.

Em causa está a proposta de alteração do PS à lei das incompatibilidades e impedimentos dos titulares de cargos políticos e altos cargos públicos segundo a qual “os representantes do Estado ou consultores a título individual nomeados pelo Governo em processos de privatização ou de concessão de activos públicos” ficam impedidos de “exercer funções nas entidades adquirentes ou concessionárias nos três anos posteriores à data da alienação ou concessão de activos em que tenham tido intervenção”.

Para Luís Marques Guedes, coordenador do PSD na Comissão da Transparência, não há dúvidas de que esta formulação se encaixa na situação de Lacerda Machado. “A TAP teve um processo de privatização que o actual governo reabriu para renegociar e readquirir uma parte. E quem esteve activamente no processo em nome do Estado foi Lacerda Machado”, afirmou ao PÚBLICO.» [Público]
   
Parecer:

Marques Guedes sabe muito bem que está a ser pouco honesto neste argumento.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»

sexta-feira, junho 16, 2017

O sucesso

Um dos erros cometidos pelos opositores aos desvarios económicos de Passos Coelho foi nunca terem promovido uma avaliação das consequências económicas das suas políticas. Pior do que isso, o país nem sequer foi informado sobre as numerosas negociações entre Passos e a troika, que terão conduzido a revisões do memorando. Quando o memorando de entendimento foi negociado o PSD e o CDS exigiram a sua publicação, foram ao pormenor de exigir a sua tradição, mas depois disso tudo foi confidencial e é bem provável que não exista um documento escrito, um e-mail arquivado ou uma conversa telefónica registada.

Hoje ninguém sabe quais foram as consequências da experiência económica de Passos Coelho, fala-se muito de reformas mas não se fez reforma nenhuma, fala-se de rigor orçamental mas o incumprimento serviu para impor ao país as ideias de Passos ou de quem lhas meteu na cabeça sob a forma de medidas de urgência. 

A própria direita apoiante de Passos, incluindo destacados economistas, não sabem muito bem o que defender. Umas vezes tudo se deve ao governo de Passos e ao seu ímpeto reformista, outras vezes Passos não foi responsável por nada e a culpa das medidas foi do memorando, umas vezes Passos foi além da Troika e outras vezes enga qualquer responsabilidade no memorando, apesar da sua participação no processo negocial.

A certeza quando os benefícios das políticas adotadas era tanta que mal sairão do poder previram a desgraça, diziam que o diabo vinha em setembro, a situação era tão sólida que bastaria a sabotagem fiscal feita com os reembolsos do IVA e do IRS para levar o país a um segundo resgate. Diziam que a queda dos juros era conjuntural e se devia à intervenção do BCE, que iria aumentar o desemprego e que o pouco emprego criado era de baixos salários, que o sucesso das exportações ia ser posto em causa.

A certeza da desgraça era tanta que Passos continuou a negar a realidade, começou por a negar quando concluiu que tinha direito a governar com parte da oposição a abster-se, negou-a quando o diabo não veio em Setembro e adiou a sua “prenda envenenada” para Janeiro, dizendo que quem a traria seriam os Reis Magos, recusou todos os indicadores de que a reversão das suas políticas estavam a ter sucesso.

É urgente saber de tudo o que se passou no período da Troika e avaliar todas as suas consequências, positivas ou negativas.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Catarina Martins e Cecília Meireles

Estas senhora não parece pensarem muito bem naquilo que votam.

«A acta das votações está online, para quem não acreditar. No dia 11 de Maio último, “a Assembleia da República, reunida em plenário, saúda e apoia a candidatura de Portugal à fixação da sede da Agência Europeia de Medicamentos em Lisboa, como de interesse nacional”. Esta era a conclusão do “voto de saudação”, que refere Lisboa por três vezes, aprovado por unanimidade pelos deputados. Para os mais cépticos, é o “voto n.º 306/XIII/2.ª” e também pode ser consultado no site do Parlamento o resultado da votação: “Aprovado por unanimidade.”

Porém, nos últimos dias, depois das críticas de alguns autarcas (do Porto, sobretudo), vários deputados começaram a criticar o sentido do seu próprio voto. E também aqui quase que há unanimidade. A falta de memória varreu todos os quadrantes (com a excepção aparente do PCP).

Cecília Meireles, do CDS, acha agora que é um “provincianismo”. Catarina Martins, do Bloco, deu uma pirueta e afirmou: “Eu julgo até que se devia decidir que Lisboa não era a melhor opção e depois olhar para as outras cidades do país que estão em condições de o fazer, seguindo exemplos de outros países que não concentraram as agências europeias nas capitais.” Um grupo de deputados do PS, o partido proponente da “saudação” à candidatura de Lisboa, quer, agora, estudos que comprovem a validade do que há um mês não teve dúvidas de votar. Outros deputados, do PSD, avançam com localizações melhores: Braga, Coimbra… O vice-presidente social-democrata, Miguel Santos, quer até um “toque de verdade”: “Consegue o ministro da Saúde verbalizar, com um toque de verdade, das razões para tal decisão e dos argumentos para preterir outras cidades portuguesas?”.» [Público]

 A metamorfose desastrosa de Helena Garrido

Durante muito tempo li os artigos de Helena Garrido, a partir de determinada altura comecei  a perder interesse, os seus artigos começaram a ser porta-vozes de uma certa política económica que alguns pretendiam considerar ciência exata e tinha em Passos Coelho um executor, ainda que um pouco iletrado na matéria.

Ao deixar o jornalismo económico e mudar-se para o Observador Helena Garrido deixou de ser a jornalista para passar a ser militante. Adeus Helena, perdeu-se uma boa jornalista e por aquilo que tenho lido o mundo da política nada ganhou com esta nova militante.

É uma pena, o país está bem mais carenciado de jornalistas sérios e competentes do que de militantes.

 Proponha-se Faro

De entre as grandes cidades que não têm nenhuma agência europeia e que dispõem de um aeroporto e de vantagens naturais para atrair a instalação de uma agência europeia está a cidade de Faro. O Algarve tem sido muito mais esquecido do que cidades como o Porto, que contam com importantes grupos de pressão e autarcas sem grande vergonha na cara.

quinta-feira, junho 15, 2017

Obrigadinho Passos Coelho

A gestão da dívida é uma atividade quase diária do IGCP, todos os dias este organismo tem de tomar decisões em função das necessidades de financiamento do Estado, da consolidação da dívida pela conversão de dívidas a curto prazo em dívida a médio e longo prazo. Daí que com grande frequência seja notícia as “idas” do IGCP ao mercado. Se procurarmos no Google por emissões de dívida a 10 anos encontramos uma lista:
  • 11 de Janeiro de 2017 
  • 14 de Junho de 2017
  • 9 de Março de 2016
Estamos perante aquilo que é o normal tanto em Portugal como em qualquer outro país do mundo. Basta termos alguém que conheça as maturidades da dívida portuguesa para sabermos com que ritmo Portugal terá de se financiar no mercado financeiro. Além disso o OE previa a substituição da dívida ao FMI por dívida mais barata, conseguida em condições mais favoráveis mo mercado.

Ver Passos Coelho, que de gestão financeira sabe o que aprendeu na empresa do Ângelo Correia onde se ia desenrascando, dizer ao governo que deve substituir dívida mais cara por dívida mais barata é de ir ás lágrimas. Transformar cada apresentação de candidatura autárquica em sessões de conselhos financeiros a Centeno ou em sessões de recolha de louros cada vez que o IGCP vai ao mercado só merece uma gargalhada.

O que Passos Coelho devia explicar aos seus admiradores é porque no seu tempo de governo Passos anunciou que Portugal já estava a pagar a dívida externa e tinha os cofres cheios e agora já sabe que se trata de uma operação de gestão corrente. Também devia explicar ao país se a sua lição meia dúzia de dias antes da operação do IGCP foi coincidência ou se graças a alguma antena dentro do IGCP decidiu usar a agenda da gestão financeira do Estado na sua campanha autárquica.

Parece que Passos Coelho recorre a tudo para tentar sobreviver na s autárquicas e agora até manda alguém saber quando vai ser o próximo leilão de dívida para se antecipar em discursos com lições de gestão financeira. Como é público que o governo decidiu uma antecipação da dívida ao FMI não vão faltar oportunidades para Passos dar lições e depois cobrar ao país pelos seus brilhantes resultados.

Enfim, ficaria muito bem ao governo se agradecesse publicamente as dicas brilhantes de Passos Coelho, quem se lembraria de ir ao mercado conseguir financiamento a juros mais baixos? Sem o brilhantismo intelectual de Passos Coelho o país estaria bem pior, como o próprio explicou, sem as suas ideias os juros seriam maiores, o défice aumentaria e o crescimento diminuiria. Até é uma pena que a newsletter diária não tenha a secção dos "conselhos do Pedro", poderia ajudar os portugueses a ter juros mais baixos, a superar problemas de ereção ou a pagar menos contribuições para a segurança social.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Álvaro Santos Pereira

O ex-ministro das Economia de Passos Coelho não perdeu tempo a vir a público quando Mexia foi constituído arguido no caso da EDP. Veio cobrar a descida das rendas, que estava prevista no memorando com a Troika e queixar-se do poder da empresa, poder a que ele cedeu permitindo que o seu secretário de Estado da Energia fosse substituído por alguém mais dócil.

Agora sabe-se que o acordo que terá feito com a EDP só é do seu desconhecimento, não havendo qualquer documento escrito. Será que o Sôr Álvaro vai aparecer para explicar, ou desta vez não ser´tão rápido como a própria sombra?

«Sem a documentação que define os termos do acordo feito com a EDP, o governo desconhece quanto ainda terá de pagar à elétrica em rendas de energia. Ou até quando haverá obrigação de pagar pelos custos para a manutenção do equilíbrio contratual (CMEC).

Em causa está a alteração feita pelo anterior executivo, em 2013, ao método que determina a compensação à empresa, "em conformidade com os pressupostos e a metodologia constantes da proposta apresentada pela EDP". Mas nem no decreto-lei publicado na sequência do Memorando de Entendimento com a troika nem na portaria subsequente, que permitiu reduzir de cerca de 7% para os 4,72% atuais a taxa nominal que define o custo das rendas, se explicita os termos dessa "proposta". Nem há documentos conhecidos que o façam, garante fonte próxima do processo.

Ou seja, nem o governo nem a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) sabem aquilo que foi acordado com a elétrica para o futuro. Tendo em conta a redação da portaria (85A/2013, art.º 1.º) que faz depender a atual taxa de 4,72% do que ficou definido pela "proposta apresentada pela EDP", prevê-se, porém, que haja condições a cumprir. E há suspeitas de que essas contrapartidas possam ter que ver com garantias de potência, que acabem por prolongar no tempo ou aumentar o valor a pagar pelas rendas. Para valerem, esses pressupostos terão de estar explícitos num documento oficial cuja existência o governo e reguladores desconhecem. Tanto a ERSE como a Autoridade da Concorrência (AdC) já levantaram questões sobre o valor pago pelo Estado à elétrica - 2500 milhões em dez anos -, agora sob investigação por suspeitas de ter cobrado rendas excessivas. O governo quer recuperar esse montante, que, segundo o Expresso, acredita que rondará os 500 milhões.» [DN]

      
 Deixem as aves
   
«Não sei nada sobre aves ou ecologia mas parece-me, visto deste cantinho onde vivo, que nunca houve tantos pássaros — tão crescidos e bem-dispostos — como neste mês de Junho.

Há mais insectos e, pela primeira vez desde a infância, vi sardões e cobras, a apanhar sol ou a fugir dos meus passos. Será do aquecimento global? Será que estão a usar menos pesticidas e herbicidas? É um luxo poder oscilar entre pessimismo e optimismo. Estamos tão habituados ao pessimismo que aquilo que se passa diante dos nossos olhos começa por confirmar as nossas piores previsões — até os levantarmos e sermos deslumbrados pela multidão extática de andorinhões, a distrair-nos até sorrirmos.

Uma das vitórias da Primavera foi a de Chris Packham na ilha de Gozo, em Malta, o único país da União Europeia onde não é ilegal caçar espécies protegidas. Packham, cuja conta Twitter recomendo, foi julgado por ter sido acusado de agressão e invasão de propriedade privada. Para se ter ideia das circunstâncias não há nada como ver o hilariante vídeo do confronto, incluído no canal ChrisGPackham no YouTube. O juiz maltês que decidiu a inocência do valente activista britânico declarou que o comportamento dos agentes da polícia era digno de um canal italiano de comédia.

Em Chipre é ilegal apanhar passarinhos para comer — amebelopoulia é o nome do maldito prato —, mas os caçadores só raramente pagam pela crueldade e pela ganância de apanhá-los vivos. Em Portugal, infelizmente, ainda há quem ache graça a esta barbaridade.» [Público]
   
Autor:

Miguel Esteves Cardoso.

quarta-feira, junho 14, 2017

Os deuses não pagam impostos

Parece que o fisco espanhol puxou a ponta da meada da futebol leaks e apanhou ou julga ter dados suficientes para considerar que apanhou o Cristiano Ronaldo com o pé na argola. Não é nada de novo, já outros futebolistas foram apanhados na malha do combate à evasão fiscal, a começar pelo próprio Messi que foi condenado a uma pena de prisão.

Por cá foi um ai Jesus, se fosse um qualquer político ou banqueiro depois da justiça ter dito mata já a populaça gritava esfola, mas tratando-se do nosso Ronaldo só se levantaram vozes em sua defesa, até porque o seu estágio não pode ser perturbado. Que Ronaldo fez tudo o que estava ao seu alcance para ser exemplar, que há dúvidas nas regras, que era para equilibrar a balança das perseguições fiscais entre o real e o Barça, enfim, Ronaldo está inocente.

Pouco tempo depois de a notícia sair já estava Lobo Xavier a dar uma entrevista em defesa de Ronaldo, não se percebendo bem se trabalhava pró bono, se estava no seu horário de voluntariado ou se veio em defesa de uma causa nacional. O conhecido defensor de boas causa não só defendeu Ronaldo, como ainda achou que devia gozar com o fisco espanhol. Que Ronaldo queria saber como cumprir e ninguém saberia e que não faria sentido pagar em Espanha um imposto relativo a um anúncio no Japão.

Pois, Lobo Xavier deve achar que os rendimentos dos anúncios do Ronaldo devem ser pagos em cento e tal países, todos aqueles onde os spot publicitários forem exibidos. Se ganhar uma final no México os rendimentos dos prémios relativos a essa final devem ser tributados no México. E não vale a pena perguntar como fazer ao fisco espanhol porque os nuestro hermanos da Agencia Tributaria são imbecis, o melhor é perguntar ao Xavier.

O que ninguém explicou foi para que serviam as transferências de dinheiro entre off shores para depois ser depositado em contas secretas na Suíça. Não, no caso de Ronaldo as contas secretas na Suíça e as off shores são coisa de gente séria e cumpridora. 

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Rui Moreira, populista anti partidos

Rui Moreira nada tinha que declarar em relação à Selimnho, na verdade ele só era sócio de uma empresa que, por sua vez, era dona da Selminho. Um assessor diz mesmo que declarar ser um dos donos da Selminho seria uma flasa declaração. Enfim, as empresas como aquela e que Rui Moreira era sócio servem precisamente para isso, para que os donos de uma empresa apareçam apenas como donos de outra.

«Desde que foi eleito em outubro de 2013, o presidente da Câmara do Porto não declarou ao Tribunal Constitucional o interesse direto na Selminho, imobiliária detida pela mãe e pelos seus sete irmão desde 2001 e em litígio com a autarquia desde 2005. Segundo o “Diário de Notícias” desta terça-feira, nas três declarações de rendimentos anuais apresentadas enquanto autarca no Tribunal Constitucional, Rui Moreira revelou deter participações, quotas, ações ou outras partes sociais do capital de sociedades civis ou comerciais em quatro empresas, nomeadamente a Morimor Prestação de Serviços, Expoconser - Exportadora de Conservas, Essência do Vinho Brasil - Organização de Eventos, SA, e a Morimor, SGPS, SA, sociedade da família dona da Selminho.

Apesar de Rui Moreira não ter manifestado interesse explícito na imobiliária que reclama junta da Câmara do Porto uma indemnização de €1,5 milhões ou reversão de capacidade construtiva num terreno na Calçada da Arrábida, no Porto, o Gabinete de Comunicação garantiu ao DN que o líder autarquia “não tinha, em 2013, qualquer participação na empresa familiar e nunca fez parte dos seus órgãos sociais”. A assessoria adianta ainda que a participação indireta de Rui Moreira na Selminho constava da Morimar SGPS, SA, interesse declarado ao Tribunal Constitucional “e assumido em várias declarações públicas”.

A assessoria refere ainda que, quando o tema foi suscitado publicamente, Rui Moreira declarou a sua participação indireta na Selminho, tendo manifestado o seu impedimento para tomar parte no processo. “Logo, quer a declaração do TC, quer todas as declarações públicas, são verdade e inatacáveis”, sustenta a assessoria da Câmara, acrescentando que “se tivesse declarado que era sócio da Selminho teria mentido ao Tribunal”.

Independentemente dos contornos legais, o caso Selminho é já o maior embaraço político do mandato de Rui Moreira e ameaça ser o tema mais polémico da campanha autárquica. Embora Rui Moreira tenha dado o caso por encerrado na última Assembleia Municipal, na segunda-feira da passada semana, o processo está longe de estar extinto, quer politicamente quer a nível jurídico. Ontem, segundo o DN, a sociedade detentora da Selmifnho foi dissolvida em Santa Maria da Feira e os ativos transitaram para os seus acionistas. A Morimor, SGPS, SA detinha 95% da imobiliária e a mãe de Rui Moreira 5%, tendo agora o autarca uma participação direta de € 17 812,50 na Selminho.» [Expresso]

 O populismo rasca de Passos Coelho

O desespero de Passos Coelho que não sabe como subir nas sondagens está levando-o à asneira, socorre-se de todos os truques para "esmurrar" Costa. Já tentou de tudo, já se armou em vítima, já apelou aos aliados europeus para o ajudarem, já "rezou" pela vinda do diabo, tudo falhou. Sem programa e sem propostas Passos recorre agora ao populismo.

O seu discurso contra a nomeação de um administrador da TAP é uma obra-prima do populismo, é um discurso digno de qualquer líder extremista, em especial de uma extrema-direita que tudo faz para desprestigiar a democracia e os seus políticos.

Passos sabe que quem defendeu o Estado numa negociação também o pode defender enquanto administrador nomeado pelo Estado, sabe que o cargo não é executivo e as vantagens financeiras são escassas, sabe que o cargo não foi criado mas que decorre da quota do Estado no capital da empresa. Sabe tudo isto mas faz o discurso indignado de quem combate a podridão política, o oportunismo, enfim, tudo o que de mau o populismo costuma atribuir aos partidos e à política.

O discurso de Passos Coelho em Santarém foi uma obra-prima do populismo rasca.

 Do balneário do SCP ao chá de tília

É ridículo que o SLB tenha imposto uma norma que visa apenas ridicularizar o presidente do clube adversário, por mais irritante que possa ser Bruno de Carvalho, a alteração do regulamento da Liga não serve para mais nada senão para humilhar.

Capoulas Santos também escreveu o seu partido do regulamento da Liga e mandou Assunção cristas tomar chá de tília. Capoulas Santos achou que devia humilhar a líder do CDS, mas errou ao pensar que toda a gente acha graça a este tipo de debate político.

No futebol os jogos marcam-se marcando golos na baliza adversária e sucede o mesmo com o debate político. Piadas de mau gosto nem marcam golos, nem vencem debates de ideias e é pena que o ministro da Agricultura não perceba isso. Também não percebe que é muito feio que o debate político passe pela desvalorização dos agentes políticos, o que não dignifica nada a política e muito menos quem assim age.

terça-feira, junho 13, 2017

U(ma vergonha

Celebrava-se o Dia 10 de Junho, era feriado nacional, Marcelo e Costa multiplicavam-se em discursos e viagens, Assunção cristas punha o seu ar mais sério. Todos celebravam o Dia de Portugal. Todos? Não, Passos Coelho precisa de recuperar os votos perdidos, o Expresso deu-lhe uma deixa, ml se livrou do frete oficial acelerou rumo ao sul. Mas não foi para passar o resto do dia com a ou a esposa e muito menos para celebrações, o tema era um petisco, um amigo de Costa tinha sido nomeado administrador da TAP, a mesma TAP que ele privatizou numa noite e que Costa devolveu ao país.

Era um escândalo entre os nomeados em representação do capital do Estado na transportadora estava quem tinha negociado, em nome do Estado, a reversão da privatização. Um escândalo, uma enorme falta de ética, quem defendera o Estado nas negociações com os privados ia agora defender os mesmos interesses do Estado como administrador não executivo.

O país parou de espanto, uma vergonha, Costa tinha inventado um novo “Catroga”, um amigo ia enriquecer na TAP. Como é sabido o cargo de administrador executivo numa empresa onde apenas os administradores nomeados pelos privados mandam na empresa, não só é um cargo altamente remunerado como tem um grande poder. Até a Catarina Martins juntou a sua à voz de Passos Coelho, estava indignada com tanta pouca vergonha.

Passos Coelho está de parabéns, o país anda há quatro dias a discutir um cargo da treta, remunerado com pouco mais do que gorjetas e sem qualquer poder. Foi este o grande problema nacional que levou Passos Coelho a ignorar tudo e todos e a esquecer que era Dia de Portugal. Depois dele anda meio mundo a perder tempo e até o CDS veio perguntar se a CRESAP tinha sido ouvida.

Passos Coelho tem mesmo razão, é uma vergonha que a sua grande preocupação no Dia de Portugal não foram os problemas familiares ou proporcionar a sua companhia à família, foi aproveitar-se de uma notícia da treta para criar um fato político que só merece uma gargalhada e apenas serviu para percebermos as preocupações com que se ocupam os nossos partidos.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Uma boa oportunidade

Se a memória não me atraiçoa há uns anos atrás a Procuradora-geral assegurou que ia acompanhar as privatizações. Agora que uma das empresas então privatizadas, seria interessante se a PGR desse a conhecer os resultados desse acompanhamento.

É também uma boa oportunidade para que Passos Coelho explique melhor o seu conceito de "democracia económica", com que caracterizou a privatização da EDP. Será que a democracia económica está no fato de Catroga negociar num dia as rendas com a troika e no outro estar a presidir à EDP? Talvez por considerar isto democracia económica Passos Coelho não consegue ver aqui qualquer pouca vergonha.

 casos de (muita) pouca vergonha

Pouca vergonha é a Maria Luís ter empregado o seu marido na EDP, pouco depois de ter privatizado esta empresa.

Pouca vergonha é a EDP conseguir que Passos substituísse o secretário de Estado da Energia, gesto que Mexia terá celebrado com champanhe, para pouco tempo depois a EDP empregar o pai do novo secretário de Estado arranjar emprego na .... EDP.

Pouca vergonha é Passos Coelho se ter esquecido de pagar as contribuições `Segurança Social.

Pouca vergonha foi o Catroga ter negociado com a Troika que queria baixar as rendas da EDP e depois aparecer em presidente daquela empresa. Pouca vergonha foi o mesmo Catroga se ter oferecido a António Costa para lhe fazer fretes.

Pouca vergonha foi o último presidente do BES escolhido pela família Espírito Santo ter sido Mota Pinto?

Pouca vergonha foi a escolha de nomeação de Manuel Frexes, presidente dos autarcas sócias-democratas e da Câmara Municipal do Fundão, e Álvaro Castello-Branco, do CDS-PP e vice-presidente da Câmara Municipal do Porto, para administradores da empresa “Águas de Portugal”

 Catarina Martins oportunista

A líder do BE fez surf político nas declarações manhosas e maldosas de Passos Coelho na questão da nomeação do administrador da TAP, sendo lamentável que a rapariga espertalhiona não tenha conseguido ver aquilo que até Marques Mendes viu, que a escolha não é criticável do ponto de vista da defesa do Estado.

 Sugestão

O governo devia ceder às exigências do PSD retirando a nomeação de Lacerda, mas como está em causa uma equipa que representa o Estado deverá também ser retirada a nomeação de Miguel Frasquilho.

segunda-feira, junho 12, 2017

Os fins de semana do PS

Quando Passos Coelho percebeu que a estratégia do exilado que esperava pelo diabo tinha falhado começou a fazer comícios com lombo assado, todas as noites de sexta e sábado são dedicadas a pequenos comícios, onde o líder do PSD diz que quer sem qualquer risco de contraditório. Pouco importa se o jantar é para reunir as mulheres do PSD ou para apresentar candidaturas autárquicas, o que importa é dominar a comunicação social durante o fim de semana. Desvaloriza-se o debate parlamentar onde tem de enfrentar os fantasmas do o passado, prefere jantares com dez minutos de tempo de antena.

O PS tem dado uma preciosa ajuda a esta estratégia, desde que é governo que este partido parece entrar em regime de descanso total na sexta-feira à tarde, para só regressar ao fim do dia de segunda-feira. Passos resguarda-se toda a semana e na sexta-feira à noite ou no sábado chama a comunicação social para mais um jantar onde aproveita o que sucedeu para dizer o que lhe apetece pois sabe que vai estar dois ou três dias sem resposta, por mais falsos que sejam os seus  argumentos.

Com tantos canais de informação e tão poucas notícias, ainda por cima com o futebol de férias, as televisões matraqueiam os telespetadores durante dias com as mesmas declarações, apresentando-as sem qualquer contraditório e como se fossem verdades absolutas. Ainda este fim de semana isso sucedeu, Passos apanhou o Costa “agarrado” às comemorações do Dia de Portugal e viajou do Porto para Santarém, para atacar a nomeação de um administrador da TAP e gozar com a intenção do governo de recuperar 500 milhões de euros de rendas concedidas à EDP.

Em nenhum dos dois casos Passos estava a ser honesto. Na TAP o novo administrador representa os interesses do Estado, os mesmos interesses que defendeu quando representou o Estado na reversão da privatização da EDP. No que se refere às rendas da EDP as intenções do governo não surgem com as investigações naquela empresa, já constavam no programa do governo.

Mas durante dois dias as mentiras de Passos, político que não respeitou o Dia de Portugal e fez o seu comício, foram repetidas até à exaustão em toda a comunicação social. A resposta só foi dada já domingo ao fim do dia, primeiro veio o ministro da Economia responder na questão da TAP, mais tarde foi Carlos César que repôs a verdade na nomeação na TAP.


Mas as mentiras de Passos já tinham passado e mais uma vez o governo foi penalizado por este curioso calendário político em que o PS permite que em cada sete dias o PSD tenha o exclusivo da comunicação social durante dois dias e meio e sem qualquer contraditório ou resposta por parte do PS. Pior ainda, o próprio BE aparece a aproveitar, fazendo surf nas mentiras de Passos Coelho, como sucedeu neste domingo, quando veio associar-se a Passos nas críticas à nomeação do administrador da TAP, aprovando e consolidando uma mentira.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Passos Coelho, traste de Massamá

Passos Coelho está muito indignado porque  alguém que trabalhou em defesa do Estado no processo negocial que levou à reversão da privatização da TAP assuma responsabilidades como administrador daquela empresa em representação do Estado. Onde é que está o conflito entre se ter defendido os interesses do Estado numa negociação e agora ser administrador da mesma empresa em defesa do acionista Estado?

Conflito há em ser ministro da Economia e pouco depois presidente executivo da EDP, ou entre negociar as rendas com a Troika e depois ir para presidente da EDP, ou ainda meter o pai de um secretário de Estado que substituiu outro demitido por pressão da EDP a trablahar nesta empresa, ouy o marido da Maria de Belém ter ido trabalhar também para a EDP, como a EDP fosse uma vaca cheia de tetos para alimentar personagens e personalidades do PSD, de ex-membros do governo do PSD ou de familiares e amigos destes mesmos membros de governos do PSD.

«O líder do PSD, Passos Coelho, considerou no sábado à noite que é “uma pouca vergonha” o Governo nomear para administrador da TAP “o mesmo homem que andou a negociar a reversão” da privatização da transportadora.

“Isto é uma pouca vergonha, não tem outra classificação. E fica tão mal a quem nomeia como a quem aceita”, afirmou Passos Coelho, ao discursar durante a convenção autárquica do PSD de Viseu.

Miguel Frasquilho vai ser o novo presidente do Conselho de Administração da TAP, confirmou no sábado o jornal Expresso, que avançou ainda o nome do advogado Lacerda Machado e da líder da Fundação Serralves, Ana Pinho, para vogais.» [Expresso]

domingo, junho 11, 2017

Semanada

Foi mais uma semana monótona, não surgem más notícias, o PSD não sobre nas sondagens, Passos Coelho já deve estar enjoado de tanto lombo assado, Marcelo continua a tirar selfies na esperança de no fim do seu mandato ter tirado uma com cada português. Se não fosse o caso EDP seria uma semana morna.

Mas o caso EDP fez emergir um herói inesperado, que não perdeu tempo para aparecer. O professor no Canadá que chegou a ministro da Economia graças aos bitaites no seu blogue, ver fazer o papel de vítima da perseguição pela EDP, até o Expresso sugere que a sua substituição por Pires de Lima resultou da pressão da EDP. Acontece que o Sôr Álvaro deixou cair o seu secretário de Estado e meteu no seu lugar quem a EDP mandou. Não se percebe porque motivo a EDP não gostaria deste ministro tão “corajosos”.

Bem mais corajoso do que o Sôr Álvaro é o jornalista José Gomes Ferreira, aprendeu economia a ler jornais, de estatística e econometria só atinge o nível da tabuada, mas entrevista António Costa com o ar do mestre-escola que vai dar uma surra no aluno. Teve azar, foi buscar lã e regressou tosquiado. Pensava que ia desmontar Costa e acabou por cair no ridículo.

Ana Gomes venceu, conseguiu tramar o homem que Costa tinha escolhido para as secretas. À falta de líder da oposição resta a Ana Gomes e os seus pequenos ódios profissionais.

Umas no cravo e outras na ferradura



 A pergunta do dia

Um repórter da RTP pergunta a um cidadão que assistia à parada militar, no Porto, se estava a ver as tropas passar porque tinha algum conhecido. Responde o cidadão que estava a ver a parada por ter sido combatente na guerra mundial. Aí o repórter teve a brilhante ideia de lhe perguntar "trouxe boas recordações?". Isto é, o rapazola acha que de uma guerra se trazem boas recordações! É óbvio que a resposta foi "só trouxe más recordações".

 Limpar a EDP

É cada vez mais óbvio que é necessário desparasitar a EDP, livrá-la daqueles que lá andam a fazer que trabalham, mas limitam-se a receber ordenados, como sucedeu com o marido da ex-ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque.

O caso mais flagrante que urge desparasitar é o de Eduardo Catroga. Esteve nas negociações da Memorando onde estava previsto um corte das rendas, foi um apoiante do governo que privatizou o que restava da EdP pública e aparece de seguida na presidência daquela empresa. Não vale a pena dizer mais nada.

 Quem era o A19?