segunda-feira, junho 19, 2017

A hora dos “especialistas”

Se o excesso de pinheiros e de eucaliptos ampliaram o incêndio que com as rajadas de vento se transformaram numa tempestade de fogo, o excesso de especialistas em busca de protagonismo vai transferir esta tempestade de fogo para uma tempestade de oportunismo na comunicação social.

Um dirigente da Zero nem esperou pelo arrefecimento dos corpos para mandar os seus bitaies sobre causas e culpados, confortavelmente instalado em casa lá debitou o habitual chorrilho de banalidades. A SIC desdobrava-se em busca de alguém que apontasse culpados para poder atribuir a culpa da calamidade e lá encontrou alguém que iria dizer que os culpados são os que nada fazem perante o aquecimento global.

Dantes os culpados do costume eram os madeireiros, nesse tempo os “especialistas” não questionavam o clima, não culpavam os eucaliptos, não questionavam o ordenamento da floresta, os maus eram madeireiros oportunistas que queriam comprar lenha barata. Entretanto, os madeireiros foram ilibados, agora os culpados são os eucaliptos, o clima e, claro, os do costume, os governantes que estiverem de serviço.

Vamos ouvir especialistas em florestas que nos vão explicar que há muito mato, que as florestas não são limpas, uns vão propor a nacionalização dos terrenos, outros que se aumentem as multas, que se proíbam as queimadas. Como se com uma população ativa agrícola em queda continua desde  os anos 70 do século passado ou os que envelhecem nas nossas aldeias pudessem transformar uma imensa floresta num jardim limpinho.

Vão-nos dizer que o mal é dos eucaliptos, como se as florestas de pinhal que os antecederam não ardessem. Fica-se com a ideia de que só há incêndios se houver eucaliptos e que podem mudar toda a floresta de um país como se fosse o canteiro de um país. Ignora-se que o fogo faz parte do nosso ecossistema e que com incendiários ou sem eles sempre ocorrerão grandes incêndios. Quem não se recorda dos incêndios no Algarve no tempo de Durão Barroso? Em muitas áreas ardidas não havia um eucalipto.

Daqui a duas semanas estaremos a discutir o vídeo árbitro ou a tentar saber se o ministro alemão chamou ou não Ronaldo a Centeno e esqueceremos os mortos e os que ficaram sem recursos devido aos incêndios. Os jornalistas da SIC andarão em busca de outros culpados governamentais.





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