quarta-feira, dezembro 13, 2017

TUDO ISTO ENOJA

Uma senhora cheia de glamour que parecia planar ao lado de damas da corte, uma associação cheia de sucesso que todos queriam financiar, premiar e visitar, um governante embeiçado e bem remunerado, massagens revigorantes num SPA de luxo, passeios apaixonados à beira-mar. A senhora exagerou na dose e agora faz companhia ao Ricardo Salgado, ninguém se deixa ver ao seu lado, os que a bajulavam agora são os piores verdugos, os que encheram álbuns de fotos comprovativos de muitos afetos exigem agora investigações pormenorizadas, como se na justiça houvesse uma ementa de investigações.

Tudo isto é pode e não estamos perante a ponta de um icebergue, isto é mais o cume de uma montanha de lixo. Não estamos apenas perante um caso de oportunismo, estamos também perante um espetáculo degradante onde são poucos os que se escapam. É tão miserável a senhora que decide tirar a barriguinha de misérias como os que lhe querem suceder, os que se zangaram depois de muitos abusos ou os que querem tomar o lugar ao lado da Leticia.

As almas caridosas do mundo empresarial que cheias de amor e afeto para dar alegravam as contas da associação com chorudos donativos e prémios de todos os tipos, os que queriam aparecer associados a uma instituição que era escolhida para visitas de cabeças coroadas dedicadas à caridade, fogem agora da associação como o diabo foge da cruz. Que se lixem as crianças e jovens deficientes, as vítimas das doenças raríssimas, vou ali e já venho.

Não sei se o senhor administrador que abandona a empresa porque a Leticia já lá não volta é menos perverso do que a bonitona que gostava de luxo. Não sei se os que à boa maneira portuguesa fizeram a cama à rapariga são mesmo almas caridosas e impolutas ou sofredores de uma doença mais nacional e menos rara do que a doença dos pezinhos, a penosa dor de corno.

Sei que tudo isto é um espetáculo degradante que nos devia enojar, que devia envergonhar os que andam a fazer de conta que de nada sabiam ou que nada viam. Estamos a assistir de novo ao espetáculo que esteve em cena na fase final do BES, quando os que iam à missa na capela do Ricardo fugiram a sete pés, quando os que adoravam animar os jantares dos banqueiros passaram a fazer de conta que o desconheciam e deram agora em voluntários das noites frias, quando os que o bajulavam e recebiam benesses se transformara num momento nos seus algozes.


Esta caso nada tem de raro, é a fotografia de muita miséria que graça na nossa melhor sociedade, sejam senhoras de boas famílias, esposas de gestores bem-sucedidos, presidentes e primeiras-damas, banqueiros, princesas e rainhas, jovens políticos ambiciosos especializados no exercício de cargos pro bono ou candidatos ministeriáveis. Tudo isto retrata a nossa miséria em todo o seu esplendor e devia ser motivo de vergonha.

UMAS NO CRAVO E OUTRAS NA FERRADURA



 Jumento do Dia

   
Manuel Delgado, assessor da Raríssimas

Desde a primeira hora que era óbvio que o secretário de Estado seria um caso raríssimo se conseguisse sobreviver, desde que se soube do que ganhara como assessor da associação que eram óbvias as suas ligações pessoais à presidente da instituição. Que sirva de exemplo para os que envolvem nos negócios da IPSS.

«O secretário de Estado da Saúde Manuel Delgado, que viu o seu nome envolvido na polémica da Raríssimas, está de saída do Governo. O governante sai depois da reportagem da TVI denunciar alegadas irregularidades nas contas da instituição por parte da presidente na Associação Nacional de Deficiências Mentais e Raras, Paula Brito e Costa, e de ser confrontado pela jornalista da TVI sobre “viagens que terá feito com a presidente da Raríssimas. O gabinete do primeiro-ministro já “aceitou o pedido de exoneração” e informou que a substituta será Rosa Augusta Valente de Matos Zorrinho, até aqui presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARS LVT).

O pedido de exoneração foi apresentado pelo próprio e o Presidente da República já aceitou. “O Presidente da República aceitou hoje [terça-feira] as propostas do Primeiro Ministro de exoneração, a seu pedido, do Secretário de Estado da Saúde Manuel Martins dos Santos Delgado e de nomeação para o mesmo cargo da Dra. Rosa Augusta Valente de Matos Zorrinho”, que tomará posse já esta tarde, pelas 19h30, lê-se na nota publicada na página da Presidência.» [Observador]

      
 E quantas auditorias fizeram à Raríssimas
   
«De acordo com os dados do Ministério do Trabalho e Segurança Social, entre 2015 e novembro de 2017, o Departamento de Fiscalização realizou mais de 1615 ações de fiscalização a instituições particulares de segurança social (IPSS).

Destas operações, resultaram 46 propostas de suspensão de acordos e 71 propostas de destituição de corpos gerentes em IPSS, apresentadas junto do Ministério Público territorialmente competente.

Foram, ainda, levantados 1.710 autos de contraordenação e 61 de ilícitos criminais.

O Ministério do Trabalho e Segurança Social entregou à associação Raríssimas mais de 2 milhões de euros desde 2013. Os dados enviados ao Expresso pelo gabinete de Vieira da Silva demonstram que a instituição de solidariedade social recebeu dinheiro do Estado através do Centro de Atividades Ocupacionais, do Lar Residencial e da Residência Autónoma que totaliza mais de 1,9 milhões de euros.» [Expresso]
   
Parecer:

Perante o escândalo da Raríssimas o Ministério do Trabalho apressou-se a divulgar o número de auditorias que foram feitas a IPSS. Só não disseram quantas vezes a Raríssimas foi auditada, já que recebeu muito dinheiro do Estado.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aposte-se que as auditorias à Raríssimas foram raríssimas.»
  
 A  fuga da LIFT
   
«O caso foi denunciado numa reportagem da TVI, que refere que quando Paula Brito e Costa, presidente da Raríssimas, foi contactada, a Lift assumiu o papel de intermediário. Agora, a agência assume que participou nessa mediação entre a estação de televisão e a associação, mas sublinha que se tratou “mais uma vez um trabalho pontual, pro-bono, que se extinguiu nesse momento”.

“A Lift apoiou a associação num pedido de entrevista solicitado pela TVI. Foi, mais uma vez um trabalho pontual, pro-bono, que se extinguiu nesse momento. A Lift não tem nem nunca teve um mandato de representação da Raríssimas”, informou a agência, que diz “sempre trabalhou com várias associações de carácter social em regime de pro-bono, de forma pontual ou permanente”.» [Expresso]
   
Parecer:

Na reportagem da TVI o senhor da LIFT portou-se como um verdadeiro Pitbull, agora foge como se fosse uma ratazana.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 Pobre senhora
   
«A presidente da Raríssimas, Paula Brito e Costa, decidiu deixar o cargo na sequência da polémica gerada pelo alegado uso de dinheiros da associação para gastos pessoais. O caso foi revelado no sábado pela TVI.

Ao início da tarde, em declarações ao Expresso, Paula Brito e Costa disse-se vítima de “uma cabala muito bem feita”.

“Deixo à Justiça o que é da Justiça, aos homens o que é dos homens e ao meu país uma das maiores obras, mas mesmo assim vou. Presa só estou às minhas convicções”, declarou a presidente da Raríssimas.» [Público]
   
Parecer:

Expulsa do Jet Set e a ter que pagar as contas do SPA com o seu dinheirinho.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 O outro lado do negócio
   
«A polémica foi conhecida depois de uma reportagem da TVI que denunciava que Paula Brito e Costa teria usado dinheiro da instituição sem fins lucrativos e com apoios públicos em proveito próprio, para fazer compras e ter uma vida de luxo. No momento em que a jornalista da TVI se encontrou com Paula Brito e Costa para a entrevista onde faria o contraditório sobre a gestão do dinheiro, o intermediário entre a associação e a jornalista é o CEO da Lift, Salvador da Cunha, que questiona Ana Leal sobre quais as perguntas que pretende fazer à presidente. Quando a jornalista recusa revelar em concreto quais as questões, o assessor é gravado a chamar-lhe “pulha”.

Segundo a reportagem, Salvador da Cunha assumiu o papel de assessor da Raríssimas depois de Paula Brito e Costa ter cancelado a primeira entrevista agendada com a TVI e ter remarcado um segundo encontro com a jornalista Ana Leal. O CEO da consultora de comunicação pede então à jornalista que lhe forneça as perguntas que pretende fazer à presidente da Raríssimas, o que ela recusa.

Salvador da Cunha também reagiu imediatamente à reportagem no Twitter emitida no último sábado à noite: “A TVI faz emboscada, tem a faca e queijo na mão e faz o frete de uma parte numa guerra de poder”, começou por escrever na rede social. O CEO da Lift acusa o canal de ter usado “provas falsas e exageradas” e ter feito montagens na reportagem. E volta a adjetivar Ana Leal de “pulha”: “Ela foi pulha só de filmar sem autorização uma conversa combinada para contextualizar a reportagem”. Ao Observador, Ana Leal garantiu que todos os presentes na sala sabiam que estavam a ser gravados, mas não quis fazer mais comentários.» [Observador]
   
Parecer:

Esta guerra entre a TVI e uma empresa de comunicação diz muito sobre a podridão que por aí vai.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

terça-feira, dezembro 12, 2017

A ECONOMIA PARALELA

Ainda recentemente o país assistiu a uma guerra surda pela posse de uma importante fatia de negócios que ainda funcionam nos mercados e que muitas boas almas estão empenhadas em que seja transferido para a área da economia social, essa imensa economia paralela onde as regras, as auditorias e as investigações porque é um mercado sem pecado, de gente dedicada e honesta que receberam uma graça divina e é como se tivessem recebido uma vacina contra a corrupção, a incompetência, o favorecimentos e outros males, que, como se sabe, só atingem gente pecaminosa das empresas e da política, de preferência os segundos.

Enquanto o OE era discutido um deputado do CDS e vereador da CM de Cascais lançou uma petição para que as refeições escolares fossem retiradas do mercado normal, para passarem para o mercado da gente bondosa. Ao mesmo tempo Catarina Martins, representando outro lóbi de gente igualmente bondosa se metia no assunto. Por coincidência ou talvez não o país foi assolado quase diariamente com notícias desagradáveis, até se descobriu uma lesma nacional que é resistente ao calor, depois de cozida com a sopa conseguia nadar alegremente enquanto era filmada. Acabada a negociação do OE desapareceram as más notícias, o vereador de Cascais esqueceu-se da petição e a Catarina Martins passou a entreter-se com o Mário Centeno.

Também nestas semanas se escreveu muito sobre os almoços frugais de sandes de pão com ar, servidos aos nossos heroicos bombeiros. Deu numa guerra entre o presidente da Liga dos Bombeiros, um senhor poliglota nesta coisa das línguas do poder e as associações dos bombeiros. Ainda a propósito dos incêndios fica para a história os muitos mortos e feridos devidos a suicídios ou tentativas de suicídios por parte de portugueses que se sentiam abandonados pelo Estado, inventados pelo generoso presidente da Santa Casa de Pedrógão para alegria de Passos Coelho.

Estamos falando de centenas de corporações de bombeiros, de centenas de santas casas, de milhares de associações e ONG dedicadas às mais variadas causas, todas juntas movimentando milhares de milhões de euros, em grande parte financiados pelo Estado. Gerem compras de muitos bilhões em matérias-primas, equipamentos e produtos alimentares, gerem centenas de negócios que vão de cantinas a grandes centros hospitalares de reabilitação, milhares de lares e de creches. Todas estas atividades juntas são a maior empresa do país e seguramente uma grande empresa à escala europeia.

É um mundo fechado a controlos, inspeções, auditorias, controlos fiscais, uma imensa zona franca onde as autoridades têm medo de entrar, onde qualquer dúvida sobre o que se faz é considerada um pecado mortal. Dominam o poder político porque usam esta imensa máquina em todas as eleições ou para melhorar a imagem de autarcas, deputados, ministros e presidentes.  Quem se mete com eles leva, quem se mete com a Santa Casa leva, quem se mete com o presidente da Liga dos Bombeiros leva, quem se metesse há uma semana atrás com a Senhora raríssima levava. Os políticos têm medo e cedem cada vez mais fatias de negócios que sendo do Estado são decididos segundo as regras de mercado, em concursos públicos. Nesta imensa economia paralela não há regras, não há mercado, não há polícias nem agentes do fisco, só há gente imensamente bondosa.

UMAS NO CRAVO E OUTRAS NA FERRADURA



 Jumento do Dia

   
Vieira da Silva, ministro

Não há nenhum compromisso cívico que obrigue uma personalidade política a envolver-se numa associação cívica, por melhores que sejam as suas intenções. É um casamento que só pode dar maus resultados e os políticos com ambições governamentais deveriam ter o bom senso de perceber que quando são convidados para dar a cara por certas instituições não é peolos seus belos olhos.

Casos como o da Rarísimas não são assim tão raros, o negócio da economia social depende dos revursos do Estado ou de grandes empresas que, por sua vez, também dependem do Estado. Quando estas associações e outras santas casas mais ou menos caridosas, destinem-se a apagar os fogos do estômago ou os das florestas, convidam políticos para casamentos de oportunidade com políticos promissores, visam apenas fazer ou receber favores políticos.

Vieira da Silva não é nenhum jovem com ambições, é um político experiente, um macaco com muitos calos no rabo. Quando se envolve nestas associações sabe muito bem ao que vai e assume as responsabilidades pelas suas opções. Se ainda não tinha aprendido a lição, acabou por a aprender agora e da pior forma. Como diz o povo, quem não quer ser urso não lhe veste a pele. Vieira da Silva vestiu-se dos pés à cabeça.

«O Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (MTSSS) pediu uma inspecção global urgente ao funcionamento da associação de doentes Raríssimas, anunciou nesta segunda-feira o ministro Vieira da Silva, em conferência de imprensa.  

Tendo em conta “o justificado alarme” provocado pela divulgação de alegadas irregularidades na gestão financeira e pelas notícias de uso indevido de dinheiros da associação pela sua presidente, Paula Brito e Costa, o MTSSS solicitou à sua Inspecção-Geral que, com carácter de urgência, seja feita uma inspecção global à Raríssimas, disse o governante. Esta decorrerá nos próximos dias. Uma equipa dedicada irá avaliar todas as dimensões da instituição, explicou ainda Vieira da Silva.

Petição pela demissão da presidente da Raríssimas reúne mais de 1600 assinaturas em duas horas
Petição pela demissão da presidente da Raríssimas reúne mais de 1600 assinaturas em duas horas
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O ministro aproveitou para esclarecer que ocupou o cargo de vice-presidente da assembleia geral da Raríssimas entre 2013 e 2015, antes de integrar o Governo e que o fez apenas por "compromisso cívico" sem receber qualquer "contrapartida financeira". 

Garantiu igualmente que não teve informações sobre uma eventual gestão danosa da instituição, apesar de a associação já estar a ser alvo de investigação na sequência de uma denúncia sobre o não cumprimento de “todas as normas dos estatutos” das Instituição Particulares de Solidariedade Social.

"Relativamente às denúncias que foram feitas e divulgadas de gestão danosa nesta instituição, não tive, nem teve a minha equipa, nenhuma informação em particular do que foi divulgado pela TVI. Nunca recebi nenhuma indicação sobre actos de gestão danosa nessa instituição", assegurou.» [Público]

 Já tenho saudades do velho Intendente das putas e marinheiros



Marcelo até tem razão ao dizer que:

«"Temos de evitar que as pessoas, de repente, venham a Lisboa para ver estrangeiros. Não veem lisboetas e vão aos lugares típicos para ver franceses, brasileiros, asiáticos, africanos. Não é que não seja interessante, mas convinha haver pessoas e coletividades com a maneira de ser de quem vive em Lisboa"» [DN]

Temos que proteger as espécies indígenas no Intendente, ou senão é como ir ao Jardim Zoológico e não haver macacos.

Enfim, Marcelo fala tanto que começa a ter dificuldades em dizer algo que mereça ser ouvido.

 Andarão distraídos?

Ninguém se lembrou de questionar se o governo teria adoptado as medidas para evitar a queda de árvores, a pobre senhora que faleceu porque o Estado terá falhado não tem direito a presença presidencial no funeral ou a exigências de uma indemnização por parte da Cristas?

Parece que em Portugal há vítimas de primeira e vítimas de segunda. Desta vez nem sequer se lembraram de declarar que a nova prioridade do país passava a ser a prevenção das consequências provocadas por grandes tempestades. O nosso Marcelo parece estar a perder qualidades e desta vez nem foi fazer uma visitinha aos estragos provocados pela Ana. Enfim, teremos de esperar pelo Bruno ou por alguma tromba de água em Lisboa, de preferência ao mesmo tempo que o Tejo estiver com a maré cheia, aí sim, teremos matéria para animação presidencial.

 Que ganhe o Santana Lopes

O candidato não é grande coisa, já se sabe que vamos ter dois anos de circo itinerante, mas o sistema político português tem mais a ganhar com Santana Lopes do que com Rio. Santana assume-se claramente como sendo de direita, apoia claramente as políticas adotadas por Passos Coelho. Rui Rio não sabe bem se é de esquerda ou de direita, em vez de projetos políticos claros fala num 25 de Abril que ninguém percebeu o que era.

É bom que a direita deixe de andar armada em social-democrata, como se existisse uma social-democracia de esquerda ou uma democracia nascida da direita em vez de ser uma abordagem do marxismo. É bom que existe direita e esquerda e que tanto de um lado como do outro lado haja confronto entre projetos diferentes. É bom que o PCP e o BE não se confundam ou se armem em "PS". É mau que o CDS se assuma como apêndice do PSD ou que a única diferente entre os seus dirigentes e os do PSD seja o número de vezes que vão à missa.

Uma das piores heranças deixadas por Sá Carneiro foi esta capacidade da direita andar armada em esquerda, consequência dos tempos em que o PSD era um firme apoiante do MFA e grande defensor do socialismo. O PPD, depois PPD/PSD, é um caso de contrafação política, a ala liberal de um regime totalitário, para se disfarçar em democracia apropriou-se da designação de uma das grandes correntes do marxismo.

Santana Lopes é um dos poucos herdeiros da versão de direita e não travestida de Sá Carneiro, fazendo todo o sentido o regresso à designação de PPD, porque o seu partido nunca foi marxista, a não ser por mera conveniência cobarde, sempre foi de direita e populista. Rui Rio e muitos dos que o apoiam nada têm de social-democratas, como é o caso de personalidades como Pinto Balsemão ou Morais Sarmento que são tão de direita quanto Passos Coelho ou Pedro Santana Lopes, mas insistem num falso discurso político.

Há toda a vantagem em que se clarifique qual a diferença entre o CDS e o PSD e se for caso disso levar à extinção de um partido, foi um clã ao serviço da ambição política de Paulo Portas, sendo hoje uma frente de apoio aos negócios que o seu líder anda fazendo em paragens e em empresas especializadas na corrupção que grassa nalguns países.



É tempo de acabar com a farsa do centro e dos blocos centrais e de uma direita que por não se afirmar ideologicamente se organiza em torno de políticos que atuam como velhos senhores da guerra. Uma liderança do PPD por Rui Rio significa a continuação desta farsa que há décadas que apodrece a vida política portuguesa. O país e o PPD têm mais a ganhar com esta clarificação e não vales a pena sugerir que com este ou com aquele candidato o PPD ganha ou perde eleições. Rui Rio é um candidato tão fraco quanto Pedro Santana Lopes e não é por ser uma marioneta do Balsemão ou de Manuela Ferreira Leite que irá mais longe.

 Raríssimas





No negócio da caridade também há diferenças, há as de gente fina e as outras. A Raríssimas era o Jet Set da economia social, depois da sua presidente ter aparecido toda aperaltada a andar toda emproada e esticadinha ao lado da rainha de Espanha era o ver se te avia, não havia político que não gostasse de ser convidado para uma cargozito na associação. Ainda por cima a senhora era muito democrata e tinha o cuidado ter ter o seu próprio mini parlamento.

Agora que a coisa deu para o torto fogem dela como se tivesse sarna, já ninguém quer aparecer ao lado da pobre senhora. è o país que temos e no seu melhora, uma exposição viva de miséria humana. Uns pede inspeções, outros demitem-se, recusam convites que tinham acabado de aceitar ou querem que se apure a verdade.

Enfim, se doenças como a cobardia ou a hipocrisia não são "raríssimas" o que levou tamntos doentes com estas enfermidades a passarem por lá?

      
 Raríssimas
   
«A Raríssimas, Associação Nacional de Deficiências Mentais e Raras, não podia aguentar-se à custa de um mecenas. Estes são raros em Portugal. Fosse o caso, uma Raríssimas rara porque a viver de dinheiros privados, não faria sentido a recente reportagem da TVI sobre a Raríssimas e a gestão da sua presidente. Cada um faz o que quer da sua caridade. Da sua. Mas a Raríssimas é uma instituição que, embora privada, sobrevive graças a subsídios estatais (665 mil euros em 2016). Porém, nem mesmo essa condição de dependente de donativos oficiais pode proibir à presidente os tiques de soberba que lhe são assinalados na reportagem. A presidente emprega o filho e apresenta-o publicamente como "o herdeiro da parada" (isto é, da Raríssimas); a presidente fazia levantar o pessoal de cada vez que ela passava no corredor; enfim, a presidente é quero, posso e mando... Não gosto, mas não é isso o essencial. Sempre houve grandes dirigentes com manias dessas e bem estúpido seria a TVI, eu e os leitores exigirmos modéstia aos grandes fazedores. Até Albert Schweitzer, quase santo, era paternalista com os seus doentes leprosos, no Gabão... O problema com a presidente da Raríssimas, e que torna útil a reportagem da TVI, é que a senhora não pode vestir--se caro, andar de carro de gama alta, ter um salário desmesurado e essas despesas serem imputadas à Raríssimas. Isto é, se ela quer fazer caridade paga pelos contribuintes não pode ser consigo própria. Acresce ao abuso público uma indecência: o prejuízo causado por ela a gente e instituições que, ao contrário da senhora, não abusam. E esse é o crime maior. A presidente da Raríssimas atirou os deficientes portugueses, raros ou não, para o seu destino vulgar: em nome deles serem ainda mais desapossados.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

      
 Outro "raríssimo"
   
«O deputado do PSD Ricardo Baptista Leite já não vai assumir as funções de vice-presidente da associação Raríssimas, cargo para o qual tinha sido convidado e que se preparava para começar a desempenhar. “Não existem, naturalmente, condições e informarei o presidente da Assembleia Geral disso mesmo”, diz ao Observador.

O convite feito por Paula Brito e Costa, presidente da associação, tinha recebido resposta positiva do deputado há cerca de duas semanas. Nesse momento, diz Baptista Leite, o deputado ainda não tinha qualquer indício de eventuais irregularidades na gestão da Raríssimas. No final da semana passada, a “preocupação” instalou-se com a reportagem da TVI em que se dá conta de que a presidente estaria a usufruir de dinheiro da instituição em benefício próprio – comprando roupas, usando carros de alta gama, entre outros gastos.» [Observador]
   
Parecer:

Digam o que disserem uma boa parte dos nossos políticos ia comer nn mão da senhora, apareceu ao lado da rainha de Espanha e depois todos querem aparecer ao lado dela.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

segunda-feira, dezembro 11, 2017

SERÃO MESMO RARÍSSIMAS OU SERÃO MAIS DO QUE AS MÃES?

Com ao rasto de miséria deixado pela combinação entre as medidas do memorando coma Troika e a agenda económica de extrema-direita de Passos Coelho a economia social floresceu e a caridade foi institucionalizadas. Aliás, só por acidente um dos senhores desse mundo da caridade e da economia social não foi mais longe, Fernando Nobre foi candidato presidencial e só não chegou a presidente da Assembleia da República devido a divergências dentro do PSD. Para a história ficam as denuncias da forte presença familiar de Fernando Nobre na AMI, uma  empresa no negócio da ajuda.

Em Portugal há a falsa ideia de que esses verdadeiros senhores da guerra que gerem as muitas instituições da economia social são gente com lugar reservado no céu, concidadãos que dão o melhor de si para servir os outros e que graças à sua dedicação as instituições conseguem os donativos que lhe permite estar onde falta o Estado. Nada mais fácil, a generalidade da imensidão de instituições do negócio, desde as santas e santíssimas Casas às corporações de bombeiros vivem ou de subsídios estatais ou de mecenatos alimentados por benefícios fiscais, que na prática são uma receita fiscal negativa, o equivalente a uma despesa.

Ainda há poucos dias falou-se muito das refeições dos bombeiros e foi o que se viu, com o senhor da Liga a fazer ameaças e com comandantes de bombeiros a justificarem-se com argumentos como o de gente a mais para comida a menos. Talvez isso tenha sido verdade na hora de cortar os papos-secos para fazerem sandes de ar, mas não o foi certamente na hora de pedirem ao Estado mais de vinte euros por cada papo-seco.

Esta ideia de que a economia social é fundamental para a sobrevivência dos pobres conduz à total impunidade dos muitos senhores deste grande negócio, nenhuma polícia se lembra de investigar um senhor da economia social e o ministro que decida aumentar as auditorias será corrido enquanto o diabo esfrega o olho. Neste imenso mundo de dinheiro fácil do Estado não há regras nem controlo e está apodrecido por uma imensidão de esquemas de compadrio.

O mais grave é que a ligação desta economia social à política é cada vez maior e não faltam deputados, autarcas e governante que devem o cargo aos favores eleitorais do submundo da economia social.  Uma boa parte das campanhas eleitorais consiste em visitas organizadas a velhinhos e o patrocínio destas organizações elege cada vez mais políticos. Aliás, estas organizações multiplicam-se como cogumelos, chamando a si a gestão de cada vez maiores volumes de dinheiros públicos, não sendo de admirar o envolvimento de personalidades políticas na sua criação e gestão.

Um bom exemplo desta relação entre poder e economia social foi dada por Passos Coelho, cortou nos apoios do Estado e com o que tirou aos pobres financiou as instituições da economia social, tendo o cuidado de colocar um dos seus à frente da mais importante dessas agremiações, a Misericórdia de Lisboa. Para a história da última legislativa ficam a intervenção política de personalidades da economia social, com destaque para Santana Lopes, Fernando Nobre e a senhora do Banco Alimentar contra a Fome.


UMAS NO CRAVO E OUTRAS NA FERRADURA



 Jumento do Dia

   
Paula Brito Costa, vedeta da economia social

Em Portugal a chamada "economia social" onde se mistura poder, dinheiro e caridade. beneficia de uma total impunidade, como é tudo gente boa quase é uma ofensa auditar ou investigar. Com a institucionalização da caridade durante o período da troika, fenómeno que Marcelo parece pretender continuar, a economia social cresceu de forma exponencial.

Agora parece ter caído uma senhora da economia social, talvez seja o abrir de uma porta para que os portugueses percebam que neste país não há vacinas contra a corrupção e que os únicos que não t~em direito a elas são os que servem o Estado como funcionários ou como políticos.

lamentavelmente, os políticos também parecem ter-se especializado nesta economia social, sendo muitas as organizações criadas por políticos ambiciosos que as usam como tropa de choque eleitioral. No caso da raríssimas é óbvio que algo está mal quando alguém ganha três mil euros mensais como consultor de uma organização cheia de amor.

Aposto que desta vez Marcelo Rebelo de Sousa evitará o comentário na hora, vai ser lerdo o suficiente para ver se o assunto é esquecido e nenhum jornalista lhe faz a pergunta difícil. Cheios de sorte estão os outros políticos envolvidos, desta vez o Presidente da República não lhes vai exigir explicações.

«A TVI emitiu uma reportagem onde é demonstrado como a presidente da Raríssimas, uma associação sem fins lucrativos que recebeu mais de 1,5 milhões de euros, dos quais metade são subsídios estatais, pode ter recorrido aos fundos daquela associação para pagar mensalmente milhares de euros em despesas pessoais. Surgem também envolvidos o secretário de Estado da Saúde, que foi consultor da associação recebendo 3 mil euros por mês, e a deputada do PS Sónia Fertuzinhos, que viajou até à Noruega paga pela Associação. Marcelo Rebelo de Sousa também é visado, Paula Brito da Costa é filmada a dizer mal do Presidente da República.

As acusações contra Paula Brito da Costa são corroboradas pelo testemunho de vários ex-funcionários da Raríssimas, entre os quais estão dois ex-tesoureiros, uma antiga dirigente e outra pessoa que trabalhou como secretária naquela associação sem fins lucrativos, munidos de vários documentos que dão conta de transações alegadamente ilícitas que terão beneficiado a presidente desta associação sem fins lucrativos dedicada aos cuidados de portadores de doenças pouco comuns. Ao longo dos anos, a Raríssimas recebeu a visita de ministros, do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa e também da rainha Letícia, de Espanha.

Segundo a TVI, Paula Brito da Costa recebia um salário base de 3 mil euros mensais, ao qual acresciam 1300 em ajudas de custo, 816,67 euros de um plano poupança-reforma e ainda 1500 euros em deslocações. A esta quantia, que já ultrapassa os 6500 euros, deve ainda ser acrescentado o aluguer de um carro de luxo com o valor mensal de 921,59 euros e compras pessoais que a presidente da Raríssimas faria com o cartão de crédito da associação. Na reportagem, é publicada uma fatura de um vestido de 228 euros; outra que dá conta de 821,92 em compras; e ainda uma terceira que demonstra uma despesa de 364 euros no supermercado, entre os quais 230 dizem respeito a gambas.

Paula Brito da Costa também cobraria à Associação as deslocações diárias de casa para o trabalho, declarando que estas eram feitas em carro próprio. Porém, o carro que usava para fazer esse trajeto pertencia à Federação de Doenças Raras, associação da qual também foi presidente e onde, segundo a TVI, auferia 1315 euros acrescidos de 540 euros de despesas, também elas de deslocação.» [Observador]

      
 Há 22 anos que o SCP não começava assim
   
«Esse dado acaba por empurrar o Sporting para uma estatística que mostra bem a consistência da equipa até ao momento: há 22 anos que os leões não chegavam ao final da 14.ª jornada sem derrotas, melhorando até o registo dessa equipa liderada por Carlos Queiroz que tinha Figo, Balakov, Amunike e companhia (11 vitórias e três empates agora, contra dez triunfos e quatro igualdades na temporada de 1994/95). Pormenor curioso: Gelson Martins e Daniel Podence, titulares na partida desta noite, não eram sequer nascidos…» [Observador]
   
Parecer:

Os portistas responderão que esperam que desta vez acabe como nesse época brilhante de há 22 anos, o SCP ficou a sete pontos do FCP.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Mais um negócio tradicional que morre
   
«Proprietário da Livraria Saturno, em Oliveira do Bairro, José Augusto diz ter "a sorte" de trabalhar com um agrupamento de escolas compreensivo, que optou por dar às famílias a opção de escolherem onde compram os manuais escolares do 1.º ciclo oferecidos pelo Estado. Mas também não se sente livre de perigo: "Com o nosso agrupamento não temos problemas mas, como as coisas estão, não sabemos se amanhã as coisas mudam e ficamos na mesma situação dos que já perderam tudo", diz.

Penalizadas por um mercado editorial que tem vindo a perder leitores a um ritmo acelerado, as pequenas livrarias e papelarias tinham na área escolar - não só nos manuais e fichas de exercícios como nos restantes materiais que as famílias acabavam por comprar - a última boia de salvação dos seus negócios. Mas estão a tornar-se num indesejável efeito colateral da distribuição gratuita dos livros escolares. Não pela medida em si mas devido à forma como esta tem sido implementada, com muitos agrupamentos de escolas a optarem por grandes fornecedores, que lhes garantem as quantidades necessárias com elevados descontos.» [DN]
   
Parecer:

Desta vez ninguém fica preocupado com o interior?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao Presidente.»

domingo, dezembro 10, 2017

SEMANADA

Portugal parece ter um Presidente da República que analisa os anos como se pertencesse à Confraria do Vinho do Porto e estivesse a avaliar a qualidade do vinho, para decidir se o vinho da colheita é ou não um vintage. Agora parece que há anos bons para o país tomar decisões e anos maus porque nesses ou é impossível tomar decisões ou essas serão más, porque são anos eleitorais. Primeiro veio dar palpites sobre o OE para 2019, dando a entender que há orçamentos eleitoralistas, agora foi junto dos autarcas teorizar sobe as qualidades de 2018, por não ser ano eleitoral. Não seria má ideia se o Presidente da República evidenciasse mais confiança na democracia e nas virtudes das eleições, a não ser que considere que as eleições devam ser tratadas como meras passagens de modelos, que nada têm para dizer.

A direita portuguesa está viciada no jogo, só que as apostas não são em corridas de cavalos, na raspadinha ou no jogo do bicho, o que está a dar são os palpites sobre o fim da geringonça. Desde que Passos decidiu esperar um ano para o governo caísse que toda a direita condiciona a sua agenda política no pressuposto de que António Costa vai cair. Agora foi a vez de Santana Lopes animar as suas hostes, para o fazer nada melhor do que se armar em Santinha da Ladeira e prometer um milagre, a Geringonça vai cair.

Marcelo Rebelo de Sousa fez a sua melhor aquisição para a casa Civil, foi buscar o Zeca Mendonça, o homem que durante décadas serviu os líderes do PSD e ficou conhecido pela tendência para pontapear jornalistas. Marcelo tem dado tanta importância ao futebol, uma das suas mais generosas fontes de likes, a seguir aos incêndios e ao jantar dos sem-abrigo, que para tratar com a comunicação social foi buscar alguém com jeito para dar chutos.

Catarina Martins decidiu chamar s si todo o protagonismo político, quase apagando um Jerónimo de Sousa, os ses ataques ao governo e a linguagem que usa é bem mais violenta do que os artigozinhos da Assunção Cristas que tanto irritam António Costa. Mas os ataques de Catarina ao governo também fazem lembrar o estilo de governação do PSD, normalmente este partido desempenha o papel de governo e de líder da oposição. A verdade é que as críticas do BE ao governo apagaram a direita.

Se Centeno pertencesse a um governo de direita a esta hora já teriam descoberto as suas origens rurais, com um avô num dos concelhos mais isolados do país. O meio agreste e a rudeza da vida do campo seriam um sinal das qualidades superiores de um ministro das Finanças que se quer rigoroso, com qualidades da aldeia, a lembrar Salazar. Mas como Centeno é da esquerda já foi esquecido, uma semana depois já não se fala da sua escolha para presidir ao Eurogrupo, Marcelo, por exemplo, prefere falar de receios de que o OE de 2019 seja eleitoralista ou de que o ministro não se possa dedicar ao país.

UMAS NO CRAVO E OUTRAS NA FERRADURA



 Jumento do Dia

   
Pedro Santana Lopes

Santana Lopes anima as suas hostes, ele vai ganhar as eleições, a maioria parlamenrtar vai desfazer-se e o PPD chega ao governo, melhor seria impossível

«O candidato à presidência do PSD Pedro Santana Lopes disse “acreditar cada vez menos” que a legislatura se cumpra, acusando os partidos que sustentam o Governo de estarem preocupados com a “sobrevivência no poder seja a que custo for”.

Na Trofa, para uma sessão de esclarecimento, o antigo primeiro-ministro e candidato a líder do PSD salientou que “nunca” viu uma coligação como aquela que possibilitou uma solução de Governo à esquerda “onde se ofendem tanto uns aos outros”.

Confrontado com a exigência da líder do BE, Catarina Martins, feita na quinta-feira em Braga, para que o Governo “ponha na mesa” a renegociação da dívida, Pedro Santana Lopes afirmou que esse caminho seria “contraproducente” e que Portugal tem é que provar que cumpre os seus compromissos.

“Devo dizer-lhe que eu nunca vi uma coligação assim, onde se ofendem tanto uns aos outros. Dizer o que diz a líder do BE sobre o Partido Socialista é grave, que é por em causa a honra e integridade dos membros do Governo e isso, com toda a franqueza, ninguém gosta de ouvir”, afirmou Santana Lopes, referindo-se à acusação de Catarina Martins que afirmou que o PS é “permeável” aos interesses económicos.

“Há ali um conceito de relacionamento entre estes dois partidos que me faz confusão e que me leva a convencer-me cada vez mais de que a preocupação é a sobrevivência no poder seja a que custo for mas isso não dura muito tempo”, disse.

Segundo o candidato à liderança do PSD, “normalmente a desagregação, quando é assim, é mais rápida do que as pessoas pensam, apesar de o PPD/PSD não ter interesse rigorosamente nenhum em que a legislatura não cumpra o prazo previsto”.» [Jornal Económico]

      
 O ÚLTIMO URSO PARDO DE PORTUGAL
   
«Foi no segundo dia do mês de Dezembro de 1843, com o espírito de Natal já instalado na comunidade serrana e o frio entorpecedor a prometer a chegada de neve e fome, que uma multidão subiu à serra da Mourela, no Gerês, e até ao sítio do Sapateiro. Aí dispersaram e percorreram todo o vale do ribeiro do rio Mau até encontrarem num bosque denso o corpulento urso-pardo que procuravam. Mataram-no e transportaram o seu cadáver para a vila de Montalegre. A notícia da sua morte não ficou por Trás-os-Montes e percorreu todo o país graças à pena de um escriba, que redigiu uma breve nota publicada na Revista Universal Lisbonense a 21 de Dezembro desse mesmo ano. E agora Miguel Brandão Pimenta e Paulo Caetano evocam esse acontecimento como a “última matança”, no livro Urso-pardo em Portugal – Crónica de uma Extinção, publicado em Novembro em versão bilingue (português e inglês) pela editora Bizâncio.

Os dados arqueológicos indicam que o urso-pardo é uma espécie originária da Ásia, onde é conhecida há 450 mil anos. Há 300 mil terá coexistido com outra espécie de urso, o urso-das-cavernas, um habitante mais antigo das montanhas europeias que, menos apto a enfrentar um período glaciar, acabou por sucumbir. Agora, o urso-pardo (Ursus arctus), que num passado distante vagueou por quase toda a Europa, é aquele que tem maior distribuição geográfica entre todos os membros vivos da família dos ursídeos (que, para além de ursos, também inclui pandas). Reconhece-se pelo seu aspecto pesado, cauda e patas curtas, uma cabeça grande com olhos pequenos e frontais e pequenas orelhas arredondadas. A pelagem tanto pode ser de um dourado-claro como de um castanho-escuro. E o seu peso e dimensões variam conforme a região, identificando-se diferenças notáveis de urso para urso até entre a mesma população.A eleição de Mário Centeno para a presidência do Eurogrupo trará “consequências inevitáveis” para a condução do Ministério das Finanças em Lisboa. Esta é a leitura feita pelo Presidente da República que, segundo o Jornal Expresso, está preocupado com o impacto que a dupla missão terá na equipa das Finanças, sobretudo na preparação do próximo Orçamento do Estado. Este processo será marcado pelo ambiente pré-eleitoral e por um crescendo nas reivindicações por parte dos sindicatos, funcionários públicos e parceiros à esquerda.» [Público]
   
Parecer:

Temos uma tradição muito pobre no capítulo do respeito pela natureza.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

sábado, dezembro 09, 2017

ELEITORALISMO

Não há memória de um Presidente da República ter dito tantas vezes que ia analisar um OE com o maior cuidado como o fez Marcelo rebelo de Sousa, dava a impressão de estarmos perante um professor da primária avisando que desta vez ia corrigir a aritmética dos TPC. Quem lhe ouvia este aviso repetido com ar de ameaça que seria cumprida até poderia ficar com a impressão que nunca um presidente o tinha feito.

Agora que Marcelo devia estar cumprindo a sua ameaça, reunindo todos os sesu assessores e conselheiros, juntando inclusive os especialistas na divulgação de segredos e dos SMS dos amigos, Marcelo surpreende e fala já sobre o OE para 2019, um bom sial, significa que já esgotou os temas e que não ocorreu nenhuma desgraça ao país.

Ainda que o resultado de tanto comentário seja o fato de muito do que Marcelo diz já entrar por um ouvido e sair pelo outro, o receio de que o OE para 2019 seja “eleitoralista” é mais do que uma mera declaração de quem não tem mais nada para dizer. É sabido que Portugal tem cumprido escrupulosamente as regras orçamentais decorrentes da participação no Euro, só isso explica a escolha de Centeno para presidir ao Eurogrupo. Então o que incomoda Marcelo.

É grave que num regime democrático um residente da República sugira a mais de um ano de distância que um OE que cumpre todas as regras seja eleitoralista, como se governar a pensar nos votos dos eleitores seja algo de irregular e pecaminoso em democracia. Em democracia governa quem tem mais votos e disputar a concordância dos cidadãos, esperando que eles a manifestem nas eleições nada tem de grave ou de pecaminoso.


Se um partido concorreu com um programa, se o programa de governo corresponde à promessas eleitorais e que so OE traduz a concretização do que foi proposto onde está o eleitoralismo que tanto incomoda Marcelo Rebelo de Sousa. Alguém tem de explicar que os únicos orçamentos que não eram eleitoralistas eram os de Salazar.

UMAS NO CRAVO E OUTRAS NA FERRADURA



 Jumento do Dia

   
Marcelo Rebelo de Sousa

Este Presidente (ainda com letra grande) é o mesmo que há um par de meses parece ter feito um julgamento privativo de Mário Centeno, tendo mesmo chamado a Belém o seu conselheiro Lobo Xavier, a crer na comunicação social para lhe mostrar as mensagens SMS privadas de Mário Centeno? Isto é, Marcelo está muito preocupado porque o tal ministro que poderia ser achincalhado pelo seu conselheiro poderá agora ter menos tempo para o país.

Nãio etsará Marcelo rebelo de Sousa mais preocupado com o protagonismo internacional de Mário Centeno, o que condicionará a linguagem de um Presidente da República, que não se cansou de dizer que iria analisar o OE com muito cuidado, isso umas semanas depois de falar em eleitoralismo.

Sejamos honestos, com todo este protagonismo do ministro das Finanças ninguém vai sugerir que o crescimento da economia é motivado pelos likes, afetos, beijinhos, jantares dos pobres e abracinhops do Presidente. O Marcelo da Linha de Cascais ganha imagem no meio rural português, enquanto o provinciano Mário Centeno ganha destaque internacional, reduzindo o primeiro à sua verdadeira dimensão.

Um bom exemplo das dificuldades de Marcelo lidar com esta situação está no afto de ainda hoje ter feito comentários em relação ao OE para ... 2019. Isto é, ainda não promulgou o de 2018, ainda nada se disse sobre 2019 e depois de tantas ameaças de análise pormenorizada e atenta do OE acabado de aprovar, já lança a sugestão de que o OE de 2019 pode ser eleitoralista.

Parece que sem incêndios e sem jantares de sem-abrigos o Presidente da República tem de inventar temas e o melhor que encontrou foi um em que pode dizer umas patacoadas que aprece serem dirigidas a Centeno.

«A eleição de Mário Centeno para a presidência do Eurogrupo trará “consequências inevitáveis” para a condução do Ministério das Finanças em Lisboa. Esta é a leitura feita pelo Presidente da República que, segundo o Jornal Expresso, está preocupado com o impacto que a dupla missão terá na equipa das Finanças, sobretudo na preparação do próximo Orçamento do Estado. Este processo será marcado pelo ambiente pré-eleitoral e por um crescendo nas reivindicações por parte dos sindicatos, funcionários públicos e parceiros à esquerda.» [Observador]

sexta-feira, dezembro 08, 2017

GERIR RECURSOS ESCASSOS

Fará sentido gastar dinheiro e energia política para levar por diante decisões como a de transferir o INFARMED para o Porto? Com tantos problemas que o país enfrenta pode-se dar ao luxo de gastar dinheiro e perigar a qualidade de um importante organismo público em nome de uma suposta regionalização, passando organismos de um grande centro urbano para outro grande centro urbano?

O grande problema do país é criar riqueza e redistribuir essa riqueza social e regionalmente de forma mais justa e equilibrada. Os problemas do subdesenvolvimento, quer se manifestem na qualidade dos serviços de saúde, na má gestão das florestas ou na fuga da população do interior para a emigração não se resolvem transferindo muitos INFARJMED. O desenvolvimento mede-se pela criação da riqueza e pela forma como esta se distribui e não pela distribuição equitativa e regionalista da pobreza.

O país tem granes problemas, sempre os teve e apesar do salto brutal de modernização, persistem em ter muito por fazer. Atribuir o problema do interior ao litoral ou sugerir que o interior é prejudicado sistematicamente é ignorar a nossa história. Não foram as cidades do litoral que destruirão o meio rural, muito antes de estes fenómenos merecerem debates públicos já as nossas aldeias tinham sido envelhecidas. Primeiro com a partida de muitos jovens para a guerra colonial e mesmo para a colonização, mais tarde e apesar de se ter de fugir ao salto, pela emigração em massa para o estrangeiro.

É verdade que muitas vilas e cidades do interior não conseguem fixar os jovens que são qualificados pelo sistema de ensino. Mas também é verdade que numa boa parte das nossas vilas e cidades os nossos autarcas exemplares instituíram modelos de “democracia” de  fazer inveja à Coreia do Norte. Os nossos autarcas querem poder e as eleições são mais facilmente ganhas com ignorância, pobreza e dependência de subsídios. Pensar que o regionalismo é um modelo de virtudes que tudo resolverá é mais um complexo dos políticos nascidos nas cidades e promovidos a dirigentes partidários com os votos arregimentados pelos caciques das nossas autarquias.

Nem é preciso sair de Lisboa para se conhecer uma realidade muito duvidosa, as juntas de freguesia da capital são poderosas máquinas especializa-as na subsidio dependência e na manipulação de votos a troco de jantares e excursões. 

Os recursos são escassos, a agenda política demasiado preenchida para que em vez de discutirmos como desenvolver, perdermos o tempo a decidir como se distribui o pouco que temos.

UMAS NO CRAVO E OUTRAS NA FERRADURA



 Jumento do Dia

   
Zeca Mendonça

Parece que Marcelo rebelo de Sousa vai mudar a sua relação com a comunicação social e leva para Belém o homem do PSD especializado em pontapés.

Enfim, parece que último pontapé do Zeca foi no traseiro do próximo líder do PSD, que seria o 17 a beneficiar a proteção das suas caneladas.

«O histórico assessor de imprensa do PSD José Mendonça vai deixar as funções de diretor do gabinete de imprensa dos sociais-democratas para reforçar a equipa de assessoria do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

José Luís Mendonça Nunes, conhecido por 'Zeca Mendonça', é funcionário do PSD desde 1974, tendo começado como segurança, e está no gabinete de imprensa deste partido há 40 anos, desde 1977.

Como assessor de imprensa, trabalhou com 16 presidentes do PSD - ou 17, caso se conte com Leonardo Ribeiro de Almeida, que presidiu à Comissão Política quando Francisco Sá Carneiro liderava o partido e era primeiro-ministro.» [Expresso]



 Decadência

A corrida à liderança do PSD é um espetáculo quase decadente, um mau filme para maiores de 18 anos, os artistas principais são maus, os artistas secundários são ainda piores, o enredo é desinteressante, as representações são desajeitadas, nada se aproveita. Mesmo quando as corridas à liderança do PSD não prometiam grande coisa eram animadas, desta vez nem isso sucede.

Santana Lopes é aquilo que sempre foi, mas já não é novidade, já não tem chama, está velho, decadente, pesado e sem ideias. Começou a corrida armado em herdeiro de Passos Coelho para, depois de um almoço gentilmente cedido por Marcelo, começar com tiques de imitador. Se o original nunca foi grande coisa a imitação roça o ridículo.

Ver Santana Lopes passeando pelo eucaliptal queimado para as televisões filmagem, ou atravessar todo o Algarve para ser notícia que foi a Mértola ver a única militante do PSD naquela localidade ou ainda assistir à cena em que um Santana com dois ou três acompanhantes vendo uma quarta parte de um rancho folclórico dançando para as câmaras, só pode dar vontade de rir.


Mais vontade de rir dá ouvir Rui Rio vir defender um novo 25 de Abril, mas tendo o cuidado de acrescentar que é um 25 de Abril civil, não vá alguém pensar que o coitado está pensando num tiroteio. E um novo 25 de Abril para quê? A explicação foram umas quantas baboseiras.
      
 nada mau para um primeiro-ministro "ilegítimo"   

«Um “esquerdista de sucesso” e uma das personalidades que estão “a moldar, agitar e fazer mexer a Europa”. É assim que a edição europeia da publicação americana Politico caracteriza António Costa, colocando-o na nona posição, numa lista de 28 personalidades influentes para 2018. O primeiro-ministro de Portugal é descrito pelo jornal online, especialista em assuntos internacionais, como um socialista bem-sucedido, o que é reflectido como sendo “coisa rara na Europa de hoje.”

Segundo o Politico, ao contrário de outros socialistas que acabaram por ser penalizados pela associação aos tempos de crise, António Costa apresentou-se como alguém capaz de gerar a mudança e “mudar a página da austeridade”, conseguindo nesse processo seduzir os investidores estrangeiros e também os parceiros de Portugal na zona euro, revelando-se um “duro lutador político escondido atrás de um pronto sorriso de campanha”.» [Público]
   
Parecer:

Quem se deve estar a roer é o traste de Massamá.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento à criatura.»
  
 É desta que o Gaspar acerta nas previsões
   
«O Fundo Monetário Internacional (FMI) voltou a rever em alta as suas previsões de crescimento da economia portuguesa para este ano e o próximo e tem agora as mesmas projecções que o Governo português. Embora haja ainda obstáculos a ultrapassar - com a dívida pública no topo da lista de prioridades -, a situação melhorou e o Fundo parece estar a afrouxar a vigilância.

Há pouco mais de um ano, o FMI esperava que Portugal crescesse uns desapontantes 1% e 1,1% em 2017 e 2018. Hoje, prevê 2,6% e 2,2%, respectivamente. Uma diferença da noite para o dia, que alinha as previsões do Fundo com aquelas que o Governo inscreveu no Orçamento do Estado para este ano e acompanha uma mudança de perspectiva da instituição sobre o país.

"As perspectivas de curto-prazo para Portugal continuam favoráveis, apoiadas numa recuperação do investimento e na continuação do crescimento das exportações e do consumo privado. Os objectivos orçamentais para 2017 e 2018 parecem estar ao alcance e os spreads das obrigações caíram substancialmente, ao mesmo tempo que a estabilidade e a confiança no sistema bancário melhoraram, à medida que os bancos reforçaram o capital", pode ler-se no mais recente comunicado de final da missão de avaliação pós-programa de ajustamento, publicado esta tarde.» [Jornal de Negócios]
   
Parecer:

parece que o Vítor Gaspar vai finalmente acertar nas suas contas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 STJ ameaça
   
«O Supremo Tribunal de Justiça ameaça avançar em breve para a execução da pena de prisão de Duarte Lima, condenado a seis anos de prisão por burla ao BPN, caso o ex-deputado e líder parlamentar do PSD não pare de enviar requerimentos a tentar um novo recurso no processo, avança esta quinta-feira a TVI24.

“A insistência do requerente [Duarte Lima] parece indiciar que busca evitar, ou protelar no máximo, o cumprimento do julgado na parte penal”, lê-se num despacho do vice-presidente do Supremo Tribunal de Justiça datado de 11 de outubro, citado pela estação televisiva.

“Justificará (…) eventual extração de traslado para cumprimento de (…) condenação penal”, lê-se também.» [Observador]
   
Parecer:

faria mais sentido cumprir do que ameaçar. Pobre príncipe do cavaquismo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

quinta-feira, dezembro 07, 2017

TEMOS UM PROBLEMA COM A ÁGUA

Há muito que Portugal tem um problema chamado água. Durante décadas a importância da água foi ignorada, foi considerado um recurso gratuito e que poderia ser usado ou destruído sem regras e sem limites, de vez em quando o Alentejo queixava-se de sede, mas os alentejanos são poucos e pesavam pouco nos partidos do poder, durante duas décadas foi ignorado pró Cavaco Silva, apesar de em meados dos anos 80 ter enfrentado uma seca que levou a região a receber ajuda alimentar.

Durante décadas indústrias como as celuloses, os curtumes ou a pecuária usaram os rios e ribeiras como se fossem esgotos a céu aberto, o imenso oceano acabaria por tudo limpar. Onde não havia águia em abundância cultivava-se em sequeiro, onde esta chovia generosamente usava-se sem cuidado e penas era retida para produção de energia elétrica.

Agora que a excitação presidencial anda em níveis mais suportáveis e compatíveis com alguma reflexão séria dos problemas nacionais, é preciso dizer que Portugal tem um problema grave com este recurso. Usa-o de forma descuidada, não promove a sua retenção e redistribuição. Mas acima de tudo tem um problema de falta de visão coletiva, porque não é possível falar de florestas, de desenvolvimento do interior, da agricultura, do ambiente e das florestas sem falar da água. Nenhum destes problemas pode ser analisado ou resolvido isoladamente e todos passam pela água.

A agricultura, as populações, o equilíbrio ecológico, a instalação de indústrias carece de água em qualidade, quantidade e a preços aceitáveis, falar de fixação de populações, de investimento, de agricultura e florestação ignorando a importância e o custo da água evidência falta de inteligência no debate. Não há prioridades isoladas em todos aqueles capítulos, e muito menos prioridades absolutas definidas nas televisões em cima de acontecimentos mais ou menos dramáticos.

É necessário reter a água, avaliar os seus stocks e prever a necessidade de promover a sua redistribuição desenvolvendo uma rede de transvases que assegure segurança no seu abastecimento. É preciso levar a sério o combate à poluição e condenar proporcionalmente as indústrias poluidoras, que devem suportar os custos económicos e ambientais, que ascendem a valores muito superiores às multas que lhes são aplicadas.


É preciso ter água em quantidade, com segurança, com qualidade e com preços aceitáveis e a seca que o país enfrenta mostra que os recursos disponíveis são escassos e incompatíveis com níveis adequados do interior. Uma boa parte da seca atual não se explica apenas pela escassez da água, mas também pela sua procura crescente, consequência do desenvolvimento económico ao longo de décadas, durante as quais se ignorou este problema.

UMAS DO CRAVO E OUTRAS NA FERRADURA



 Jumento do Dia

   
Catarina Martins

Alguém devia dizer a Catarina Martins, de quem com maldade se poderia dizer que é a versão política da banana da Madeira, que uma República das bananas é aquela onde se decidem impostos à mesa do café, sem qualquer avaliação do impacto, sem qualquer reflexão e sem medir as consequências, só no pressuposto populista de que vai incidir sobre os maus.

«Catarina Martins, líder do Bloco de Esquerda, voltou a puxar neste debate quinzenal o desentendimento entre BE e PS – os socialistas votaram a favor da proposta bloquista para taxar as energias renováveis mas acabaram por recuar, pedindo nova votação na norma.

"Ouvi dizer que não se podem mudar regras contratuais a meio. O anterior Governo alterou os contratos das eólicas a meio e, como disse e bem o ministro [da economia] Manuel Caldeira Cabral, [o que era uma renda] ficou renda e meia", lembrou a líder bloquista.

Catarina Martins acusou o Governo de alterar contratos em vigência, mas apenas a favor das empresas: "Pode sempre aterar contratos em nome das empresas (...) de energia, que têm feito tudo o que querem com os contratos. Uma república das bananas é aquela que faz os contratos sempre à medida dos grandes interesses económicos."

Costa, que já momentos antes tinha respondido ao líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, sobre a mesma questão, declarou que "aquilo que justifica a existência do estado de Direito" é que este "exerce-se no estrito cumprimento da Constituição e da lei", mesmo quando é "difícil cumprir".» [Expresso]

 Ainda que ma pergunte

Porque será que é elogiável Louçã ser conselheiro do BdP e tão condenável Centeno ser presidente do Eurogrupo? Tanto quanto me lembro, o BdP teve mais envolvimento na política do governo, até lá meteu um dos governantes mais sacanas, enquanto carlos Costa foi um dos mais firmes defensores do extremismo de Passos Coelho.

Aposto que se o Louçã fosse o próximo presidente do Eurogrupo o BE diria maravilhas da escolha. 

      
 "Foi Cavaco Silva que inventou o kuduro e a kizomba"
   
«Ainda estou em choque, depois de ter lido no seu livro que o responsável pelo desenvolvimento do kuduro se chama Aníbal Cavaco Silva. Isto tem de ser explicado.

Foi quase esse o título do livro: Cavaco Silva inventou o kuduro. Depois sugeri Cavaco Silva inventou a kizomba, que é um bocadinho mais real. O Zeferino, como é um louco...

... Zeferino Coelho, editor da Caminho?

...sim, ele queria esse título, mais do que eu, inclusive. Tenho vindo a defender a teoria de que a explosão das várias músicas africanas, principalmente a kizomba, deve-se muito às políticas do governo Cavaco Silva, com a erradicação das barracas. Embora não seja uma política dele.

Foi no momento em que estava no governo?

Exato. E depois o boom dos centros comerciais. Quando cheguei a Lisboa, em 1995, havia bairros de barracas e uma segregação natural. Uma pessoa junta-se com as pessoas com quem tem mais afinidade. Havia o bairro dos ciganos, o dos cabo-verdianos e havia alguns angolanos. Com o PER [Programa Especial de Realojamento] as pessoas foram viver para o mesmo bairro e até para o mesmo prédio. É óbvio que não foi pacífico sempre mas as pessoas começaram a conviver, os miúdos começaram a ir para a escola juntos. Não me canso de me espantar quando na linha de Sintra ou na linha de Cascais, quando visito as escolas secundárias, vejo todos os miúdos - brancos, negros, ciganos, às riscas - a falar crioulo, como se fosse uma segunda língua, um código deles. Esse fenómeno só se deu depois desse tipo de políticas.» [DN]
   
Parecer:

Que bela invenção.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  
 Esqueceram-se de avaliar o impacto económico do Brexit
   
«O ministro britânico para o 'Brexit', David Davis, admitiu hoje na Câmara dos Comuns que o executivo não fez uma avaliação formal do impacto da saída do Reino Unido da União Europeia (UE) na economia nacional.

Davis, que falava numa comissão da câmara baixa do parlamento britânico, disse que o Reino Unido deve estar preparado para "uma mudança paradigmática" na forma como a economia funciona, a um nível equiparável ao da crise financeira de 2008.

"Não foi feita uma avaliação sistemática do impacto", disse Davis, antes uma "análise por setores" que não é "um prognóstico" sobre o que se vai passar na economia britânica após a saída da UE, prevista para 29 de março de 2019.» [DN]
   
Parecer:

O governo do Reino Unido no seu melhor.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»