sexta-feira, outubro 20, 2017

O POPULISMO SEGUNDO MARCELO REBELO DE SOUSA




De direita ou de esquerda o populismo é a forma fácil de conquista a simpatia do povo, normalmente associamos o populismo à extrema-direita assumida e aos seus tiques xenófobos ou racistas. O Ventura achou que ganhava mais votos atacando os ciganos, a extrema-direita alemã ganhou votos criticando o apoio aos refugiados, o Brexit venceu com os ataques aos emigrantes.

Mas há muito mais populismo para além da extrema-direita, os estratagemas ideológicos da extrema-direita não passam de discursos fáceis de conquistar apoios. Neste sentido há muitas formas de conquistar os eleitores, apelam aos sentimentos de ódio, outros aos bons sentimentos, à comiseração, ao dó, à pena ou, como está muito em voga, aos afetos.

Critica-se, com toda a razão, a forma como Passos Coelho tentou aproveitar-se dos incêndios, mas se fizermos um balanço quem mais ganhou em termos políticos com as tragédias deste verão foi Marcelo Rebelo de Sousa. Marcelo é um político como todos os outros, como político tem os mesmos objetivos que todos os outros. Só que é o político português com mais experiência na utilização da comunicação. É também o político português que sempre usou a manipulação como instrumento privilegiado.

Porque havemos de considerar que Passos foi um oportunista e Passos hum idoso cheio de amor? Porque consideramos que um se mexeu por egoísmo e o outro apenas para dar?

Veja-se o que sucedeu no dia de ontem, perante a necessidade de adotar medidas urgentes o governo desdobrou-se em reuniões, alguns dos seus ministros terão trabalhado horas a fio, António Costa teve mesmo de se deslocar a Bruxelas para participar num Conselho Europeu. O que fez Marcelo? Foi visitar as zonas devastadas pelo fogo e sugeriu que os deputados deviam estar ali. Alguns jornalistas, num estranho e coincidente coro, sugeriam que Marcelo estava junto do povo, enquanto Costa se escondia no gabinete.

Passar a imagem do presidente que não tem medo do povo por oposição ao primeiro-ministro que por ter sentimentos de culpa tem medo do povo, aproveitando-se da ausência forçada dos que tem de fazer o trabalho não é uma forma de populismo, não é um oportunismo bem mais atros do que as posições desastradas de Passos Coelho. O que é certo é que Marcelo cresce nos likes, Passos está arrumado e Costa teve de enfrentar as tragédias, enquanto Marcelo aproveitou as circunstâncias para consolidar a sua popularidade.

Se Marcelo gosta tanto de estabelecer prioridades, como o fez em relação aos sem-abrigo, ao pagamento da dívida e agora á reconstrução nas zonas devastadas pelos incêndios, se a segurança é um princípio da Constituição que ele cumpre e faz cumprir, porque motivo nestes quase dois anos, enquanto nada de grave sucedeu ignorou tão grande perigo e nunca definiu um aprioridade.

É a diferença entre o populista e aquele que não o é, uns definem as prioridades ao longo de toda a vida outros passam uma vida sem um dia de voluntariado e quando chegam a presidentes dedicam-se a dar jantares aos sem-abrigo. Uns definem prioridades prevendo os problemas, outros estabelecem as prioridades a pensar na sua imagem já depois dos problemas. Uns resolvem problemas, outros capitalizam com os problemas.

Esta estratégia dos afetos por parte de Marcelo não será mais uma forma de populismo, que visa os mesmos objetivos de todas as formas de populismo, a simpatia e o voto fácil?

UMAS NO CRAVO E OUTRAS NA FERRADURA



 Jumento do Dia

   
Marcelo Rebelo de Sousa

A mensagem subliminarmente passada para a opinião pública durante o dia de hoje é a de um Presidente que sofre muito com os problemas dos portugueses e um primeiro-ministro sm sentimentos e que não sai do conforto dos gabinetes. Foram vários os jornalistas a fazer este comentário e a fazer perguntas a Marcelo que se limitou a responder que os deputados deviam ir ver os locais dos incêndios.

Marcelo poderia dizer que ele é o Presidente e pode passear à vontade desde que alguém leve o Jipe com os processos para homologar, o que na maior parte dos casos não é mais do que assinar de cruz. Poderia dizer que para acorrer às populações é preciso trabalho e não apenas passeios de afetos. Poderia ainda dizer que o primeiro-ministro tinha de estar em Bruxelas numa reunião do Conselho Europeu.

Mas Marcelo, manhoso como de costume, preferiu que a mensagem do primeiro-ministro frio e distante dos problemas prevalecesse sobre a verdade.

      
 Guerra de capelinhas
   
«O diretor do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), do Ministério Público, convocou a Polícia Judiciária Militar (PJM) para uma reunião urgente ontem à tarde para esclarecer a recuperação, na madrugada desta quarta-feira, do material militar desaparecido da base de Tancos, em junho passado. Com exceção das munições de 9 mm, a PJM recuperou todo o material, entre o qual os lança-granadas e as granadas de mão ofensivas. O Ministério Público (MP), titular da investigação, não foi informado da diligência da PJM e quer garantias de que a investigação não ficou comprometida.

Na reunião estiveram presentes, além do diretor do DCIAP, Amadeu Guerra, e de um representante da PJM, os procuradores que têm coordenado a inquérito-crime e responsáveis da Unidade Nacional de Contraterrorismo (UNCT) da PJ, que o MP tinha chamado a coadjuvar a investigação e que também não foi informada pela PJM de que o material tinha sido encontrado.» [DN]
   
Parecer:

Parece que a PJM trocou as voltas ao MP e ficou com todos os louros da descoberta.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  
 Posse secreta no SEF
   
«Carlos Moreira, inspetor coordenador superior do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), é desde ontem o primeiro diretor nacional do SEF a receber a posse de uma ministra demissionária e numa cerimónia privada. A tomada de posse " secreta" realizou-se esta quarta-feira à tarde, no gabinete da ministra da Administração Interna, já depois de ter sido divulgada a carta de demissão de Constança Urbano de Sousa.

O ministério da Administração Interna justifica a não divulgação da tomada de posse - que é por norma um ato público com a presença de funcionários e dirigentes dos organismos tutelados - pelo facto do país de encontrar em "luto nacional". Este procedimento tinha estado marcado para segunda-feira passada, mas devido aos incêndios foi adiado.

O gabinete da governante, refuta que tenha havido irregularidade no procedimento, sublinhando que no momento da tomada de posse a ministra "ainda estava em funções". "A exoneração foi publicada em DR, ao início da noite, ao mesmo tempo que foi publicada a nomeação do novo Ministro da Administração Interna (Eduardo Cabrita).» [DN]
   
Parecer:

Esta notícia revela apenas a imbecilidade do autor, a escolha estava feita e aprovada pelo primeiro-ministro e a ministra estava em funções.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se tanta estupidez.»

 A Lulu foi despedida
   
«A CIA anunciou na quarta-feira que despediu uma jovem cadela que no programa de deteção de explosivos K9. A justificação? Lulu não mostrava interesse ou jeito para o trabalho.

"Todos os cães, assim como a maioria dos estudantes humanos, têm bons dias e maus dias ao aprender algo novo. O mesmo acontece durante as nossas aulas dos cachorros", escreveu a CIA num comunicado no seu site.

Lulu é uma cadela labrador de cor preta que pertencia ao grupo de cães do programa K9, que deixou bem claro que não estava interessada em procurar explosivos.» [DN]
   
Parecer:

Desde que o Trump é presidente até a Lulu perdeu a vontade de trabalhar.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 Santana outra vez no desemprego
   
«Sexta-feira, 20 de outubro, será o último dia de Pedro Santana Lopes como provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. O anúncio foi feito pelo próprio, numa mensagem que mandou esta quinta-feira aos trabalhadores da instituição. No email, Santana convida os funcionários da Misericórdia para um convívio de despedida na Sala de Extrações, a histórica sala dos sorteios dos concursos dos Jogos Santa Casa.

No domingo, o provedor torna-se formalmente candidato à liderança do PSD. A declaração de candidatura será feita em Santarém. O evento chegou a estar marcado para sábado, mas acabou por ser adiado por coincidir com o dia do Conselho de Ministros extraordinário convocado por causa dos incêndios florestais.» [Expresso]
   
Parecer:

Já fez as contas aos apoios que recebeu e corre o risco.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

quinta-feira, outubro 19, 2017

O PRESIDENCIALISMO DOS LIKES



As últimas quatro semanas foram úteis para compreender Marcelo Rebelo de Sousa, para entender melhor como ele exerce as funções presidenciais e para clarificar as relações com o governo. O Marcelo Presidente é o Marcelo de sempre, é o Marcelo das brincadeiras do Expresso, o Marcelo dos almoços que não se realizaram, o Marcelo da TVI ou o Marcelo inventor de fatos políticos.

Marcelo conquistou os portugueses com uma estratégia de Facebook, em menos de nada conseguiu um recorde de likes e de amigos, conseguiu likes na esquerda e na direita, na oposição e no governo, nos ricos e nos pobres. Com a estratégia dos beijinhos, lágrimas e selfies Marcelo tornou-se unânime, uma espécie de caudilho (*) das redes sociais. Agora que tem muitos likes e muitos amigos, Marcelo sente que tem mais poderes do que aqueles que a Constituição lhe confere, se é que pela interpretação que fez das regras constitucionais na sua última comunicação ao país não entende que os seus poderes são quase ilimitados.

Marcelo sente que tem mais poderes do que os constitucionais, sente que a sua notoriedade tipo Facebook lhe dá o poder de apoiar ou derrubar governos, de ajudar candidatas autárquicas que por coincidência se cruzam com ele, de escolher as lideranças partidárias. Os poderes presidenciais são neste momento muito maiores do que os que decorrem das regras constitucionais. Dantes podia dissolver o parlamento, agora pode manipular os sentimentos e a opinião dos eleitores com os seus discursos de afetos.

Há uns tempos Marcelo servia o pequeno-almoço, o almoço, o jantar e a ceia aos sem-abrigo, até almoçou com um casal que viveu na rua, comeu empadão de atum, acompanhado de Encosta do Alqueva reserva de 2014 com entradas de presunto e chouriço caseiro da guarda e pudim na sobremesa, tudo devidamente acompanhado pela RTP para que aumentassem os likes. Na época a prioridade do governo era o problema dos sem-abrigo.

Durante meses substituiu-se ao INE e ao ministro das Finanças dando as boas notícias, andava tão animado que chegou a achar que a economia iria ter um crescimento de 3% e ainda achou pouco. Pelo meio, vimos um Presidente fazer um julgamento sumário de um ministro das Finanças, chegando ao ponto de ler os SMS do ministro, poderes que nem o parlamento tem. A notoriedade confere poderes que ninguém se lembraria de escrever na Constituição.  Neste país europeu o Jornal de Negócios e outros titulavam que “Marcelo viu SMS de Centeno e não gostou do que leu” e toda a gente achou este desvio democrático tropical e vergonhoso como algo aceitável.

Esquecidos os sem-abrigo a prioridade passou a ser a dívida, agora as procissões de Marcelo são junto das vítimas dos incêndios e a prioridade no caso de haver folga orçamental passou a ser acorrer ás vítimas dos incêndios, daqui a um ou dois meses Marcelo decide ganhar mais uns likes e a prioridade da folga orçamental será outra. De dia para dia o Presidente usa o poder dos seus likes para presidencializar o regime. Enquanto o governo anda numa roda viva a correr atrás das prioridades que ele define quase semanalmente a comitiva presidencial organiza a agenda para ganhar mais likes para que o Presidente aumente o poder dos seus likes, que cada vez mais se sobrepõe e ignora os poderes constitucionais.

Se a economia vai crescer e Marcelo tem acesso antecipado aos dados anuncia a boa nova e ganha  os likes, como o o ministro das Finanças fosse o seu assessor da Casa Civil para a Economia. Se a S&P tira Portugal do lixo Marcelo ganha os likes. Se algo corre mal na economia Marcelo diz ao governo o que deve fazer e ganha os likes. Se há incêndios ou tragédias Marcelo vai dar abraços e beijinhos e ganha os likes. No Estado há um deve e um haver, o deve são os likes para a presidência pelo que corre bem e pela parte fácil do que corre mal. O Haver é para o governo que serve de saco de boxe quando algo corre mal.

Quantas vezes Marcelo fez voluntariado junto dos sem abrigo antes de ser presidente, quando até tinha uma agenda mais ligeira? Quantos comentários e propostas fez Marcelo nos seus comentários televisivos em matéria de incêndios? Quantas vezes Marcelo usou os seus comentários para fazer previsões económicas? Quantas vezes bebeu Encosta do Alqueva reserva de 2014 com pobres? Até parece que Marcelo enjoou a comida dos jantares de banqueiros para onde era convidado.


Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Hugo Soares, líder parlamentar do PSD

O país ficou a saber que o líder parlamentar do PSD esteve de mangueira na mão, à porta da sua casa, porque o Estado falhou. Enfim, temos um herói nacional no parlamento e ninguém sabia.




      
  Férias merecidas
   
«Na primeira quinzena de agosto de 2016, Constança Urbano de Sousa rumou a Tavira, como é seu hábito, para aproveitar para descansar com família e amigos. O verão estava quente — segundo dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, foi um dos mais quentes de sempre — e um fogo em Gondomar chegou a ameaçar habitações por esses dias. E se este ano não faltaram políticos a apressar-se a chegar às localidades afetadas pelos fogos, naquela altura muitos estranhavam a ausência de reações da ministra da Administração Interna. Foi preciso passar sábado, domingo, segunda e terça-feira para Constança falar, já estava o país de olhos postos na violência das chamas do grande fogo da Madeira. A ministra aparecia finalmente nas televisões, à saída de uma reunião na Proteção Civil. Mas também nas bancas, nas páginas da revista “Flash” com fotos numa festa de Verão a dizer que “uma ministra nunca tira férias”. Esta semana, em plena crise no combate aos fogos no norte e no centro do país, queixou-se de não as ter tido.

A atitude de 2016 não passou despercebida aos olhos da oposição. Foi o caso do social-democrata José Eduardo Martins, que se apressou a criticar a presença da ministra em festas algarvias em plena época de incêndios. “Os reis do spin… Até ontem, a Ministra só aparecia na ‘Flash’ nas reportagens do social no Algarve. Hoje, como todos repararam, já arranjou um ‘inimigo’ e uma ‘narrativa’… Sobra em lata o que falta no resto”, criticava na altura, na sua página de Facebook, referindo-se ao facto de a primeira reação da ministra ter sido sobre a alegada falta de ajuda dos países europeus no combate aos fogos. Mas também ao facto de a “Flash” dessa semana ter ido para as bancas com várias fotografias da ministra a marcar presença na festa de aniversário da revista.

Havia ainda um outro pormenor que agora se tornou relevante. Naquela altura, a ministra dizia à “Flash” que, apesar de marcar presença na festa algarvia, “uma ministra nunca está de férias”. “Todos os dias há qualquer coisa por resolver, nem que seja pelo telemóvel. Uma ministra nunca está de férias”. Constança Urbano de Sousa estava longe de imaginar que o verão seguinte seria bem mais violento em matéria de incêndios e com a perda de muitas vidas (105 pessoas até agora, em apenas quatro meses) e, aí sim, não teria mesmo tempo para descanso. Como a própria sublinhou, aliás, quando esta segunda-feira, na sequência da segunda tragédia dos incêndios com 41 vítimas mortais. Para contornar a pergunta sobre a sua demissão, a ministrou tentou ironizar com esse dado pessoal: “Para mim seria mais fácil, pessoalmente, ir-me embora e ter as férias que não tive, mas agora não é altura de demissões”. Uma frase polémica e politicamente terrível. A habilidade política não foi, de resto, propriamente o que a levou aos gabinetes governamentais. A demissão de Constança Urbano de Sousa acabou por se concretizar esta quarta-feira, 18 de outubro, um dia depois de a ministra entregar a carta de demissão ao primeiro-ministro. Uma carta onde justificava a saída para preservar a sua “dignidade pessoal” e explicava que já tinha pedido para sair logo a seguir aos fogos de Pedrógão Grande.» [Observador]
   
Parecer:

Até enfim que a senhora pode gozar as férias e ir a todas festas e festarolas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Deseje-se boa viagem à senhora ex-ministra.»
  
 A PJ foi a última a saber das armas encontradas
   
«As armas desaparecidas em Tancos há quatro meses foram agora encontradas na Chamusca, a cerca de 20 quilómetros das instalações militares. De acordo com a Polícia Judiciária Militar (PJM), o armamento foi recuperado na madrugada desta quarta-feira.

Segundo apurou o Expresso, a Unidade Nacional de Contraterrorismo (UNCT), da Polícia Judiciária (PJ), que lidera a investigação, só foi informada sobre o aparecimento das armas “a meio da manhã”. Ou seja, algumas horas depois da operação da PJM.

Ainda de acordo com a mesma fonte, quando os inspetores da PJ do contraterrorismo chegaram ao local, as armas já tinham sido levadas, teriam sido retiradas pelos investigadores militares da PJM.» [Expresso]
   
Parecer:

Enfim...
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

quarta-feira, outubro 18, 2017

TODOS SÃO CULPADOS

Os que a troco de benesses fecharam os olhos durante várias décadas ao que estava sucedendo nas florestas têm a sua quota parte de culpas.

Os que governaram a pensar nos favores à indústria do papel usando a pasta da Agricultura para fechar os olhos à desordem florestal, para nomear altos dirigentes do Estado amigos dos interesses privados ou a adotar leis feitas por encomenda são culpados por estas mortes.

Todos os proprietários de terrenos que por ignorância ou por mera ambição promoveram processos de florestação sem cuidar da segurança dos seus vizinhos são culpados.

Os cidadãos que andam a atear fogos, que fazem queimadas irresponsáveis, que atiram lixo para as florestas, que fazem piqueniques nas matas sem o mais pequeno cuidado, todos são culpados.

As entidades que deveriam aplicar as leis que obrigam a respeitar distâncias de segurança entre as florestas e as estradas, as linhas elétricas ou as habitações e que ao longo de anos fizeram vista grossa, num país onde por dá cá aquela palha se multa invocando o código da estrada, são culpados.

As entidades que perante tantos incendiários à solta e tantos agricultores irresponsáveis que fazem queimadas nos dias de maior risco de incêndio, ignoraram os sinais de perigo e não adotaram as necessárias medidas de policiamento das zonas florestais são culpados.

Todos os que no desempenho de cargos públicos estiveram mais preocupados em nomear amigos do que em escolher os melhores e mais competentes para servirem o país em serviços de grande responsabilidade e risco, são culpados.

Não vale a pena mitigar as culpas ou concentrá-las numa ministra, foram muitos os responsáveis pelo que sucedeu. Quantas vezes nas centenas de vezes que fez comentários televisivos o agora Presidente da República chamou a atenção para a necessidade das medidas que agora exige? Co o que é que esteve mais preocupado Marcelo Rebelo de Sousa quando foi líder do PSD, com o aborto ou com os incêndios e outros grandes problemas nacionais, com o que dava votos a curto prazo ou com os problemas do país? O que fez Assunção Cristas para adaptar o modelo florestal à nova realidade climática?

Todos os presidentes foram culpados, todos os primeiros-ministros foram culpados, todos os ministros da agricultura foram culpados, alguns dos cidadãos das nossas aldeias e que agora são vítimas também foram corresponsáveis na tragédia, os jornalistas que, como Miguel Sousa Tavares, sabem falar muito bem mas só depois das tragédias sucederem, fazendo-o mais por vaidade do que por outra coisa, são igualmente culpados.

São culpados os que não agiram para resolver os problemas, os que se calaram porque só falam quando lhes pagam para falar, os que governaram a pensar em interesses, os que sendo incompetentes aceitaram os lugares, todos são culpados.

A PERCEÇÃO DA (IN)COMPETÊNCIA

Há ministros competentes de quem dizemos serem incompetentes, do mesmo modo que ministros incompetentes conseguem passar uma imagem de competência. A competência dos governantes é como a temperatura ambiente, há a temperatura medida num termómetro e outra coisa é a sensação de frio ou de calor, que depende de vários fatores, há quem tenha frio na praia e num dia quente, da mesma forma que podemos estar numa estância de neve apanhando sol em tronco nu sem sentir frio.

Na verdade os cidadãos não conhecem uma boa parte dos ministros e muito menos os secretários de Estado, em relação à maioria das pastas o cidadão comum nem sequer sabe ou está interessado em saber o que se faz. Não é porque o titular da pasta da pesca ser incompetente que os barcos deixam de pescar ou porque o ministro da agricultura é competente que as vacas dão mais leite. Para o cidadão comum alguns ministros são mais competentes do que outros, não admira que nas sondagens os ministros com melhor imagem sejam aqueles que ninguém conhece, sobre esses a opinião não pode ser má. Para os velhos anarquistas nem o Estado nem os governos faziam falta, fico-me pelo meio anarquista, com dirigentes competentes da Administração pública muitos governantes incompetentes não fazem falta, são nomeados apenas para empatar.

Mas em relação a alguns ministros os cidadãos estão atentos, é o caso dos responsáveis pelas finanças, pela economia e pela saúde. As pessoas sabem que podem ficar mais pobres se o ministro das Finanças for incompetente, que podem não ter cuidados de saúde com qualidade se o ministro da saúde não estiver à altura ou sentem-se inseguras se o responsável pela pasta da segurança for incompetente. Estes ministros mexem com a tranquilidade do cidadão comum, com o descanso com que dormem.

No caso destes ministros não basta serem competentes, é preciso que a perceção por parte dos cidadãos seja a de que são mesmo competentes, o cidadão quer sentir-se seguro, se considera o ministro das Finanças incompetente receia pelas suas poupanças, se não confiar no ministro da saúde também não confia nos serviços médicos e se a imagem do titular da pasta da segurança for de incompetência o medo alastra.

No caso de um titular da pasta da segurança a perceção da competência é importante também porque desse ministro dependem muitas hierarquias do tipo militar, para as quais a confiança no líder é de importância crucial para o desempenho de toda a organização. Um ministro da Administração Interna é alguém em quem temos de confiar, quer o cidadão comum, quer as polícias, os bombeiros e muitos outros profissionais que contribuem para que se possa dormir tranquilo.

Se um ministro da Administração interna não transmite uma imagem de competência é muito provável que o país não acredite na sua confiança e perca a confiança em instituições fundamentais como as forças de segurança e da proteção civil. Independentemente da avaliação que o primeiro-ministro faz da ministra da Administração Interna a verdade e que é cada vez mais óbvio que a ministra não tem condições para ser mantida no governo e cada dia que passa a insegurança dos cidadãos aumenta.

É costume perguntar se emprestava o  carro a determinada pessoa, neste caso deve perguntar-se ao cidadão comum se a atual ministra da Administração interna é a desejada para o cargo pelo cidadão comum no caso de ocorrer mais uma catástrofe natural ou uma qualquer situação de emergência. A resposta mais provável é não, pelo menos é a minha, se o país enfrentar mais uma situação de segurança de grande complexidade espero que esteja no cargo alguém capaz de transmitir confiança ao país e esse não é o caso da ainda ministra.

UMAS NO CRAVO E OUTRAS NA FERRADURA



 Jumento do Dia

   
Constança Urbano de Sousa

A ministra da Administração Interna dificilmente conseguirá sobreviver à crise que se instalou na sequência dos incêndios do passado domingo e as declarações desastrosas sobre a resiliência das comunidade ou da sua dedicação pessoal que a levou a adiar as férias não a ajudaram nada. Se o conseguir graças à teimosia de António Costa em segura-la no governo há um sério risco de ser o primeiro-ministro a sobreviver á ministra.

É lamentável que tudo o que a Geringonça conquistou seja deitado a perder para que a Dra. Constança possa continuar a ser ministra. Mesmo que o primeiro-ministro insista em que se mantenha no cargo manda o bom senso que se demita.

 Desafio a Miguel Sousa Tavares

Miguel Sousa Tavares tem vindo a ofender sistematicamente todos os funcionários públicos, não perdendo uma oportunidade para dizer mentiras promovendo imagens falsas. Por isso aqui fica um desafio a Sousa Tavares, que torne públicas as suas declarações de rendimentos relativas aos anos que passaram desde 2007, ano anterior à crise financeira internacional, até 2016. Se o fizer também o farei e veremos quem pagou a crise, quem teve cortes de rendimentos ou mesmo em crise aumentou os rendimentos.

Não sei que autoridade tem este senhor para ofender tudo e todos, para falar do que sabe e não sabe. Não sei que exemplos deu ao país, que sacrifícios fez pelo país ou o que o torna num exemplo para o país para falar da forma como fala de outros portugueses.

 PREVISÃO

A prevenção não é importante para situações normais, para tais situações os recursos são suficientes para ocorrer aquilo que são necessidade normais. A prevenção ganha importância quando poderão estar em causa situações anormais, porque são essas as que poderão exigir recursos que se não forem mobilizados com tempo não estarão disponíveis.

Os americanos sabem que nesta época do ano há furacões e os seus meios estão vigilantes, mas quando se forma um furacão no meio do oceano reforçam os recursos disponíveis para poderem prever o nível de perigosidade desse furacão. Para isso enviam aviões com meteorologistas para o olho do furacão, prevêem a sua evolução e percurso, dão instruções às autoridades. Poderão concluir que o furação está acima do normal, mas os meios disponíveis estavam mobilizados, mesmo que se venham a revelar insuficiente.

Neste momento Portugal enfrenta o seu “furacão Irma” com as florestas do norte e centro depois de ateadas por assassinos à solta. Mas no meio do oceano já se está formando outro furacão, se a seca se prolongar é certo que o sul do país enfrentará uma grave crise e muitos agricultores e empresas agrícolas enfrentarão um provável cenário de fome e de falência.

A seca destrói colheitas, destrói sementeiras e aumenta exponencialmente os custos em explorações de regadio que recorrem a energia para obter água nos furos. Muitas explorações que dependiam do abastecimento de água por barragens e represas começam a ficar por sua conta.

Sem chuva o gado criado em pastagem tem de ser alimentado a ração, os criadores são forçados a suportar custos muito superiores ao economicamente viável. Ainda por cima, com muitos criadores a quererem desfazer de parte das suas manadas os preços baixam nos mercados, agravando a sua situação. Os criadores de gado em estábulo, principalmente as explorações leiteiras, dependem normalmente da produção de forragens. Sem chuvas estas ficam pedidas ou são mantidas com rega alimentada por furos, onde a extração de água obriga ao consumo de energia.

Nos finais dos anos 80 registou-se em Portugal uma seca extrema com consequências dramáticas para regiões como o Alentejo, onde nem a tradição da presença do PCP impediu que em muitos concelhos a Igreja tivesse organizado procissões para rezar por chuva. Foram lançadas operações de ajuda alimentar e foram importadas mais de duas centenas de milhares de toneladas de trigo forrageiro e de fardos de palha, para alimentar e manter o gado a custos reduzidos.

É impossível prever as tragédias provocadas pelo clima, mas espero que o governo esteja atento ao que se passa na agricultura pois as secas não apanham ninguém de surpresa e esta dura há tempo suficiente para que todos soubéssemos que este anos seria e continuará a ser um ano terrível.


Não sou nada crente e muito menos dado a rezas e procissões, no creo en brujas pero que las ay, las ay. Assim, espero que o ministro da Agricultura esteja a preparar os meios necessários para enfrentar uma tragédia eminente. Se a falta de chuva se prolongar, as sementeiras de outono ficarão inviáveis e a produção de cereais e de forragem, bem como a criação de gado no centro e sul do país entrarão em colapso.

 Dúvidas que me atormentam

Será que ainda vamos apanhar com outro governo com uma agenda de austeridade brutal em nome da defesa do lugar da ministra da Administração Interna?

 Minifúndio e fim de semana

Coincidência ou não os incêndios do passado domingo ocorreram num domingo e nas regiões onde predomina o minifúndio. Poder-se-á dizer que  nos latifúndios há menos pinheiros ou eucaliptos ou que no domingo as condições atmosféricas foram mais extremas. A verdade é que durante toda a semana as condições atmosféricas foram favoráveis ao aparecimento de incêndios e que nos latifúndios também existem florestas e matos suficientes para a eclosão de incêndios.

Há uma relação evidente entre a presença humana e os incêndios. Há quem associe os incêndios à desertificação mas a verdade é que nas regiões do latifúndio, muito mais desertificadas, não ocorreram incêndios. Diz-se que o abandono dos campos leva a incêndios mas foi nas regiões com mais atividade agrícola que os incêndios ocorreram.

Vale a pena refletir sobre a relação entre a presença humana, as suas atividades económicas e agrícolas e a sua educação com os incêndios. 

      
 Uma entrevista que vale a pena ler
   
«Especialista em Planeamento, Prospectiva e Desenvolvimento Sustentável, Fernando Teigão dos Santos foi assessor do Governo anterior durante três anos e ficou com os cabelos em pé quanto ao funcionamento dos executivos em geral. Acaba de lançar Governar Melhor, livro em que apresenta propostas para “trazer os governos para o século XXI”. A sua máxima é que a reforma do Estado deve começar pela reforma do Governo. E há muito a fazer.» [Público]
   
Parecer:

O entrevista  faz propostas que merecem ser lidas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a leitura.»
  
 Oportunismo
   
«O presidente da bancada do PSD, Hugo Soares, anunciou nesta terça-feira a apresentação de uma iniciativa no parlamento para criar um mecanismo rápido de indemnizações às vítimas dos incêndios do fim de semana. “O grupo parlamentar do PSD dará entrada a um novo diploma para que as vítimas e familiares, aqueles que perderam os seus bens e modo de viver na tragédia deste fim de semana, possam ser imediata e rapidamente ressarcidos pelos seus prejuízos”, afirmou o deputado social-democrata, em declarações aos jornalistas no final da conferência de líderes parlamentares.

Segundo o deputado social-democrata, tratar-se-á de “um mecanismo indemnizatório expedito em que o Estado assume de forma imediata a sua responsabilidade e as pessoas não tenham de esperar meses, anos a fio, pelas decisões dos tribunais”.


“[Será] exatamente igual àquele que tivemos oportunidade de apresentar aquando da tragédia de Pedrógão [Grande], que foi, sem apelo nem agravo, chumbado pela maioria de esquerda parlamentar” na especialidade, disse, referindo-se ao mecanismo extrajudicial para pagamento das indemnizações em cerca de seis meses às vítimas dos fogos de junho, no centro do pais.» [Observador]
   
Parecer:

O PSD acena com dinheiro para promover a revolta, ou o governo cede ou acende-se mais um incêndio, agora em terreno do cavaquistão onde o PSD controla algumas autarquias.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»

 Umas boa notícia que veio da Síria
   
«As milícias curdas e árabes apoiadas pelos Estados Unidos hastearam hoje a sua bandeira no estádio de Raqqa, pondo um fim simbólico a quatro meses de combates para expulsar os jihadistas daquela que consideravam a “capital” do seu autoproclamado califado, relatam testemunhas.

Os combates no local já terminaram, mas as Forças Democráticas Sírias (SDF) estão ainda a tentar desactivar minas existentes no local e a procurar combatentes que possam continuar na zona, contou à Reuters Rojda Felat, comandante daquela coligação. O Observatório Sírio dos Direitos Humanos, que conta com uma rede de activistas no país, diz que o Daesh foi já completamente expulso da cidade.

 “Sabemos que há explosivos artesanais e armadilhas nas zonas que o Daesh controlava, por isso as SDF continuam a tentar limpar essas zonas”, afirmou o coronel Ryan Dillon, porta-voz da organização. Na zona terão sido também encontradas armas e documentos destruídos pelos jihadistas em fuga.» [Público]
   
Parecer:

o Isis perdeu o seu ultimo reduto.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Esperemos para ver o que sucede na Líbia, no Afeganistão, no Iémen ou em países africanos para onde poderão fugir os sobreviventes.»

terça-feira, outubro 17, 2017

AS COMUNIDADES TÊM DE SE MOSTRAR MAIS RESILIENTES

Já não bastava sermos demasiado piegas, gente com a tendência para procurar zonas de conforto e, a crer no lanzudo do Tavares, somos governados por ministros que em vez de andarem a combater incêndios estão entretidos com as benesses dos funcionários públicos.  

A crer nessa sumidade nacional que é Sousa Tavares o mês de Outubro devia ser declarado como o mês de campo do governo, o equivalente à semana de campo da tropa, um mês durante o qual em vez de andarem preocupado com benesses orçamentais para esses filhos da mãe dos funcionários públicos os ministros andariam ocupados com problemas nacionais. Que saudades que todos já temos do nosso belo orçamento, com vista para austeridade, nesses tempos as coisas eram como deviam de ser, em vez de servirem para dar benesses a funcionários e reformados, eram anunciados cortes de vencimentos, aumentos do IVA sobre bens alimentares e eletricidade ou cortes nas pensões desses inúteis de cabelo branco. Estou preocupado, se um dia arranjar uma namorada do CDS também ficarei a pensar desta forma?

Quem tem razão é a ministra porque confirma o que já tinha dito Passos Coelho, o mafarrico que está de partida, para ser substituído por um diabrete, já tinha dito que somos todos uma data de piegas, gente amaricada que não é capaz de viver com menos de 500 euro ou comer e calar depois de cortes de 30% dos rendimentos. Agora a linguagem é mais fina, já não somos piegas, em vez do adjetivo dos betinhos, a nossa condição é melhor caracterizada, as nossas comunidades são pouco resilientes.

As nossas aldeias estão cheias de gente amaricada que já não consegue apanhar um aguaceiro no lombo sem ter que ir para o centro de saúde com uma constipação. Somos um povo de medricas e fracos, mal vemos as primeiras labaredas desatamos a fugir, mijando pelas calças abaixo. Já não aguentamos o frio, não suportamos o calor, somos comunidades de fracos.

Não são só os ministros a precisarem de fazer semanas de campo em vez de andarem entretidos com orçamentos, são necessárias novas campanhas de dinamização cultural, com as meninas licenciadas na UAL a explicarem ao povo como se trabalha de sol a sol comendo pão com azeitonas, como é que se apanham azeitonas com os dedos enregelados pela geada, como é que se sobrevive com caldo-verde feito com as folhas da couve-galega, como se combatem incêndios apenas com as mãos. Estamos todos à espera que a nata nacional dos betinhos venham ensinar o país, os betinhos de boas famílias ensinam os ministros a preocuparem-se com coisas importantes e as betinhas dos corredores luxuosos do Estado vão ensinar as comunidades a serem mais resilientes.

O país está cheio de gente inteligente disponível para nos ajudar, explicam ao povo que tem de deixar de ser meio amaricado, sugerem destinos de emigração, ensinam os governos a preocuparem-se com o que é importante, dizem que não devemos ser piegas. Estas elites julgam que Portugal é um país de imbecis.

UMAS NO CRAVO E OUTRSS NA FERRADURA



 Jumento do Dia

   
Constança Urbano de Sousa, ainda ministra da Administração Interna

è lamentável que enquanto portugueses morrem alguém considere que a sua demissão é assunto, perante as perguntas insistentes dos jornalistas o bom senso aconselharia a declarar que aquele era o momento para liderar e preocupar-nos com as vidas alheias. Mas a ministra parece muito preocupada com a sua situação e até refere que não tem férias, sugerindo que está fazendo um grande sacrifício.

Talvez a ministra não saiba que há muita gente que não tem férias, que milhares de bombeiros não tiveram férias para combater os fogos e alguns deles morreram ou ficaram gravemente feridos. Falar do grande sacrifício de não ter tido férias neste momento não passa de argumento de menina bem. O que é isso ao lado dos que morreram, ficaram feridos, viram uma vida de trabalho destruída, ou combater incêndios durante dias a fio alimentados por refeições miseráveis, como se viu opelas fotografias?

«Acho que este não é o momento para a demissão, é o momento para a ação. Ir-me embora seria o caminho mais fácil, ia ter as férias que não tive". Foi assim a resposta de Constança Urbano de Sousa, ministra da Administração Interna, quando questionada sobre se, à luz dos incêndios que começaram este domingo e que já fizeram 27 mortos, ponderava demitir-se.

Foi, aliás, a terceira vez a que respondeu à mesma pergunta, com formulações diferentes, de "tem condições para se manter no cargo?" a "sente-se confortável a manter as suas funções?". Impaciente, a governante respondeu pelas três vezes que a demissão "não iria resolver o problema", lembrando que as suas funções são "naturalmente, extremamente difíceis" e que por isso o caminho "mais fácil" a seguir seria a demissão.

Falando à saída de uma reunião da Comissão Nacional de Proteção Civil na sede da Autoridade Nacional de Proteção Civil, em Carnaxide, Constança Urbano de Sousa tentou dar as respostas sobre o que falhou naquele que já é considerado o pior dia de incêndios do ano e uma situação só comparável ao verão de 2006, apesar de estarmos já a meio de outubro. "O que está a falhar já falha há muito tempo, que é a prevenção estrutural. Não se faz nem de um dia para o outro nem de um ano para o outro. Vai demorar muito até termos uma floresta ordenada", frisou.» [Expresso]

 Constança 2 - 0 Centeno

Quando o país devia estar a discutir o bom momento económico vieram os incêndios e não se falou de outra coisa. Agora que Centeno devia estar a defender o OE vem novamente a Constança e centra as atenções em si. Costa anda com azar.

      
  Prevenção estrutural?
   
«A ministra Constança Urbano de Sousa culpa o “número de ocorrências”, só igualado depois de muito se recuar na memória, “para 2006”, para justificar a dimensão dos incêndios que nos últimos dias têm consumido o país e que transformaram este domingo no "pior dia do ano". São já 31 as vítimas mortais.

“Houve imensas ignições – ignições que não surgem do nada. Não são auto-ignições”, assevera. Questionada sobre a sua origem, a ministra da Administração Interna responde que não se trata “necessariamente de mão criminosa, mas mão negligente, pessoas que fazem queimadas quando é absolutamente proibido fazer, e que fogem do controlo”.

“O país está numa situação de seca extrema, ontem [domingo] tivemos ventos fortíssimos por influência do furacão Ophelia. Tudo isso leva a que os incêndios tenham uma propagação absolutamente extraordinária”, considera Constança Urbano de Sousa, apelando aos cidadãos para que se comportem “em conformidade”.

“Temos de fazer uma reflexão séria sobre a adequação do sistema de protecção civil às novas condições. As novas condições dizem-nos que vamos ter cada vez mais incêndios de enorme proporção. Não só neste país”, continua a ministra, referindo os incêndios na Galiza e na Califórnia para sublinhar que esta não é uma situação exclusivamente portuguesa.» [Público]
   
Parecer:

A questão está em saber se antes do início do verão haviam circunstâncias que permitissem ou não prever o risco de ocorrerem situações como as que aconteceram.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se à ministra.»

segunda-feira, outubro 16, 2017

O conto do vigário

Ainda que a expressão sugira que vigário seja um sinónimo de vigarista ou burlão, a verdade é que o vigário da estória que segundo a tradição deu lugar à expressão era mesmo um vigário, um sacerdote designado para coadjuvar um pároco, em suma, um padre. Conta-se que “ainda no século XVIII, uma disputa entre os vigários das paróquias de Pilar e da Conceição em Ouro Preto, pela mesma imagem de Nossa Senhora. Um dos vigários teria proposto que amarrassem a santa ao burro que estava solto na rua. Pelo plano, o animal seria solto entre as duas igrejas. A paróquia para a qual o burro se encaminhasse ficaria com a imagem. O animal foi para a igreja de Pilar, que assim ganhou a disputa. Mais tarde teria sido descoberto que o burro era do vigário dessa igreja” (Wikipedia).

Não é do burro que vamos falar, ainda que nesta história pouco dignificante que estão sendo as eleições para a escolha do líder do PSD não faltem burros, lerdos e espertalhões de duas patas, não sendo de por de parte a possibilidade de algum procurador mandar o Sol contar se eles andam em casa nas quatro patas, depois dos sinais nas pilinhas, das compras de cocaína pelo Sócrates e da frutaria nas Antas nada nos surpreende neste país. Vamos falar dos candidatos do PSD, mais precisamente de Santana Lopes e Rui Rio.

Neste caso o burro são os militantes do PSD, e o vigário dono do burro é o da paróquia de Belém, porque depois de Marcelo Rebelo de Sousa ter exibido os fardos de palha ao lado de Santana Lopes todos sabemos para onde vai correr um burro esquelético e cheio de fome de poder. 

O que mais impressiona nalguns protagonistas nesta disputa, como Marcelo, Miguel Relvas e outros é a falta de respeito pelas regras mais elementares e o despudor como se comportam no pressuposto de que os militantes do PSD não têm autonomia intelectual e dependem de truques para decidir em quem vão votar. Se Marcelo Rebelo de Sousa parece ter-se inspirado no velho conto do vigário, já Miguel Relvas, mesmo culto e mais arredados de paróquias e profissões parece ter-se inspirado nas nossas feiras.

Ainda que tendo sido um político inspirado no “caga milhões” Relvas e outras personalidades do PSD parece inspirar-se noutro tipo de vendedor de feira. Era muito comum nas nossas feiras haverem vendedores que montavam uma banquinha e anunciava as vantagens do seu produto, em regra algo com aparência de cura inovadora de uma qualquer maleita. O povo aproximava-se, rodeava o vendedor, mas ficava hesitante, até que um ou dois capangas do vendedor se decidiam a comprar o produto, levando os hesitantes a fazer o mesmo.

Esta luta pela liderança do PSD mostra até que ponto aquele partido se deixou degradar e as personagens que se estão envolvendo nesta disputa estão proporcionando um espetáculo que não passa de uma pantomina.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Fernando Nobre, ex-deputado do PSD

Para os que estão mais esquecidos Fernando Nobre foi deputado do PSD na anterior legislatura e só o deixou de ser porque o parlamento rejeitou-o na escolha do presidente. Isto é, o mesmo Fernando Nobre que agora diz que o crescimento da economia não chegou aos mais pobres, é o mesmo que se preparava para estar à frente de um parlamento que adoptou medidas para que os pobres ficassem mais pobres depois de escolhidos para ajudar a superar a crise, ao mesmo tempo que se poupavam os mais ricos.

Fernando Nobre não parece ter o bom senso que recomendaria que evitasse mexer em questões relacionadas com pobreza.

«Organizações do setor social reconhecem que há uma melhoria da situação económica do país, mas que esta ainda não chegou à franja mais pobre da população, superior a dois milhões de portugueses.

"O panorama económico do país atualmente é melhor (...), mas o que temos constatado é que ao nível da franja mais pobre da população ainda não estamos a ver o retorno dessa melhoria", disse o presidente da Fundação AMI, que falava à Lusa a propósito do Dia Internacional para Erradicação da Pobreza, que se assinala na terça-feira.

Para isso acontecer, seria preciso que o crescimento previsto de 2,5% da economia portuguesa se "mantivesse durante alguns anos", adiantou Fernando Nobre.» [DN]

 AT acusou Sócrates?

Quando o MP tornou pública a acusação deduzida no Caso Marquês muitos órgãos de comunicação social dissseram que o "MP e a AT" acusou os arguidos do processo. Ainda que ninguém tenha vindo a público contrariar este tipo de notícias é saudável esclarecer que a AT não acusou ninguém de nada.

O fato de nas investigações um serviço da AT ter funcionado como órgão de polícia criminal e ainda que seja mais ou menos claro, a crer no que se foi lendo na comunicação social, que quase todo o trabalho foi feito por um grupo de funcionários da AT, isso não significa que esta autoridade esteja vinculada à acusação.

Tanto quanto se sabe nada do foi escrito pelos funcionários da AT foi sancionado pela sua hierarquia, ali´s, no respeito pelo segredo de justiça a hierarquia da AT nem poderia ter conhecimento do que se apurava ou se julgava estar a ser apurado no âmbito do processo. Quem sancionou o trabalho dos funcionários da AT foi a hierarquia do MP. A AT enquanto instituição esteve e continuará a estar à margem da instituição, pelo que todos os "louros" do processo devem ser entregues aos procuradores envolvidos no processo.

 MP deixou cair a suspeita de consumo de cocaína?

Agora que há uma acusação no caso Marquês vale a pena perguntar porque razão deixaram cair tantas suspeitas, será porque não tiveram provas ou porque no momento em que as usaram para difamar não tinham quaisquer provas. Uma das suspeitas mais hilariantes que "deixaram" escapar para os jornais foi a de que Sócrates comprava ou mandava comprar cocaína.

«As suspeitas à volta da compra de droga começaram começou durante a fase mais sigilosa da Operação Marquês. Poucos meses antes de os investigadores avançarem para a detenção de José Sócrates - 21 de Novembro de 2014 - o procurador Rosário Teixeira, o inspector tributário Paulo Silva e o juiz de instrução Carlos Alexandre ouviram várias escutas telefónicas e ficaram com a suspeita de que o antigo primeiro ministro usava o dinheiro na posse do seu amigo, Carlos Santos Silva, para comprar ou mandar comprar cocaína e/ou outros estupefacientes.

(...)

Na publicação, refira-se, José Sócrates, suspeito, entre outros crimes, de corrupção fraude fiscal e branqueamento de capitais, não faz qualquer referência às escutas telefónicas com que as testemunhas foram confrontadas, as quais indiciariam, segundo a investigação, uma eventual compra de cocaína ou de "outras substâncias", como referiu, por exemplo, o inspector tributário Paulo Silva.» [Sábado]

A suspeita pariu do fiscal da AT mas o Sábado assegura que o procurador Rosário e super juiz de Mação alinharam nessa suspeita. Para termos a certeza de que não estamos perante uma manobra de difamação e porque ninguém se demarcou da notícia difamatória seria bom que o fiscal de Braga e os magistrados tornassem públicas as escutas que acharam ter fundamento para esta manobra difamatória.

 Condecorado com a Ordem da Liberdade



Agora que António Barreto foi condecorado com a Ordem da Liberdade, que no seu caso e pelo seu historial de luta pela democracia equivale a uma prenda na Farinha Amparo, vale a pena ler o seu primeiro artigo desde que Marcelo o agraciou:

«É uma história sem fim feliz. Qualquer que seja o desenlace, ficaremos a perder. Portugal e o seu povo ficarão sempre a perder. Evidentemente, se justiça for feita, poderemos sempre dizer que ressuscitámos, que a Justiça é a nossa Fénix. Se os culpados forem expostos e condenados e se as vítimas e os contribuintes forem pelo menos moralmente ressarcidos (nunca o serão financeiramente...), será possível dizer que, bem lá no fim, a Justiça prevaleceu. Se assim for, poderá também afirmar--e que será possível, depois do desastre, aprender com os erros. É uma consolação.» [DN]

Isto é, com uma condecoração novinha em folha atribuída a um suposto defensor da liberdade, António Barreto começa o seu artigo partindo do princípio de que na justiça deve prevalecer a presunção da culpa e só se o arguido for condenado é que foi feita justiça. Para quem tem uma coluna com o título genérico de "sem emenda" é caso para dizer que nunca um título foi tão ajustado.

Todo o artigo é uma lista de acusações sem direito á defesa, com António Barreto chamando a si o papel de juiz de um tribunal plenário, onde condena sem ouvir, sem defesa e sem qualquer pejo em condenar apenas com base na sua má opinião acerca do arguido:

«As instituições, por responsabilidades objectivas ou subjectivas, não agiram quando deviam, não perceberam o que estava a acontecer.»

«Os governantes não falharam, porque eram cúmplices ou protagonistas.»

«Convém não esquecer que não se sabe onde pairam cinco a dez mil milhões "desaparecidos", mas que se encontram depositados a recato em contas de famílias, seus mandatários, cães e gatos.»

«Ou perde a democracia e o seu sistema político que conviveu com parasitas da política ou das finanças, deixou pulhas roubar o Estado e permitiu que velhacos roubassem depositantes, credores e accionistas de boa-fé.»

António Barreto está tão certo de que Sócrates vai ser condenado ou de que quando o julgamento chegar ao fim já ninguém se lembrará das alarvidades

Como português sinto vergonha que um cidadão acabado de receber uma condecoração nacional das mãos do presidente da República escreva assim, como um mero leitor de pasquins. E sinto ainda mais vergonha pelo país e pela democracia e por todos os que por ela se bateram e morreram ao ver que quem escreve desta forma e com estes princípios tenha recebido precisamente da Ordem da Liberdade.

Os últimos portugueses a receber a Ordem da Liberdade foram António Guterres e Mário Soares. Não sei o que Marcelo o critério para alguém merecer receber esta condecoração, mas é evidente que nesta coisas das condecorações é como no vinho, há anos de vintage e outros que são de zurrapa.

 Dúvidas que me atormentam

O Público, jornal da SONAE, parece estar muito interessado no negócio da PT, o que se entende, O Azevedo Jr parece ter tido um papel muito importante na acusação a Sócrates, fazendo sentido que o jornal use agora as suas páginas para convencer a opinião pública sobre essa acusação. Faz, sentido, para alguma coisa de investe em jornais.

O que não entendo é porque tendo o representante do Estado na assembleia da PT ter assegurado que recebia instruções de dois colegas do escritório, estes não terão sido chamados a depor para explicarem de quem recebiam as instruções que davam a Sérvulo Correia:

«O PÚBLICO consultou o depoimento de Sérvulo Correia durante o inquérito (o professor faz parte do rol de testemunhas de acusação deste caso) e o reputado advogado apenas admite ter recebido instruções verbais para se abster.

O antigo professor universitário garante que nunca reuniu com nenhum membro do Governo antes da assembleia de 2 de Março e reconhece que o convite e as instruções sobre o sentido de voto que deveria seguir lhe foram transmitidos por dois colegas de escritório, Rui Medeiros e Lino Torgal. Questionado pelo Ministério Público sobre se "não estranhou" ter recebido um convite por "via indirecta" e instruções pela mesma via, o advogado respondeu que não. E justificou essa posição com o facto de "confiar" nos seus colegas.   

Adiantou, no entanto, que na altura lhe foi disponibilizado o contacto telefónico directo do então ministro dos Transportes e Comunicações, Mário Lino, e de um secretário de Estado que admite ser Costa Pina, para que, se fosse necessário, obtivesse orientações durante a assembleia.» [Público]

Certamente o tempo escasseava e considerou-se que tais testemunhos não trariam nada de novo à acusação.

 António Ventinhas

António Ventinhas, líder do sindicato que em tempos organizou um congresso luxuoso com o patrocínio dos dinheiros duvidosos do BES, apressou-se a declarar a propósito do Caso Marquês, que a provarem-se as acusações era preocupante porque isso significaria que o poder está corrompido.

Agora ficamos à espera que apareça a acusação ao ser colega que está preso preventivamente no âmbito do processo do vice-presidente de Angola. Veremos que se for deduzida acusação o sindicalista vem logo no dia seguinte dizer que a comprovar-.se a acusação isso significa que o MP está corrompido.

 Quem falou em OE eleitoralista?



 Empresas portuguesas deram-se mal na Irlanda

Marques Mendes socorreu-se de uma entrevista de Daniel Bessa em apoio das suas críticas ao OE. Mas o mais hilariante foi a forma como Marques Mendes apresentou o homem do Norte para assegurar que era uma opinião inquestionável. A definição de Daniel Bessa segundo Marques Mendes: é um grande economista, não é político e é da oposição porque (durante um par de dias) foi ministro do PS.

      
 Empresas portuguesas deram-se mal na Irlanda
   
«O caso de três empresas portuguesas condenadas na Irlanda por pagarem salários abaixo do contratado e descontarem por alojamento e lavandaria é um precedente que desencoraja situações semelhantes, afirma a presidente da Associação Portuguesa da Irlanda. 

"Depois de este julgamento estar confirmado e registado, vai ter implicações para outras empresas porque não será preciso ir a julgamento, estabelece um precedente judicial", disse Maria Manuela Silva à agência Lusa. 

O Tribunal de Recurso confirmou em 4 de outubro a sentença do Tribunal Superior [High Court] de março de 2016, quando as empresas Amândio Carvalho SA, Rosas Construtores SA e Gabriel Couto SA, que formavam o consórcio Rac Eire Partnership para uma autoestrada na Irlanda entre 2007 e 2009, condenadas a pagar cerca de 1,2 milhões de euros a um grupo de 27 de trabalhadores portugueses. » [Expresso]
   
Parecer:

Estão mal habituadas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»

domingo, outubro 15, 2017

Semanada

O país festejou a acusação a Sócrates, uns porque tiveram matéria para o pendurar mais uma vez, outros porque começavam a ter dúvidas da competência do MP. Mas há os que deverão estar tristes, acabaram-se os segredos da vida pessoal de um ex-primeiro-ministro, resta-nos a esperança de que sejam abertos mais processos. Há uns anos atrás soube-se de pintinhas em pirilaus, agora das férias, namoradas e ex-esposas de Sócrates, mas há muito por saber. Pagava para que o Marques Mendes tivesse um processo para que o CM; nos contasse como é que ele dá uma em pé. Delirava ver o Sol, até mesmo o seu diretor a escrever um livro sobre as se Assunção Cristas compra na Intimissimi ou se ainda recorre ao enxoval do casamento e usa lingerie com rendas de bilros.

A propósito do OE para 2017 Marcelo Rebelo de Sousa manifestou-se preocupado com o eleitoralismo em 2019, o que nos leva a questionar se na próxima comunicação na noite de Natal vai falar das prendas no sapatinho deste ano ou das desgraças de 2019. Talvez Marcelo Rebelo de Sousa não tenha reparado, mas todos os orçamentos são eleitoralistas, se os governos forem honestos e a realidade o permitir, cumprem o que previram nos programas eleitorais adotando medidas orçamentais ao longo da legislatura. Se a Geringonça concluir em 2019 as medidas previstas no acordo e no programa eleitoral do PS faz o que prometeu aos eleitores. Aliás, a Geringonça não estará apenas a cumprir as suas promessas, muito do que Marcelo designa por eleitoralismo estava previsto no programa do PAF para 2019!

A propósito do incêndio de Pedrógão Grande Marcelo falou de “responsabilidade funcional”. Embora não tenha explicado o que é essa coisa de responsabilidade funcional, isto é, o que significa ter responsabilidade porque quem tem funções está vários degraus abaixo na hierarquia, parece que sugere que a ministra seja responsabilizada. Abaixo da ministra há tantos degraus hierárquicos como os que existem entre o comandante supremo das forças armadas e o comandante da base de Tancos. Será que no caso de Tancos também serão assumidas as responsabilidades funcionais?

O país teve dois momentos de grande felicidade nesta semana, dignos de se cantar o hino com grande exaltação nacionaliza, desta vez a seleção conseguiu ganhar à Suíça e como se isso não bastasse, até o país tremeu com esse enorme orgasmo nacional que foi o anúncio pelo próprio da candidatura de Pedro Santana Lopes, um homem que todos conhecemos e podemos certificar que não é gay ou coisa parecida. Consta que as fábricas de incubadoras estão a adotar controlos de qualidade mais exigentes enquanto as fábricas de talheres estão a aumentar o stock de facas pois prevê-se um aumento significativo da procura.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Daniel Bessa, "ex-ministro do PS"

Só mesmo esta luminária conseguiria o milagre garantindo que "com este crescimento eu teria, no mínimo, um défice zero", só não explica como é que com défice zero teria este crescimento.

Este senhor, que ganhou mais notoriedade nacional por ter sido ministro do PS durante um par de dias do que pelos muitos anos de gestor ou de universitário, foi um dos defensores mais firmes da pinochetada económica de Passos Coelho, é o homem a quem os jornais recorrem quando querem falar mal da esquerda e ajudar a direita.

Nesta fase o problema é outro e vão desfilando os apoios a Rio ou a Santana e todos estes apoios fazem a sua declaração de saudosismo em relação a Passos Coelho. Alguns, como este, metem dó, até porque não é Rio que precisa de Bessa, em termos de votos dentro do PSD o "ex-ministro do PS" não vale o caracol, assim, é Bessa que quer sair da penumbra colando-se a Passos. As suas alarvidades económicas é um recado, está dizendo a Rio "ó Rio, se ganhares não te esqueças de mim".

«Na sala de entrada da Porto Business School onde dá aulas, Daniel Bessa sente-se em terra firme. A sua intervenção política é um “diletantismo”, que não o inibe de assumir posições críticas contra a política financeira do Governo, a elogiar Rui Rio ou Emmanuel Macron ou a agradecer a Passos Coelho. Mas é como académico com forte ligação às empresas que mais gosta de se projectar. Nessa condição, congratula-se que a economia cresça não pelo consumo como previa o Governo, mas pelo lado da exportação. E lamenta que não se olhe mais “para amanhã” e se faça um esforço maior para travar “o barril de pólvora” da dívida.» [Público]

 Orçamento eleitoralista

Orçamento eleitoralista é um OE com um défice de 1%!

 É o orçamento minha querida!

Assunção Cristas fez a declaração mais acertada sobre o OE 2018, que o governo dá com uma mão e tira com a outra. São assim os orçamentos de um lado têm as despesas e do outro as receitas.

      
 O que é a culpa funcional?
   
«Num texto escrito, "para ser mais breve e mais compreensível", Marcelo Rebelo de Sousa deixou um convite "a uma avaliação dos contornos jurídicos do sucedido quanto ao enquadramento de acções e omissões no conceito de culpa funcional ou de funcionamento anómalo ainda que não personalizado, como sabemos pressuposto de efectivação da responsabilidade civil da Administração Pública".

O Presidente acrescentou que "Portugal tem o dever de proceder a tal avaliação e de forma rápida, atendendo à dimensão expecional dos danos pessoais, a começar no maior e mais pungente que é a perda de tantas vidas".

Marcelo deixou ainda um apelo "à coragem de aproveitarmos por uma vez uma tragédia para mudarmos de vida e rompermos com aquilo que estrutural esteve mal, não minimizando o que correu mal, não tentando fazer de conta que ela foi o que foi, antes mobilizando tudo e todos, mas mesmo todos".» [Público]
   
Parecer:

Marcelo tem aqui matéria para uma aula a dar a todo o país.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 A Maria Luís voltou
   
«O Orçamento do Estado (OE) para 2018 segue "uma estratégia errada, revela falta de visão e falta de ambição para o futuro do país" e representa mais uma "oportunidade perdida" por o Governo não aproveitar  a conjuntura económica favorável para fazer reformas para preparar o futuro. Quem retrata assim a proposta entregue ontem pelo Governo na Assembleia da República é a ex-ministra das Finanças e vice-presidente do PSD, Maria Luís Albuquerque, mas mesma a ideia foi igualmente sublinhada, com boa parte destes termos, pela líder do CDS-PP, Assunção Cristas, este sábado ao fim da manhã.

"Em três orçamentos deste Governo, dois são de desaceleração da economia" destacou a deputada, apontando "o aumento do peso do Estado" no OE2018 como um sinal que preocupa o PSD. E criticou também o facto de haver muitas medidas “faseadas”, que são o reflexo de uma forma “pouco séria de conduzir as políticas económicas e orçamentais”, procurando criar “ilusões” nos eleitores em vésperas de legislativas, como é o caso do pagamento da progressão nas carreiras.» [Público]
   
Parecer:

Alguém tinha de fazer o frete de falar sobre o OE e são cada vez menos os que se aproximam de Passos Coelho.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente.-se o sacrifício a que tem sido sujeita a pobre rapariga.»

 Só faz falta quem está
   
«Convidados para a cerimónia, que se realiza todos os anos, os generais decidiram não comparecer, sendo que alguns deles nem mesmo alegaram compromissos de agenda, ao que apurou o Expresso. Outros pretextaram razões de saúde ou afazeres profissionais. O grosso dos oficiais-generais terá comparecido.

Entre os “faltosos“, encontravam-se os ex-chefes Valença Pinto, Garcia dos Santos e Rocha Vieira, o ex-vice-CEME Campos Gil e ainda os generais Carlos Reis (chefe da Casa Militar de Cavaco), Maia Mascarenhas, Ferreira e Costa e Fragoso Mateus.

Segundo as informações recolhidas pelo Expresso, os generais terão trocado pontos de vista, mas a falta de comparência não resultou de de uma decisão coletiva. A atitude terá tido como objetivo marcar posição face à gestão do “processo de Tancos” pelo atual chefe de Estado-Maior do Exército, general Rovisco Duarte, da qual discordam. Os generais consideram que o facto do assalto em si é gravíssimo, mas o que se seguiu foi ainda pior, ouviu o Expresso.» [Expresso]
   
Parecer:

Até parece que a culpa foi dos civis vizinhos da base.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Da próxima não se convide quem esteve ausente.»