sábado, outubro 25, 2008

Os capitalistas devem estar loucos


Com a crise financeira o disparate anda à solta, governantes, partidos da oposição, comentadores, economias e cidadãos comuns desataram a teorizar sobre o mercado financeiro e a exigir regulação, Num dia o mercado é uma roleta, no outro sabemos que o dinheiro da segurança social andou nessa roleta, num dia garantem-nos que há uma mão invisível e no outro asseguram que os que acreditam na mão invisível confiam no maneta.

Mas afinal o que é o mercado financeiro? Imaginemos que um chinês que trabalha numa fábrica têxtil em regime de cama quente, alimentado pela esperança de vir a ser mais rico do que o Stanley Ho, decide investir as suas poupanças. Se não for viciado no jogo, em vez de apanhar turbo jet para Macau vai à agência do Banco da China e investe num qualquer fundo. Por sua vez, o Banco da China junta todos estes investimentos e vai procurar investimentos na bolsa de Hong Kong, provavelmente reinveste num fundo de investimento de um banco internacional, este vai vender o dinheiro a um banco português que precisa dele para emprestar a crédito ao senhor Silva que pretende comprar um apartamento para a filha. Tanto podia ser o senhor Silva, como o senhor John que vai comprar uma casa em Chicago ou senhor Suarez, um pequeno comerciante da Colômbia.

O mercado financeiro teve a virtude de fazer com que o dinheiro do senhor Chang permitisse à filha do senhor Silva ter casa, porque quem casa quer casinha. O senhor Silva nunca há-de ouvir falar do senhor Chang e ficará eternamente grato ao senhor Ricardo Salgado ou ao banqueiro local que lhe fez o especial favor de emprestar-lhe o dinheiro que vai fazer a felicidade da filha. Nem o senhor Silva, nem o senhor Chang, nem mesmo o senhor Ricardo sabem as voltas que o dinheiro deu, o dinheiro circulou à mesma velocidade com que se acede a uma qualquer página Web.

Se no meio de todo este circuito houver um senhor Ricardo mais maroto e descobrir que pode ganhar muito mais se em vez de ter emprestar apenas ao senhor Silva, desatar a emprestar sem critério e sem se assegurar de que os clientes do banco vão poder pagar o empréstimo, é muito provável que o senhor Chang se venha a arrepender de ter depositado o dinheiro no banco em vez de o estoirar num casino de Macau.

Como vamos regular isto? Se o dinheiro fosse um queijo seria fácil, por cada passagem numa alfândega chamavam-se as autoridades sanitárias competentes, que certificariam a qualidade. Os queijos não poderiam ser armazenados em armazéns manhosos como as off-shores e quando o senhor Silva decidisse banquetear a família com um queijo chinês, acompanhado de um carrascão não haveria problemas. O queijo ostentaria um etiqueta com letras a amarelo assegurando que o produto era proveniente da queijaria do senhor Chang, em Hong Kong, indicaria a data de fabrico, o teor em gordura, o nome do importador português e passaria pelo crivo da ASAE. O senhor Chang receberia o dinheiro e o senhor Silva não teria que ira a correr para o wc mais próximo agarrado às calças.

Só que o dinheiro não são queijos e fazer fluir biliões e biliões de dólares de forma a que o dinheiro de quem poupa chegue a quem dele precise e esteja disposto a remunerá-lo não é coisa para peritos veterinários. O dinheiro não circula com etiquetas nem tem certificação de origem, quando isso suceder voltaremos ao sistema financeiro do século XIX.

É evidente que são necessárias regras, principalmente regras penais para quem vicie as regras do jogo, mas pouco mais se poderá fazer. A actual crise financeira poluiu o mercado financeiro com títulos que agora chamam tóxicos, o mercado está tão poluído como as costas do Alasca quando o Exxon Valdez se afundou devido à irresponsabilidade de um comandante. Vai levar algum tempo para que os danos desapareçam, até que a poluição deixe de se fazer sentir no mercado.

Depois a confiança regressará e o senhor Chang voltará a fazer os seus depósitos, até porque só tem duas alternativas, ou ser roubado pelo banqueiro se depositar o dinheiro no banco, ou pelo mafioso da sua rua se o esconder debaixo do colchão. Só que o senhor Chang descobriu que há leis para meter o mafioso na cadeia, enquanto o banqueiro rouba e ainda recebe um prémio.

Por cá o Lidl queria prender uma cliente por supostamente ter roubado um creme de 3,99, na América os banqueiros que receberam milhões em prémios para tramarem milhões de senhores Chang vão voltar a receber prémios por resolverem a crise dos seus bancos com o dinheiro de milhões de senhores Silvas.

Umas no cravo e outras tantas na ferradura

FOTO JUMENTO

Alfama, Lisboa

IMAGEM DO DIA

[Tiffany Brown / Reuters]

«Las dobles de Palin. Varias participantes de un concurso de dobles de Sarah Palin se preparan tras bambalinas para desfilar en en un club de Las Vegas, EE. UU. Las concursantes tenían que desfilar en biquini y disfrazadas de la candidata republicana a la vicepresidencia estadounidense; el premio eran 10.000 dólares (casi 8.000 euros) y un viaje a Washington para asistir a la ceremonia de investidura de quien resulte elegido presidente.» [20 Minutos]

JUMENTO DO DIA

Paulo Portas

Animado com os resultados das regionais dos Açores Paulo Portas decidiu antecipar as eleições directas para a liderança, surpreendendo qualquer oposição interna. Com as sondagens nacionais a mostrarem um CDS à beira da extinção Paulo Portas aproveita o resultado de umas eleições que representam pouco mais do que as autárquicas de uma cidade e onde as influências locais têm peso suficiente para fazer crescer um pequeno partido e assegura a sobrevivência agora que o PSD poderá crescer à custa dos votos do CDS.

REPATRIAR OS RESTOS MORTAIS DOS MILITARES PORTUGUESES

Não me faz confusão a existência de cemitérios de militares em África, da mesma forma que na Europa estão sepultados muitos milhares de americanos. Mas também é um facto que muitas famílias portuguesas gostariam de fazer um funeral dos seus entes queridos e que sofrem essa ausência porque nunca realizaram o luto dos seus familiares mortos na guerra de África.

Veja-se o que sucede quando um militar morre numa das operações em que as Forças Armadas estão envolvidas, recorre-se a todos os meios para repatriar os restos mortais, não se olhando a meios nem despesas para desta forma agradecer aos familiares dos que deram tudo em nome da política externa do país.

Se o custo de repatriar os militares portugueses mortos em África é de seis a oito milhões de euros como defendem os ex-combatentes não entende porque o razão o Governo não assume desde já esta tarefa.

A QUEDA DOS PREÇOS DAS 'COMMODITIES'

Desta vez os dinheiros dos especuladores não fugiram das bolsas de valores para as de mercadorias, as cotações das matérias-primas estão a cair acentuadamente face ao receio da recessão económica. Se estivesse em causa apenas o petróleo estaríamos perante uma boa notícia, mas a economia de muitos países depende da exportação de matérias-primas e esta queda de preços é uma péssima notícia para os países em desenvolvimento, depois do aumento do custo do crédito e das dificuldades em aceder-lhe as suas receitas estão a cair, reduzindo o seu rendimento e agravando as dificuldades dos seus estados.

Isto pode significar que alguns deves países poderão ter dificuldades em suportar o serviço da dívida e verão reduzida a sua capacidade de importação, duas más notícias também para os países desenvolvidos.

LISBOA VIRA COUVE

«Esta ideia do campo dentro da cidade esconde ainda um tremendo equívoco. O território físico já não é a medida por excelência do espaço de vida. O território actual é expansivo, global e virtual. Uma cidade, um país já não têm limites físicos, estendem-se muito para além das velhas fronteiras agora reduzidas a um mero risco nos mapas de papel. Ribeiro Teles e Sá Fernandes ainda não perceberam que Lisboa já tem muitas hortas. Ficam na Beira Litoral, no Norte do país, em Espanha, na América Latina, no Médio-Oriente. São geridas por profissionais e de grande extensão e intensidade. É daí que nos chegam os produtos alimentares que constituem as reservas da cidade. Pretender fazer coincidir a produção agrícola com o local de consumo é regredir no tempo e nos conceitos. O mundo urbano já absorveu o mundo rural, já o integrou num novo urbanismo do tamanho do planeta, onde nuns locais temos edifícios e enorme concentração de pessoas e noutros vacas a pastar, alfaces a crescer e fábricas agrícolas a colher, embalar e expedir para toda a parte.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Por Leonel Moura.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

QUE PODEREMOS FAZER POR NÓS PRÓPRIOS

«Esta democracia é o que é: um facto lamentável. Os grupos parlamentares, supostamente representantes de todos nós, cada cor seu paladar, obedecem às estratégias das direcções dos partidos, e a consciência da ética republicana, que devia gerir os actos e imperar sobre as conveniências, está quase totalmente aniquilada. Na terça-feira última, José Vítor Malheiros escreveu, no "Público", um notável artigo, "Disciplina de voto, arma de destruição maciça da democracia", no qual põe em causa a natureza peculiar dessa "obediência." É um texto que deveria ser leitura obrigatória dos deputados. Diz: "Todos sabemos que os partidos são indispensáveis à democracia e ninguém – dentro do quadro da democracia – põe isso em causa. Mas os partidos são indispensáveis à democracia porque permitem a corporização das livres opiniões, das diversas correntes de opinião. Os partidos são organizações políticas que reúnem pessoas que professam a mesma doutrina e que visam conquistar e exercer o poder, mas numa democracia a sua existência justifica-se por permitirem reforçar a acção pública dessas pessoas que partilham uma doutrina, não por constituírem um meio de reprimir a acção individual de cada uma dessas pessoas ou de reduzir a variedade de opiniões em confronto na cidade."» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Por Baptista Bastos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

DE QUE FALAMOS QUANDO FALAMOS DE CRISE

«O simultâneo abatimento dos principais responsáveis pelo impressionante surto de expansão económica da última década significa menores ritmos de crescimento futuro. Recordam-se os acontecimentos no Japão desde 1990, com o rebentamento da bolha imobiliária e a refundação do sistema bancário. Até 2007, os preços dos imóveis nipónicos caíram cerca de 60%. Em 1990, a sobrevalorização do mercado imobiliário nipónico atingia níveis próximos dos registados nos EUA em 2006. O mercado imobiliário americano, que vive os primeiros momentos de correcção, poderá não assistir a uma queda tão pronunciada, beneficiando de uma dinâmica populacional mais benigna. Por exemplo, no Reino Unido, a descida de preços imobiliários na década de 90 foi de 25%. Mas ensombra a estabilidade do sector financeiro, que persistirá, enquanto o mercado imobiliário continuar a fornecer incentivos ao incumprimento. Até agora nenhuma medida tomada para evitar o colapso financeiro foi destinada a inverter este fenómeno, que deixa os bancos no limbo. O consumo privado, que representa cerca de 71% do PIB americano (56% na EU), terá de encolher, reconstituindo-se poupança. Sobre os orçamentos das famílias americanas pesa ainda a subida dos preços e das taxas de juro. A pressão sobre o rendimento disponível das famílias também é visível na Europa e no resto do mundo. Embora as famílias europeias estejam menos endividadas, as empresas da UE estão mais endividadas e dependem mais de crédito bancário (cerca de 50% das suas responsabilidades é crédito bancário, contra 30% no caso dos EUA), numa envolvente de acentuadas restrições creditícias. O propulsor do crescimento europeu são as exportações. Efectivamente, o PIB europeu representa 16.1% do PIB mundial (21.3% nos EUA), mas as exportações europeias correspondem a 29.4% das exportações globais (9.6% no caso dos EUA). Olhando para o paradigma de consumo, para a dinâmica populacional e para a dependência das exportações, a Europa configura a possibilidade de um padrão de crescimento nos próximos tempos mais semelhante ao Japão que os EUA, onde a demografia, a mobilidade regional, a flexibilidade de mercados e investimento empresarial menor que o europeu conferem um crescimento potencial superior. » [Jornal de Negócios]

Parecer:

Por Cristina Casalinho.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

FALAR E FALAR

«Manuela Ferreira Leite não percebe por que razão insistem em dizer que ela fala pouco, sobretudo quando Menezes foi corrido porque falava obviamente demais. Comentar as peripécias da pequena política, explica ela, não é com certeza o papel de um chefe de partido. Para isso, existe, por exemplo, o grupo parlamentar e alguma gente com capacidade e prestígio. O chefe do partido só deve falar sobre o que é essencial: sobre a situação financeira, sobre a economia, sobre o empobrecimento do país. Se estiver sempre em cena, numa polémica indiscriminada e obsessiva com o governo, ninguém a ouve. Esta ideia, que se inspira manifestamente no estilo de Cavaco (do Cavaco primeiro-ministro, do Cavaco "exilado" e do Cavaco Presidente), apesar de uma lógica superficial, não passa de um equívoco e não levará Ferreira Leite a parte nenhuma.

A reserva ajuda quem já está no poder, como Cavaco e Sócrates. Não cria poder (mesmo na nossa tradição salazarista). E o que falta a Ferreira Leite é precisamente poder. Por melhor que seja, uma lição sobre o Orçamento estabelece a competência técnica do "professor": não lhe ganha um voto. Os portugueses querem "mudança", como de resto costuma suceder em situações de crise crónica, e esperam do PSD um plano de mudança, geral, realista e, principalmente, inspirador. Manuela não conseguiu até agora inspirar ninguém. As pessoas não lhe negam seriedade, preparação e bom senso. Mas não se reconhecem nela, nem na argumentação esotérica de que ela nunca sai. A linguagem política é uma linguagem simbólica e Ferreira Leite ou a rejeita ou simplesmente não a sabe.

O caso de Santana ilustra esta incompreensão. Durante a campanha, Manuela prometeu não "excluir" nenhum militante. Há pouco tempo, a distrital de Lisboa resolveu propor a candidatura de Santana à câmara e pediu que ela autorizasse esse inconcebível exercício; e ela, fiel à sua palavra, autorizou. Não lhe ocorreu que "excluir" não significava promover ou permitir a promoção de um "inimigo" declarado. Não lhe ocorreu, essencialmente, que o beneplácito a Santana (embora menor e provisório) era um acto simbólico que a desautorizava a ela e comprometia os próprios princípios da sua presidência. Dividia o PSD? Quem não divide não manda: mandar é dividir. Manuela Ferreira Leite não "fala": nem por palavras, nem por actos. Não fala, pelo menos como chefe de partido e como política.» [Público assinantes]

Parecer:

Por Vasco Pulido Valente.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

A DESBUNDA DA GEBALIS

«O MP considerou no despacho de acusação que a actuação dos arguidos, fazendo despesas "sumptuárias", "indevidas", "ilícitas" e "supérfluas", se revelou "particularmente relevante" tanto na "agravação [sic] da situação deficitária da empresa" como na "diminuição da capacidade da mesma para responder às necessidades da comunidade que tem como atribuição servir". Francisco Ribeiro, Clara Costa e Mário Peças "bem sabiam que necessariamente dos gastos que realizavam (...) decorreria um prejuízo particularmente relevante para a empresa e um agravamento do respectivo passivo, como efectivamente aconteceu", lê-se ainda no despacho.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Há gente sem nenhuma vergonha na cara.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Santana Lopes com que critérios escolheu esta gente.»

GENECOLOGISTAS DEVEM TRABALHAR ACOMPANHADOS

«A Ordem dos Médicos (OM) recomenda a todos os clínicos a presença de outros profissionais de saúde durante a realização de exames. Esta norma de 2005 com carácter obrigatório, segundo o bastonário da OM, Pedro Nunes, "não é aplicada porque o serviço público não cumpre as regras". A medida serve para evitar situações de abuso ou assédio sexual, tal como aconteceu com um ginecologista de Faro.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Ridículo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se à OM que proponha a gravação das consultas, o problema depois é saber quem guarda as gravações.»

RESTOS MORTAIS DE MILITARES SÃO USADOS PARA MAGIA NEGRA EM ÁFRICA

«Entre seis a oito milhões de euros é quanto custará a trasladação dos restos mortais de 3026 ex-combatentes que permanecem em cemitérios de Moçambique, Angola e Guiné-Bissau desde a Guerra Colonial, alguns dos quais são alvo de práticas de magia negra e outro tipo de abusos, denunciou ontem o Movimento Cívico de Antigos Combatentes.

"Em cima de um cemitério na Guiné foram construídas casas e num outro, em Angola, realizam-se sessões de magia negra. Há campas que estão a ser vandalizadas, retirando ossadas de militares portugueses para venderem como troféus na feira. É algo inacreditável", afirmou ontem ao DN José Nascimento Rodrigues, daquele movimento que defende o repatriamento » [Diário de Notícias]

Parecer:

A despesa não é assim tão grande.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se a repatriação dos restos mortais dos militares portugueses.»

PREÇO DAS 'COMMODITIES" ESTÁ EM QUEDA LIVRE

«O preço das "commodities" está em queda livre. O petróleo está perto de registar a quarta semana consecutiva de quedas, e já negoceia abaixo dos 63 dólares no mercado londrino. O ouro, o cobre e o chumbo estão a registar as maiores quedas das últimas duas décadas, devido ao agravamento da situação económica mundial, e consequente quebra da procura de matérias-primas. O índice S&P GSCI, que reúne 24 matérias-primas, já perdeu mais de 11% na última semana, devido às fortes quedas do preço do petróleo, do ouro, do cobre e do chumbo. O preço do petróleo está perto de registar a quarta semana consecutiva de quedas, apesar da OPEP ter anunciado, hoje, um corte da produção de 1,5 milhões de barris por dia.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Aparentemente favorável à recuperação económica esta queda de preços das matérias-primas pode ter efeitos perversos, designadamente para os países mais pobres cujas exportações dependem destes produtos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pela estabilização dos preços.»

O FILME "KIDS" FOI EXIBIDO NUMA AULA DE RELIGIÃO E MORAL

«A exibição de um filme com conteúdos sexuais numa aula de Religião e Moral levou os pais de um aluno da escola Joaquim de Carvalho, Figueira da Foz, a anular a inscrição na disciplina e a fazer uma participação à Direcção Regional de Educação do Centro. Veja um excerto (contém linguagem potencialmente chocante).

O caso ocorreu há cerca de duas semanas numa turma do nono ano estabelecimento de ensino e culminou numa participação do sucedido à Direcção Regional de Educação do Centro (DREC) por parte dos pais de um dos dois alunos da disciplina que contestaram a conduta do docente.» [Jornal de Notícias]

Parecer:

O professor deveria ter respeitado a idade mínima estabelecida para o filme.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Desvalorize-se o incidente e pergunte-se ao professor que não quer ministrar outra disciplina.»

MAIS UMA MANIF

«A Frente Comum dos sindicatos da Administração Pública vai realizar uma manifestação nacional a 21 de Novembro, contra os aumentos salariais de 2,9% propostos pelo Governo para 2009.

Segundo a dirigente sindical Ana Avoila, a Frente Comum "não aceita os argumentos do Governo" para insistir no aumento de 2,9% nos salários tendo por base uma previsão de inflação de 2,5%. » [Jornal de Notícias]

Parecer:

Trata-se de mais uma encenação de Jerónimo de Sousa, mesmo que Sócrates tivesse prometido um aumento de 10% o líder do PCP descobriria um qualquer motivo para manter a sua agenda política oportunista, feita à custa dos funcionários públicos, nem que fosse o excesso de burocracia, como está a suceder com os professores.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Acompanhe-se a manif para verificar se os manifestantes são funcionários públicos ou os habituais figurinos do PCP.»

A FLATULÊNCIA AJUDA A BAIXAR A TENSÃO ARTERIAL

«La hipertensión se puede prevenir gracias a los malos olores que se deprenden en el momento de tirarse pedos. Lo dice un estudio publicado en LiveScience.com que revela cómo el cuerpo humano puede controlar su presión sanguínea gracias a una ventosidad.

Al parecer, los investigadores han trabajado con ratones y han descubierto que, cuando el animal expulsa gases, las células que rodean los vasos sanguíneos mantienen la presión de la sangre en un nivel muy bajo.» [20 Minutos]

A CULPA É DO JET-LAG

«Bostezo mundial. Cansancio de algunos de los asistentes a la VII Cumbre Asia-Europa (ASEM) celebrada en el Gran Palacio del Pueblo en Pekín. Son el primer ministro italiano, Silvio Berlusconi; el presidente de Gobierno español, José Luis Rodríguez Zapate; la canciller alemana, Angela Merkel; el primer ministro japonés, Taro Aso; el primer ministro polaco, Donald Tusk; su homólogo irlandés; Brian Cowen; el canciller austríaco, Alfred Gusenbauer, y el primer ministro de Eslovenia, Danilo Turk. Entre los temas que se tratarán está la crisis financiera global.» [20 Minutos]

O JUMENTO NOS OUTROS BLOGUES

  1. O "Planetas Politik " e o "Macroscópio" gostaram de ver Obama e McCain Dançar.
  2. O "Barreiro Velho" meteu O Jumento na lista dos contra.
  3. Mais um Dardo, desta vez do "Direito de Opinião". Por este andar fico com mais chagas do que o Pedro Santana Lopes.
  4. O "Cartoonices" queixa-se de um elevado número de visitas vindas deste palheiro. Ainda bem é para isso que serve a lista de links, para promover a blogosfera.

A SARAH PALIN DE OUTROS TEMPOS [The New York Times]

SPACE SHUTTLE ENDEAVOUR [Flickr]

DIMITRIY SARNIKOV

SPORTINGUISTA?

À VENDA NA INTERNET [Link]

SEMOS: PHOTOSHOP LESSONS

sexta-feira, outubro 24, 2008

Um país de pobres


Não sei porque tanta gente fica incomodada na hora em que são publicados os estudos que mostram que as desigualdades aumentam em Portugal, o nosso modelo económico está “viciado” em pobreza, gera pobreza quando cresce e volta a gerar quando entra em recessão. E o problema não está nos salários ou na ausência de uma política de redistribuição de rendimentos, ainda que em alguns sectores mais modernos da economia, como é o caso do sector financeiro, essa questão possa ser colocada.

Uma parte muito significativa do nosso sector privado faz depender a sua competitividade nos baixos salários, praticando uma política de preguiça nos modelos de gestão ou no investimento tecnológico. A má qualidade do ensino e a falta de qualificação profissional enquadra-se neste modelo, isso explica que uma boa parte da mão-de-obra qualificada, com destaque para os recém-licenciados tendam a emigrar. Dantes eram os trabalhadores menos qualificados que eram “exportados” quando havia excesso de mão-de-obra, agora são os mais qualificados que fogem da nossa economia.

Este modelo económico gera riqueza “preguiçosa”, pouco propensa a procurar investimentos de risco ou com resultados a médio e longo prazo, prefere a especulação financeira, vai directamente para as mãos dos gestores de fortunas dos bancos ou, na melhor das hipóteses, investe em sectores especulativos, como é o caso do sector imobiliário.

O padrão de consumo gerado pelas assimetrias na distribuição do rendimento favorece o consumo de bens importado o que resulta no minguar do mercado interno, o baixo poder aquisitivo da maioria dos portugueses leva a que o nosso mercado não tenha dimensão crítica que favoreça o investimento, as nossas empresas não encontram mercado que sustente a sua internacionalização.

Por tudo isto o aumento do rendimento dos portugueses e o combate à pobreza não deve ser considerado apenas um objectivo que acaba disfarçado por médias estatísticas. Estas médias estatísticas disfarçam a realidade, o nosso número de pobres é superior ao que resulta desses indicadores, os nossos ricos são mais ricos que os dos outros países.

O aumento do rendimento dos portugueses deve sim ser um objectivo central de uma política económica que vise o crescimento e o desenvolvimento económico. Para isso é preciso apostar no investimento público gerador de emprego qualificados, aumentar a competitividade nos mercados, combater a evasão fiscal, gerir os apoios públicos às empresas em função da qualificação e da remuneração dos seus trabalhadores, em suma, apoiar a economia que gera bom emprego.

Um país de pobres nunca será um país rico. Os países ricos são aqueles onde os trabalhadores são mais qualificados e melhor remunerados. Os países mais competitivos não são os que pagam menos aos trabalhadores, são aqueles que têm maior mercado interno e onde existe uma forte concorrência entre empresas. De pouco nos vale, por exemplo, que Belmiro de Azevedo crie muito emprego, se uma boa parte desse emprego são repositores de supermercado ou raparigas do shopping.

Umas no cravo e outras tantas na ferradura

FOTO JUMENTO

Trabalhando na Rua Augusta, Lisboa

IMAGEM DO DIA

[Jason Lee / Reuters]

«Soldado chino durante la ceremonia de recepción del presidente de Polonia, Donald Tusk, en Pekín. Es uno de los mandatarios invitados a la Cumbre Asia-Europa.» [20 Minutos]

JUMENTO DO DIA

Teixeira dos Santos, ministro das Finanças

Um dia destes o ministros das Finanças ainda se vai lembrar de alterar a lei do financiamento dos partidos através de uma alteração ao código do iva.

NO AVANTE DESTA SEMANA

Dois momentos de hipocrisia, um dedicado a uma saondagem

«Há dias veio a público uma sondagem acerca das ainda longínquas eleições legislativas, assinada pela Universidade Católica (ou seja, o Patriarcado) apoiada nos seus pivots do costume. Num mundo em mudança e em plena crise, não lembra ao diabo fazer previsões a um ano de prazo. Tanto mais que o título que encima a notícia é categórico: «Maioria absoluta ao alcance do PS». Depois, os dados da sondagem são puramente delirantes. Sem qualquer base científica, o inquérito assegura que o PS obterá 41% dos votos e que o eleitorado português se comportará como seu súbdito fiel! Contra tudo e contra todos, a UCP procura projectar a imagem dos seus próprios anseios. Fala das legislativas de olhos postos nas autárquicas. Para instalar nas mentes dos cidadãos a ideia de que é inútil votar a favor da mudança agora, visto que depois tudo voltará à mesma.»

E outro dedicado ao Banco Alimentar contra a Fome:

«Pena é que o espaço falte. Mas podíamos, para terminar, falar de raspão no caso do Banco Alimentar Contra a Fome, exemplo de uma IPSS «desinteressada» e católica. A organização afirma a finalidade de apenas servir os pobres. Recebe do Estado contribuições sob a forma de subsídios. Das grandes empresas, donativos e parte do excesso dos seus stoks. Do cidadão comum, aquilo que ele lhe puder oferecer. O Banco Alimentar orienta a sua actuação pelo princípio da conciliação de classes. É benéfica para o cidadão porque aplaca a revolta moral que a miséria lhe pode causar e lhe dá uma esmola. É positiva para as empresas, visto que escoa os seus excedentes e concorre para lhes aumentar as vendas. E é necessária ao Governo e à Igreja, dado que se substitui à acção social do Estado democrático, funciona com base no voluntariado e distribui as suas recolhas a partir de instituições piedosas tais como os centros paroquiais, as conferências vicentinas, as congregações e fundações católicas, as comunidades locais, as ATL, os lares de idosos, etc.»

A verdade e os pobres são propriedade privada do PCP, um partido liderado pela pequena burguesia citadina e com o armário cheio de mentiras. Como não podia deixar de ser o PCP quer que os pobres além de o serem passem muita fominha para que as "boas" sondagens o coloquem em boa posição.

Só é pena que o PCP só tenha coragem para dizer estas coisas em páginas escondidas do Avante, um jornal que serve apenas para intoxicação ideológica dos seus militantes.

A MENTIRA DOS MERCADOS DESREGULADOS

«Descobre-se que, até agora (isto é, antes da crise dos mercados financeiros), se vivia um capitalismo selvagem desregulado de inspiração neoliberal, ou, na expressão patusca do Dr. Mário Soares, uma economia de casino e de "off-shores". Infelizmente isso é uma mentira, e que por mais repetida que seja continua a ser uma mentira.

Nunca a economia esteve tão regulada e regulamentada como nos últimos dez anos. Nunca houve tanta legislação técnica, tanta burocracia, tanta regulamentação, tantas e múltiplas agências administrativas e regulatórias, tanta intervenção do mundo político na organização dos mercados. Estado regulador existe e bem forte. Em Portugal, na União Europeia (basta ver o conteúdo quase exclusivamente regulador das directivas e dos regulamentos), e não menos nos Estados Unidos. O problema não é, nem nunca foi, de falta de regulação dos mercados, mas de uma má regulação desde o ponto de vista do interesse público.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Por Nuno Garoupa.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

DO COLAPSO FINANCEIRO À DEPRESSÃO GLOBAL?

«A crise foi provocada pela maior bolha do crédito e pela maior bolha de activos alavancados de que há registo na História. A alavancagem e as bolhas não se restringiram ao mercado imobiliário norte-americano, tendo também sido uma característica dos mercados imobiliários de outros países. Por outro lado, além do mercado imobiliário, houve uma excessiva concessão de empréstimos por parte das instituições financeiras e de alguns segmentos dos sectores empresarial e público em muitas economias. Consequentemente, estão agora a estoirar em simultâneo várias bolhas: a do imobiliário, a das hipotecas, a das acções, a das obrigações, a do crédito, a das matérias-primas e a dos fundos de cobertura de risco. » [Jornal de Negócios]

Parecer:

Por Nouriel Roubini.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

FUNCIONÁRIOS LICENCIADOS SÃO PRISIONEIROS DO ESTADO

«O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, assinou um despacho, a ser publicado na próxima semana, que define as carreiras onde os funcionários públicos podem sair voluntariamente do Estado, deixando de fora todos os trabalhadores que possuam um grau académico, que não podem pedir a passagem voluntária para o quadro de mobilidade especial. Os sindicatos contestam a medida, que consideram ser "um ataque aos trabalhadores da Função Pública". » [Correio da Manhã]

Parecer:

Já esperava.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Informe-se o ministro do ridículo da situação.»

DISSIDENTE CHINÊS RECEBE PRÉMIO SAKHAROV

«El disidente chino Hu Jia, conocido y encarcelado por sus denuncias de los abusos del régimen chino sobre todo a través de Internet, ha sido galardonado con el premio Sajarov 2008, pese a las presiones ejercidas por Pekín sobre el Parlamento Europeo, la institución que concede el galardón. El Sajarov premia cada año a personalidades destacadas en la lucha por la libertad y los derechos humanos.» [El Pais]

A EXTREMA-DIREITA JÁ NÃO É O QUE ERA

«Stefan Petzner había sido nombrado presidente del partido de ultraderecha nada más morirse Haider en un accidente de tráfico tras haber estado bebiendo alcohol en un local de ambiente gay.

Petzner se habría sincerado a la prensa austriaca sobre su affaire con Haider. "Era el hombre de mi vida. Nuetra relación iba más allá de la amistad" dijo, para añadir que la mujer de Haider, Claudia, "no se oponía" a su relación.» [20 Minutos]

Parecer:

No melhor pano cai a "nódoa".

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Como será por cá?»

O JUMENTO NOS OUTROS BLOGUES

  1. O "Anti-Tretas" destaca o post dedicado às dúvidas sobre as legislativas de 2009.
  2. O "De tudo um pouco ou..." gostou da imagem do dia.
  3. O "Porto das Pipas" recomenda O Jumento.
  4. "A Funda São" descobriu uns preservativos personalizados.
  5. Mais uns prémios "Dardos", desta vez do "Click Portugal" e do "PS Lumiar".
  6. O "Cu-Cu" e o "Toda a mulher adora receber flores" gostaram da fotografia de Larissa80.
  7. O "Manuelinhod´évora" gostou do exemplo que nos foi dado no Japão.

KAREN OLIVER

WHO'S NAILIN PAYLIN?

OBAMA, McCAIN E PALIN DANÇANDO

KIEV MAFIA ROLE