segunda-feira, junho 27, 2016

28-1=29

“A zona do euro são 19 países, eu espero que a Grécia não saia, mas se sair ficam 18 países. Quanto a isso eu não tenho dúvidas, mas é bom não especular” (Cavaco Silva)

Cavaco é uma personagem de um passado sombrio e muitos já se esqueceram do seu comentário a propósito de uma eventual saída da Grécia da zona Euro. Dizia essa pobre alma que se a Grécia saísse da zona euro esta deixaria de ter 19 membros para passar a ter 17.

Era assim a aritmética fria, calculista e provinciana de uma direita que transformou este país num país graxista que me envergonhou, um país que tentou beneficiar da desgraça alheia e que levou alguns dos nossos governantes a tudo fazerem para que a Grécia fosse tramada na negociações europeias.

Quis os destino que estes germanófilos em part-time estejam agora a ver sair o Reino Unido da União Europeia, conduzida por um partido pertencente à internacional europeia da direita. Agora já não fazem exercícios de aritmética e é pena pois com a muito provável independência da Escócia e uma eventual saída da Irlanda do Norte há uma grande probabilidade de termos um problema de aritmética para resolver, neste caso quem de 28 tira um fica com 29.


Imagino o professor Cavaco nas sua xanatas a caminho da Praia dos Tomates a meditar com a sua D. Maria que os tempos já não são outros e nem na aritmética podemos confiar.

sábado, junho 25, 2016

O Reino que deixou de ser Unido

Quando ouvi o Nigel Farage apelar à desunião na Europa e a festejar o fim da EU e dei comigo a pensar que o homem devia estar bêbado. Ainda por cima é a extrema-direita Europeia, o Trump e o ISIS que festejaram o Brexit e não é difícil de imaginar que no dia daquilo a que ele chamou de independência é bem provável que seja ele próprio a ser pendurado na Torre de Londres.
  
A Comunidade Britânica e, em particular, os países mais pobres estão demasiado habituados às ajudas europeias e aos regimes pautais preferenciais para abandonarem tudo isto e irem a correr ajudar os pensionistas britânicos, tanto mais que a xenofobia e o racismo implícito em muitos dos votos no Brexit não deve ser muito do agrado do pessoal dessas bandas.
  
Em poucos dias os irlandeses poderão conseguir o que não conseguiram com tantos atentados e manifestações, o Brexit é um convite à reunificação da Irlanda. É mais do que evidente que a Escócia e o seu crude do Mar do Norte vão dizer Bye aos bifes ingleses e muitas das empresas que ameaçaram abandonar aquele país se saísse do Reino Unido vão agora dizer que abandonam Londres no dia em que a Escócia for independente.

Resta uma Inglaterra e um país de Gales dividido, uma rainha que não confia no filho e um filho que casou com a égua mais feia da cavalariça. Contou e isso significa que alguém fez constar que a rainha pediu três muito boas razões para o Reino Unido ficar na União. Pobre senhor, vai dedicar uma boa parte do seu reinado a contar essas razões e pode começar pela queda da Libra.
  
A rainha dificilmente vai conseguir unir a população de Londre que votou por in com os rurais que votaram out, os trabalhadores qualificados que não têm medo dos emigrantes com os trabalhadores não qualificados que querem sair, os jovens que queriam horizontes com os velhos sem esperança, sem horizontes e egoístas. Não estarei muito longe da verdade se disser que os republicanos queriam ficar e que os monárquicos mais conservadores queriam sair.

O que sobre do Brexit é um Reino que deixou de ser Unido, pior ainda um reino que vai entrar numa profunda crise interna com as forças mais dinâmicas e democráticas a sujeitarem-se à extrema-direita e aos iletrados e é deste reino que Isabel II reina. Razão tinha o filho quando queria ser o penso higiénico da Camilla, neste caso seria uma forma muito original de meter a cabeça no buraco como faz a avestruz.
 

sexta-feira, junho 24, 2016

O muro de Berlim reemergiu para dividir o Reino que era Unido

A história prega-nos destas partidas, a queda do mudo de Berlim alterou tanto a Europa que acaba por conduzir à saída do Reino Unido e o muro que divida a Alemanha parece ter reemergido para dividir novamente a Europa e o Reino Unido. A Europa não volta a ser a mesma, enquanto a gloriosa Grã-Bretanha dá mais um passo no sentido de uma decadência iniciada com a Grande Guerra, perdido o império, perde a influência na Europa e acaba por se dividir.

Se na França o PCF perdeu muitos dos seus eleitores para a extrema-direita, no Reino Unido os sindicatos que servem e suporte ao Labour aproximaram-se das teses xenófobas e proteccionistas da extrema direita escondida atrás do eurocepticismo. Não admira que Nigel Farage tenha aproveitado a sua proclamação como líder dos ingleses para apelar à destruição da União Europeia e ao apoio aos partidos da extrema-direita.

Os processos negociais não vão ser fáceis e com a extrema-direita a transformar o Labour e o Partido Conservador em fanicos avizinham-se roturas não só internas, mas principalmente nos processos negociais, quer os da separação, quer os do TTIP. O discurso de vitória de Nigel Farage, hoje de manhã, lembrou o discurso de Yeltsin em cima de um tanque, junto à Duma. Por lá a Rússia desmoronou-se com um líder bêbado, no Reino Unido vamos ter um primeiro-ministro que fala como se fosse um treinador de futebol.
  
Nem mesmo a Commonwealth ficará unida em torno da velha e Grande Albion, países como a Austrália, o Canadá ou a Nova Zelândia beneficiaram muito com as negociações da adesão do Reino Unido à CEE pois muitas das relações comerciais privilegiadas que mantinham com o Reino Unido passaram a ter com a CEE. Por outro lado, uma boa parte da Commonwealth beneficia de vantagens concedidos no quadro dos vários acordos preferenciais, como é o caso dos SPG e principalmente dos ACP. 

É quase certo que o muro que desapareceu em Berlim vai separar a Escócia da Inglaterra e Gales e não seria de admirar se um dia destes acordarmos com a Irlanda reunificada. Os ingleses sonham com as velhas glórias e um dia destes vão acabar reduzidos a Inglaterra e Gales, mais pobres e, depois de terem corrido com os emigrantes, a terem de limpar a caca que fazem e liderados por um rei que em tempos tinha por desejo ser o penso higiénico da Camilla Parker Boyles.

Na Europa veremos se a Alemanha declara Berlim como a capital do IV Reich ou se volta a ter a posição mais humilde dos tempos em que precisava dos que a defendiam no Atlântico e no Mediterrâneo e volta a apostar no eixo franco-alemão. Veremos quais as consequências políticas e militares de uma separação com uma Inglaterra que parece não estar a resistir ao perfume da extrema-direita.

Por cá será interessante ver como reage a direita e, principalmente, a extrema-direita fina dos Portas, Passos, Luísas, Cristas e Morgados. É uma direita com um grave problema de bipolarismo, de dia são machos e à noite anda a passear pelo Parque, de dia são social-democratas e à noite confessam-se admiradores de Salazar. No passado foram gemanófilos quando Hitler estava em vantagem e transformaram-se em atlantistas quando os aliados ganharam a guerra. Recentemente lamberam os pés ao Wolfgang Schäuble, veremos como se posicionam agora que estão divididos entre o dinheiro alemão (dantes a gula era o ouro dos judeus) e o tal atlantismo de que tanto falam. Veremos até quando esta direita que é europeísta de dia e eurocéptica à noite assume o seu projecto político em vez de se esconder atrás de siglas como o “social-democracia sempre”. 
 

Umas no cravo e outras na ferradura



  
 Jumento do dia
    
Paulo Portas, Apreciador da marca Jaguar

Depois de uma vida a viver do dinheiro dos contribuintes Portas diz que não farão dele funcionário público à força, como se ser funcionário fosse algum castigo ou a redução de alguém a uma pouca de merda. Portas que fique descansado, ser funcionário público não é andar por aí à noite a escolher palácios, comprar submarinos com negócios que dão lugar a suspeitas de corrupção, ajudar a internacionalizar empresas em mercados em que a regra é a corrupção.

Aproveito para dizer que ainda bem que não o vou ter como colega, se assim fosse diria como gosta de dizer os militares que "colegas são as putas".

«No final, Portas aceitou dar a primeira entrevista depois de ter deixado a política e falou à SÁBADO sobre o balanço do trabalho realizado no país de Fidel e Raúl Castro, das oportunidades em perspectiva para as empresas portuguesas, da opção de ter aceite ir trabalhar para a Mota Engil e das críticas que sofreu por isso.

"Por mais que quisessem, não vão fazer de mim funcionário público à força", reage Paulo Portas.» [Sábado]

      
 É o ver se te avias nos portos
   
«Há concessionárias dos portos portugueses que estão a ganhar muito mais do que seria aceitável para o interesse público. A conclusão resulta de uma auditoria do Tribunal de Contas à gestão dos contratos de concessão assinados entre as administrações portuárias e as respetivas empresas concessionárias, divulgada esta quinta-feira.

(…) Os contratos de concessão examinados não apresentam mecanismos de partilha de benefícios financeiros com o concedente, registando-se, em algumas concessões, rendimentos excessivos, em termos de rentabilidade acionista, o que não se afigura razoável à luz do interesse público”, lê-se no documento.
A única exceção feita pelos juízes é o contrato de concessão do Terminal de Contentores de Alcântara, onde estas falhas não foram identificadas.

No relatório, o Tribunal de Contas destaca a concessão do Terminal Multiusos Zona 1, da Administração dos Portos de Setúbal e de Sesimbra. Em 2013, este contrato permitiu à concessionária uma taxa interna de rentabilidade efetiva de 38%, “percentagem que não é aceitável à luz do atual quadro económico e financeiro do país”, defendem os juízes.» [Observador]
   
Parecer:

É óbvio que nada disto sucedeu por engano.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Corrija-se.»
  
 Auditoria independente à CGD?
   
«O Governo incumbiu hoje a nova administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD) de fazer uma "auditoria independente" aos atos de gestão do banco "praticados a partir de 2000".

O anúncio foi feito no comunicado que se seguiu à reunião do Conselho de Ministros de hoje. O ministro das Finanças, Mário Centeno, explicou esta opção em conferência de imprensa. "A Caixa não pode ser um instrumento partidário", justificou o ministro explicando que o período abrangido pela auditoria é aquele que parece ter interesse político. Uma referência feita à imposição feita pelo PSD e pelo CDS para a criação da comissão de inquérito.» [DN]
   
Parecer:

Estando em causa a sob revivência de um banco público e recursos dos cidadãos faria mais sentido uma auditoria forense.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

quinta-feira, junho 23, 2016

Banqueiros

Estes senhores usaram as poupanças e os créditos concedidos aos seus clientes de menores recursos para iludir os rácios e esconder os créditos duvidosos que estavam a conceder a amigos ou o financiamento dos seus grupos empresariais mal geridos.
  
Estes senhores usaram os recursos financeiros resultantes das poupanças do país e a sua capacidade financeira para financiar empresas menos competitivas e dedicadas a negócios oportunistas, penalizando os empresários mais competitivos, impedindo a renovação da classe empresarial.

Estes senhores promoveram o lado escuro da economia asfixiando financeiramente os projetos que poderiam tornar a economia competitiva, promoveram o lado escuroi da economia favorecendo os grupos empresariais menos competitivos e que se dedicavam aos negócios mais oportunistas.
  
Estes senhores usaram o poder que tinham para fazer favores a políticos, jornalistas e a todos os que lhe podiam ser úteis, financiaram-lhes a boa vida, deram-lhes dinheiro para as suas campanhas, viagens e igreja, empregaram-lhes a família, decidiram muitas nomeações no Estado e a escolha de muitos políticos, transformaram as instituições portuguesas em poderosas máquinas corruptas ao serviço dos seus interesses.

Estes senhores usaram os recursos financeiros que tiveram ao seu dispor para conseguir lucros fáceis, preferiram o consumo ao capital de risco, os amigos aos novos empresários, distorceram a economia e os seus mercados em seu benefício, transformaram uma economia que produzia numa economia que passou a consumir a crédito.

Na hora das dificuldades estes senhores recorreram a uma jornalista e a políticos amigos para que a troika os ajudasse a promover a maior trasfega de riqueza de que há memória em Portugal, em nome da competitividade e do ajustamento os recursos de quem trabalha foram desviados, sob a forma de cortes ou de impostos, para refinanciar a banca.
  
Estes senhores são os grandes responsáveis pelo drama que este país atravessa e deviam ser banidos da vida pública portuguesa e estão com muita sorte, noutras circunstâncias teriam respondido pelos seus crimes e, muito provavelmente, nem tão cedo veriam a luz do dia, nem eles, nem os e as jornalistas que estiveram ao seu serviço ou os políticos de que se serviram.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do dia
    
Maria Luís, boateira profissional

Agoira temos uma ex-ministra especializada em dar conta de rumores sobre o futuro dos bancos portugueses, o que diz muito sobre o nível desta senhora. É uma vergonha ver uma ex-ministra a lançar boatos num domínio tão sensível como a banca. Enfim, mas é o que temos, a senhora é pequenina e nada podemos fazer.

«A vice-presidente do PSD, Maria Luís Alquerque, fala, num artigo de opinião publicado no Jornal de Negócios, nos “rumores” que existem, em Portugal e em Bruxelas, de que o Governo pretende integrar o Novo Banco na Caixa Geral de Depósitos (CGD) e lança algumas questões, sugerindo que esta integração poderá estar na origem da necessidade de recapitalização da CGD, no valor de quatro mil milhões de euros.

Por cá e em Bruxelas comenta-se que o Governo tenciona integrar o Novo Banco na CGD. E há rumores de que uma recusa de Bruxelas poderia fazer cair o Executivo”, refere a ex-ministra das finanças, acrescentando que “normalmente não há fumo sem fogo…”
E a propósito do “fumo”, lança algumas questões:”O Novo Banco não é público, não pertence ao mesmo dono que a CGD. Seria comprado? A que preço? Seria nacionalizado? Com ou sem indemnização? Será que é intenção do Governo fazer recair o custo da resolução do BES sobre os contribuintes, quando a forma como o processo foi conduzido se destinou precisamente a protegê-los?”.» [Jornal de Negócios]

 Uma vergonha para quem é de VRSA

Na minha terra o xixi parece que continua a ir para o Rio Guadiana e por isso  Tribunal de Justiça da UE condena Portugal, além do pagamento da quantia fixa de três milhões de euros, a uma sanção pecuniária compulsória de 8.000 euros por dia de atraso no cumprimento da directiva relativa ao tratamento das águas residuais urbanas.

Agora começo a perceber o motivo da instalação de parquímetros em Vila Real de Santo António, depois de gastar o dinheiro dos contribuintes com tratamento das cataratas de velhinhos em Cuba o estacionamento deve ser para pagar a multa decida pelo acórdão do Tribunal.