segunda-feira, setembro 26, 2016

É possível reduzir a evasão fiscal a mínimos históricos

São milhares de pequenos negócios onde não emite factura, como não têm como justificar as compras ou os ordenados compram uma boa parte dos produtos sem factura, os empregados declaram ordenados mínimos ou nem sequer beneficiam de ordenados declarados, alguns até podem rodar entre o emprego e o desemprego, onerando a Segurança Social com subsídios de desemprego. 

Gota a gota são muitos milhões de euros eu alimentam pequenas ribeiras e estas vão alimentar rios de dinheiro não declarado que alimenta uma economia sem impostos. São milhares de empregos eu a Segurança Social desconhece, são contribuições sociais, IRS, IRC e IVA eu ficam por pagar. São milhares de trabalhadores e de patrões que Ajudam o país a viver permanentemente em crise e que usam as estruturas pagam pelos outros, usam as estradas que pagamos, são internados nos hospitais que pagamos, os seus filhos andam nas escolas que pagamos.
  
O prejuízo que provocam ao país não se fica pelas receitas fiscais e contributivas que ficam por pagar, fazem concorrência desleal às empresas que cumprem com as obrigações. Prejudicam os outros empresários e trabalhadores, roubam-lhes mercado e pressionam no sentido de salários baixos nas empresas que por cumprirem não conseguem concorrer com empresas com custos muito inferiores.

Na evasão fiscal não há esquerda nem direita, ricos ou pobres, quem não cumpre com as obrigações fiscais está prejudicando outros patrões e outros trabalhadores, destruindo empresas que cumprem e praticam salários mais elevado, destroem a economia boa e ajudam o país a ficar nas mãos das instituições internacionais. Patrões ou trabalhadores, ricos ou pobres, de direita ou de esquerda são marginais da economia, são uma praga a combater.

Nunca como hoje o país dispôs das condições para combater a evasão fiscal reduzindo-a a níveis mínimos e não é preciso recorrer a super-poderes policiais. Basta que haja vontade política, que o país invista meia “dúzia de milhões” que renderão centenas de milhões, que dê a volta ao fisco de que este carece. Os resultados dos últimos anos revelam que o combate à evasão fiscal e a modernização de procedimentos como os da cobrança gera mais receitas do que os impostos da Mortágua.

O combate à evasão fiscal não se faz com debates ideológicos e com mais ou menos impostos, faz-se com competência, sem capelinhas institucionais, com uma cultura moderna e com vontade e competência política. Se alguns pagam impostos acima do que podem não é só porque uns quantos ricos não os pagam, é porque muitos milhares de portugueses, desde o homem das bolinhas de Berlim ao grande empresário da construção civil, não pagam o que devem.



Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Catarina Martins

Quem ouve Catarina Martins fica sem perceber se ela é a nova líder do proletariado, o que na perspectiva, uma espécie de filha de Lenine que este mandou à terra, se é líder do PS, se é primeira-ministra, se é ministra das Finanças ou se lidera a oposição. O frenesim mediático da líder do BE, no que é auxiliada por Mariana Mortágua, permite-lhe abordar todos os papeis em poucas horas.

Depois de uma semana em que passou a imagem da líder comunista que odeia quem consiga poupar cinco tostões depois de feito o avio no supermercado, optou agora por ser a amiga dos menos pobres e quem a ouve até acha que é a ela que os rendimentos mais elevados vão ter de agradecer o fim da sobretaxa.

Acontece que há um ano estes ficaram desiludidos pois tiveram mais um ano de austeridade apoiado por Catarina Martins, que na ocasião tinha as suas antenas eleitorais viradas para os que menos declaram para efeitos de IRS.

«Catarina Martins, que se juntou em Torres Novas à "Marcha pelo Tejo" promovida pelas Distritais do Bloco de Esquerda de Castelo Branco, Portalegre e Santarém, confessou a sua "surpresa" pela "não notícia" que hoje fez manchete no semanário Expresso.

"Confesso a minha surpresa. Em alguns dias somos acusados de atacar a classe média, a classe média baixa. Hoje pelos vistos o problema é ao contrário", disse, classificando de "não notícia" a manchete do Expresso que afirma que os "rendimentos altos vão pagar menos IRS".

"Há uma lei para acabar com a sobretaxa de IRS, que foi uma medida injusta sobre salários e sobre pensões e como sabem o acordo que foi feito com o PS, e para o BE isso foi importante, é que as primeiras pessoas a ficarem sem sobretaxa fossem as dos rendimentos mais baixos e portanto em 2016 a sobretaxa acabou para quem tem salários e pensões mais baixas", disse.

Catarina Martins afirmou que acabar com a sobretaxa resulta do "compromisso assumido antes das eleições por todos os partidos, da esquerda à direita", lembrando que a medida "fez parte do gigantesco aumento de impostos de Vítor Gaspar sobre os salários".» [MSN]

 Ana Gomes e Sócrates

Quando vejo personalidades públicas tecerem considerações sobre alguém com base em peças processuais tornadas públicas por forças estranhas que violam o segredo de justiça ou as publicam designando um comportamento criminoso como um exercício de liberdade de expressão sinto nojo.

Tenho um princípio de que não prescindo para além do elementar princípio da presunção da inocência, não formulo opiniões acerca de ninguém com base em informações vindas da polícia, seja da polícia com farda ou da polícia com toga, sejam polícias formados nas escolas de polícias, sejam polícias mais finos formados no Centro de Estudos Judiciários. Pode ser uma opção errada na opinião de muitos que vejo por aí, mas é a minha, só formula opinião depois de as vítimas da difamação se poderem defender segundo regras.

A acusação tem duas fases a investigação e o julgamento, na primeira os polícias acusam socorrendo-se dos meios legais e ás vezes de meios menos legais. Na segunda o acusado tem a oportunidade de se defender e os tais polícias deixam de ter a liberdade de dar golpes baixos, têm de provar o que acusam e demonstrar que a acusação é feita com base em provas válidas. Ora, se há esta fase porque motivo anda tanta gente a tirar conclusão quando a primeira ainda vai a meio?

Alguns fazem-no porque são parvos, deixam-se manipular por polícias pouco corajosos pois não dão a cara pela violação do segredo de justiça ou porque acreditam no que lhes dizem. Mas nem todos são parvos, há os que têm uma grande cultura judicial, que conhecem muito do que de errado a justiça já produziu ao longo da história, mas preferem tirar conclusões agora, quando o acusado não tem nada de que se defender.

Porque será que gente culta, deputados, jornalistas, políticos e até juízes e advogados, preferem julgar antes de que os acusados se possam defender, pior ainda, antes de ser produzida qualquer acusação? Por ódio, por vaidade, acima de tudo por cobardia, nesta fase é mais fácil condenar, difamar destruir.


Ana Gomes é uma destas pessoas, não quer esperar que o acusado se defenda, quer destruí-lo agora porque é mais fácil. Só que esta é a forma mais cobarde de tentar destruir alguém politicamente. Nem mesmo no tempo do fascismo se viu isto.

Não estamos eprante uma questão de estratégia política do PS, talvez Ana Gomes não perceba, mas por mais que deteste Sócrates estamos perante uma questão de princípios. Prefiro os meus aos de Ana Gomes. E quanto a prejuízos para o PS seria interessante se fossem contabilizados os provocados por muitas intervenções desta deputada rica.

      
 Já irrita!
   
«A eurodeputada Ana Gomes mantém as críticas que fez aos dirigentes do PS por não levantarem a voz contra o facto de José Sócrates estar a "manipular" o partido e a tentar reabilitar a sua imagem política.

"Sei que sou uma voz isolada, mas não me importo", disse ao DN a eurodeputada socialista, apesar de admitir que há militantes que lhe ligam indignados com as aparições do ex-primeiro-ministro em iniciativas do partido. Como a de ontem, em que foi homenageado num almoço no Parque das Nações. E no dia anterior, numa iniciativa promovida pela Federação da Área Urbana de Lisboa (FAUL).

Foi neste encontro de sexta-feira que José Sócrates afirmou que "muitos quiseram afastar-me. Detemos-te, pomos-te na prisão, não dás entrevistas. O primeiro objetivo era isolar-me da sociedade portuguesa. Porventura conseguiram esse objetivo com a direção do PS, mas quero dizer-vos que não conseguiram afastar-me do coração dos militantes".» [DN]
   
Parecer:

Este ódio de Ana Gomes a Sócrates já vem de longe.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Investigue-se a causa.»
  
 O Sporting é como a Grécia
   
«Questionado sobre se o Sporting beneficia de um tratamento mais favorável por parte da banca, Domingos Soares Oliveira, administrador da SAD do Benfica, traçou um paralelismo entre a Grécia e o clube de Alvalade.

"As condições de que a Grécia beneficia, do ponto de vista de financiamento, são melhores do que as de Portugal. E no entanto Portugal tem sido um excelente cumpridor e à Grécia foi perdoada parte da dívida", disse o dirigente do Benfica, em entrevista ao Jornal de Negócios e à Antena 1.

Sem mencionar o nome do Sporting, o administrador da SAD do Benfica notou que "o sistema não é justo" e que "quem tem mais dificuldade em pagar é alvo de maior tolerância".» [DN]
   
Parecer:

O o presidente do SCP faz lembrar o Varoufakis.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 Ando a pagar a energia dos outros?
   
«O PÚBLICO sabe que a CIP - Confederação Empresarial de Portugal já pediu para ser ouvida no Ministério da Economia e que o encontro com a tutela está para breve. A consequência de se mexer neste regime – baptizado como interruptibilidade – é a provável deslocalização de algumas empresas, dizem os industriais.

Para já, sabe-se que a intenção do executivo é mesmo a de alterar o regime criado no tempo de José Sócrates (com Manuel Pinho na pasta da Economia) para que os efeitos das alterações se reflictam nas tarifas da electricidade do próximo ano. “O Governo está a aguardar da Direcção-geral de Energia e Geologia [DGEG] uma proposta de portaria de revisão do mecanismo para que as alterações sejam incorporadas nas tarifas de 2017”, disse ao PÚBLICO o secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches. A ERSE apresenta a proposta tarifária da electricidade em meados de Outubro, coincidindo habitualmente com a apresentação do Orçamento do Estado.» [Público]
   
Parecer:

Vai ser divertido ver como o Saraiva justifica que sejam os outros a pagar a sua energia.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  

domingo, setembro 25, 2016

Semanada

Nesta semana o país ficou a saber que a palavra de Passos Coelho vale muito pouco, começou por assegurar que iria apresentar o livro do arq. Saraiva, porque era homem de palavra e quando percebeu que estava a ficar mal na fotografia esqueceu-se da palavra dada e tramou o o jornalista, condenaod o seu livro a ir para o lixo. O mais divertido é que o livro do senhor do Sol nem sequer tem assim tanta matéria pornográfica como se dizia. É muito mau, mas nesse capítulo nem sequer tem nada de muito ofensivo.

E por falar na palavra do líder do PSD o país ficou a saber que não há grandes diferenças ideológicas entre ele e Mariana Mortágua. Há dois anos Passos Coelho disse num congresso do PSD quase o mesmo que Mariana Mortágua disse a propósito do imposto sobre o património. Passos ainda tentou justificar-se com a situação de excepção, mas a verdade é que nem mesmo nessa situação ele tributou os ricos, apenas impôs a sobretaxa sobre o rendimento dos que trabalham ou recebiam pensões.

Parece que os inquéritos à morte de dois soldados vão demorar até ao fim do ano. Esperemos que tanto tempo se justifique por causa de alguma carta derrogatório enviada para a Suíça ou Reino Unido e que passado todo este tempo o ministro da Defesa não se lembre de dar mais seis meses de prazo com opção de um ano.

O Subir Lall, o funcionário indiano do FMI que não percebe porque motivo os portugueses não hão-de morrer de fome na rua como sucede no seu país, reapareceu para fazer comentários. Mas foi para misturar mentiras com baboseiras, não foi desta que o rapaz veio explicar porque falhou tudo o que no passado exigiu que fosse feito ou com que base é que decidiu apoiar a transformação de um país independente num banco de ensaio de economistas de Harvard.

Durão Barroso insiste que sair do Goldman para a Comissão é a mesma coisa que sair da Comissão para ir para o Goldman, o que nele deve fazer muita confusão pois as suas relações com o banco são antigas, chegou mesmo a dar-lhes muitos milhões no tempo em que foi primeiro-ministro deste país. Para ele a mudança de emprego entre o banco e a comissão ou vice-versa, é a mesma coisa que ir de Lisboa a Cacilhas ou fazer a viagem no sentido onverso. Enfim, a estrada da beira é a mesma coia que a beira da estrada.


Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
António Costa, primeiro-ministro

Há uns meses atrás uma conhecida procuradora dizia numa entrevista a uma televisão que quem não tivesse cometido qualquer crime não precisava de temer a vaga anti-corrupção que aí vinha e que limparia o país. É a aplicação do princípio das pragas do Egipto à acção do Estado.

É mais ou menos o mesmo que diz António Costa a propósito do acesso do fisco aos saldos bancários, quem cumprir não tem de ter medo. Enfim, quem não é criminoso não tem de ter medo de ninguém, a sua vida pode ser devassada mas podemos ficar descansados que nada nos vai acontecer.

Enfim, esta é a forma mais desastrosa de justificar este tipo de medidas que, aliás, são de eficácia muito duvidosa.

«António Costa foi este sábado confrontado com as críticas de José Sócrates (e não só) à decisão de levantar o sigilo bancário para contas com saldo superior a 50 mil euros e garantiu que “não há nenhuma concentração de poderes”. O primeiro-ministro explicou que, em parte, o Governo está a seguir uma diretiva europeia e um acordo celebrado pelo anterior Governo, e que a aplicação das normas a residente “é uma prática normal da atividade da administração fiscal”. Depois concluiu: “Quem cumprir as suas obrigações nada tem a temer ou a recear”.

O socialista falou nos Açores, onde está este fim de semana em ações de pré-campanha por causa das eleições regionais, e voltou a defender que “o Estado e a administração fiscal têm de ter os instrumentos necessários para combater fraude e evasão porque se todos pagarmos o que devemos ninguém tem de pagar mais do que aquilo que pode“. Sobre Sócrates, Cota disse respeitar a opinião: “Não é a única pessoa que é contra”.

Não, não há nenhuma concentração de poderes. Parte desta legislação parte de uma obrigação de uma diretiva comunitária relativamente a não residentes, outra parte resulta de um acordo fiscal assinado pelos EUA, e outra parte de um acordo assinado pelo anterior Governo. A extensão aos residentes é uma prática normal da atividade da administração fiscal de combater a fraude e a evasão, que é o que se procura”.» [Observador]

 O que o arq. Saraiva pensa do Marcelo

É uma pena que o Saraiva não saiba ou não contou segredos de alcova sobre Marcelo Rebelo de Sousa, mas tece algumas opiniões sobre o agora Presidente da República que, no mínimo, são interessantes:

A avó africana de Marcelo

«Um dia, em almoço no Pabe, Almeida Santos contou‑‑me esta curiosíssima história: Baltazar Rebelo de Sousa (o pai de Marcelo) tinha uma avó moçambicana negra. E quando ia a Moçambique, mesmo em visita oficial — ele foi ministro do Ultramar antes do 25 de Abril —, fazia questão «de ir visitar a avó à machamba», nos arredores de Lourenço Marques (hoje Maputo), pois a senhora nunca quis sair de lá. Marcelo tinha, assim, uma bisavó indígena que recusou até ao fim integrar‑‑se na «civilização».

Marcelo o leviano:

«Tudo isto mostrava uma certa leviandade, uma certa infantilidade — e, pior do que isso, uma preocupante falta de convicções. Marcelo viciou se ao longo dos anos em analisar os assuntos como se não tivesse opinião sobre eles. «Se fulano fizer assim, ganha por isto e por aquilo; se fizer assado, perde» — e tudo na sua cabeça se resume a ganhos e perdas, e nunca a ideias, princí¬pios e convicções.»

O catedrático com traquinice de escola primária:

«Pois bem: imediatamente a seguir Marcelo fala para o meu colega José António Lima (cujo gabinete é ao lado do meu) a arrasar o artigo, dizendo que não tinha pés nem cabeça. E acrescenta: «No Verão, o Zé António ainda estará a pensar no que significou o meu telefonema.» Marcelo era assim: uma criança grande. Brilhante mas leviano. Professor catedrático com a traquinice de aluno da escola primária.»

Só é pena que o arquitecto que um dia disse que ganharia o Prémio Nobel não dedique um capítulo à sua própria pessoa.

 A lição de economia dada pelo arq. a Passos Coelho

Parece que Passos não aprendeu tudo com a sotôra Maria Luís na Lusíada, o candidato a Noberl da Literatura deu-lhe uma lição de geo-economia, justificando as diferenças de níveis de desenvolvimentos segundo uma óptica inteiramente desconhecidos. O homem enganou-se, em vez de dizer que sria Nobel da Economia devia ter apostado na economia:

«Faço‑‑lhe ver que, à medida que se caminha de Norte para Sul, os estádios de desenvolvimento e de progresso vêm diminuindo. Os países do Norte da Europa estão num patamar alto, os do centro da Europa num patamar mais baixo, e os do Sul noutro ainda mais baixo. E quando se passa da Europa para o Norte de África, a descida continua: o Norte de África tem um nível de desenvolvimento, a África negra tem outro, inferior. Há um dégradé, de Norte para Sul, com a riqueza a ser progressivamente substituída pela pobreza. Pelo que nós nunca poderemos ser muito diferentes dos outros países do Sul que estão no nosso paralelo. Ele parece aceitar a ideia. Não sei se o faz por delicadeza ou por estar convencido. Mas fico com a impressão de que nunca vira as coisas por este prisma.»

Talvez o problema de Passos fossem as suas mãos muito femininas:

«Outro pormenor que retive no contacto com ele: apesar de ter umas mãos muito brancas e quase femininas, o seu aperto de mão transmitia confiança.»

 Dúvidas que me atormentam a alma

Agora que tanto se fala do Goldman  Sachs e da Comissão Europeia vem-me à memória o doloroso processo de nomeação do comissário europeu que iria ocupar a vaga portuguesa deixada vaga pelo agora conhecido empregado bancário.

Na ocasião a grande vedeta candidata ao lugar era Maria Luís Albuquerque, a preferência do presidente da Comissão Europeia era Valente de Oliveira e Passos Coelho condicionava a escolha à entrega ao futuro comissário português de uma importante pasta económica, como o argumento de que a candidata Maria Luíz ser uma grande vedeta mundial da economia. É óbvio que Passos Coelho sabia muito bem que levaria "sopa" e já que as suas pretensões não foram aceites, foi escolhido Carlos Moedas.
 
Isto é, Carlos Moedas, homem do Goldman Sachs no governo de Passos, onde representava o falecido António Borges, outro homem do Goldman, foi o escolhido para Comissário Europeu, o que certamente deu muitas alegrias ao grande banco. Maria Luís lixou-se, ficou com o rabo nas duras cadeiras parlamentares e estranhamente aparece como gorjeteira de uma financeira londrina.

De certeza que não houve qualquer envolvimento do Goldman Sachs em todo este processo?
      
 Medo do fisco?
   
«Demorou um pouco mais de 20 minutos, e o ex-primeiro-ministro até se fez de difícil – “eu prometi a mim mesmo não falar do mesmo processo” -, mas José Sócrates acabou mesmo por abordar o tema. E fê-lo, numa conferência em que devia falar sobre “Política Externa e Globalização”, para atacar o PS e o Governo por estarem a dar demasiado poder ao Fisco.

“O PS no governo acha que deve dar ao Estado, à Autoridade Tributária, ao Fisco, a possibilidade de ter acesso às contas bancárias de todos os cidadãos acima de 50 mil euros, em nome do combate a fraude”, começou por enquadrar Sócrates, para depois concretizar que o que o preocupa “é que por trás do discurso de combate [à evasão fiscal] está uma concentração de poder nos organismos do Estado que é perigosa para todos”.

Mas as críticas de José Sócrates não se centraram apenas no PS. Esta sexta-feira, em Lisboa, numa conferência organizada pelo departamento de mulheres socialista da capital, o ex-primeiro-ministro criticou também a “duplicidade moral” de PSD e CDS, questionando a “autoridade moral” dos partidos para criticar o acesso do Fisco às contas com saldos bancários acima dos 50 mil euros.

“Afasto-me também de todos aqueles que com uma duplicidade moral que é verdadeiramente impressionante criticam agora esta medida do governo quando, durante quatro anos do governo, assistiram à transformação da autoridade tributaria numa máquina de guerra que até lhes tirava as casas”, referiu o socialista.» [Observador]
   
Parecer:

Até agora a única razão de queixa que tenho do fisco é o facto de a IGF ter andado a vasculhar os e-mails dos seus funcionários, a pedido de um tal paulo Macedo que gostava de perseguir este blogue. Curiosamente, quem deu autorização para essa indignidade foi um tal Teixeira dos Snatos, ministro das Finanças de José Sócrates.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Compreende-se a preocupação de Sóccrates mas o melhor será agendar uma conferência sobre o tema.»
  
 Durão, o bom cliente do Goldman Sachs
   
«

Estavam em curso duas das maiores privatizações de sempre em Portugal e o importante sector da energia estava em profunda redefinição. Galp e EDP procuravam, cada uma, o seu espaço e novos accionistas privados. O Governo, liderado por Durão Barroso, contrata então o Goldman Sachs para assessorar as duas empresas e montar a operação de privatização da Galp. Num só ano pagou 1,7 milhões pelo trabalho dos consultores. O contrato previa ainda outros 13 milhões de success fee (remuneração por objectivos) e 200 mil euros mensais. Mas os custos desta operação ainda hoje estão em cima da mesa, com as compensações que o Estado garante à EDP (CMEC).

O responsável por Portugal, no Goldman Sachs, era, desde 2002, António Borges. Mas o contributo do Goldman acabaria por ser rejeitado em Bruxelas. A Comissão Europeia considerou que o plano de entregar à EDP a distribuição de gás natural era ilegal, à luz das regras europeias.

Enquanto este processo se desenrolava, Durão Barroso foi eleito Presidente da Comissão Europeia, e substituído por Pedro Santana Lopes na chefia do Governo. Em Dezembro de 2004, o presidente da Parpública, João Plácido Pires, defende que o contrato com o Goldman deve acabar, dada a oposição de Bruxelas e os “elevados encargos” para o erário público (Sábado, 8/5/2005). Bagão Félix, ministro das Finanças, aceita a sugestão.

Com a entrada do Governo seguinte, de José Sócrates, todos os outros contratos do Goldman com o Estado foram cancelados. António Borges queixou-se de perseguição política: “Eu já fui vítima dessa situação [asfixia democrática] e denunciei-a. A empresa para a qual trabalhava perdeu negócios em Portugal.”

Mas não seria para sempre… Em 2008, a Metro do Porto decide fazer um swap de 126 milhões da sua dívida com o Goldman Sachs. Poucos meses depois a empresa portuguesa já devia 120 milhões ao banco americano. O contrato é um caso de estudo. Moorad Choudhry, professor de Matemática da Universidade de Brunel, Reino Unido, classificou-o, desta forma, ao jornal inglês Independent: “É possivelmente a transacção financeira mais estupidamente complicada que alguma vez foi feita.” Outro especialista afirmou: “Fez-me rir e chorar, em igual medida. Em que raio é que aquela gente estava a pensar? Já vi muitos maus produtos financeiros na vida, mas este é outra coisa. É o momento Apocalipse Now da indústria bancária, quando toda a gente cai na loucura.” Esta era a equação contratual para estimar os limites de perdas: “{SumDCF [n] x 6.33% - SumCpn[I,n-1]}/DCF[n], where I = 1,2,3”.» [Público]
   
Parecer:

Velhos amigos....
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «E o Moedinhas era o homem do Goldman no governo de Passos, pergunte-se onde ele está»

 Estes gajos não têm uma televisão em casa
   
«Vítor Escária, assessor do primeiro-ministro, também faz parte da lista de pessoas que a Galp levou a assistir aos jogos do Campeonato Europeu 2016, avança o jornal Expresso. O membro do staff de António Costa foi convidado pela empresa petrolífera a assistir ao jogo Portugal-Aústria, que aconteceu a 18 de junho em Paris.

Ao jornal, a Galp recusou-se a comentar a situação, dizendo apenas que “os convites foram endereçados a diversas pessoas de instituições com as quais a empresa se relaciona nos mais diversos quadrantes”. Já Vítor Escária limitou-se a explicar que não foi convidado na qualidade de assessor do primeiro-ministro, mas sim “a título pessoal por um amigo”, assumindo a existência do convite.» [Observador]
   
Parecer:

Triste e lamentável.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Ofereça-se uma televisão, um garrafão de vinho, dois quilos de courato e uma assinatura da Sport TV ao senhor.»
  

sábado, setembro 24, 2016

Receituário ideológico

Catarina Martins tem grandes semelhanças com Passos Coelho, cada um á sua maneira são artistas de teatro, ambos revelam grande preocupação com os mais pobres, sabem sempre a solução para tudo na ponta da língua, se alguém sugerisse que tinham sido separados á nascença ainda levaria muito boa gente a pensar que estaria a falar verdade.

Mas o que mais os une é o facto de não pensarem os problemas, sempre que lhes é colocado um problema ambos se socorrem do seu receituário ideológico, ambos estão certos de que a sua ideologia tem um fundamento científico e a partir da meia dúzia de princípios elementares se chega sempre à melhor solução. Chegam sempre ou quase sempre á solução oposta porque usando o mesmo método supostamente científico partem de premissas diferentes. Catarina bebeu o socialismo científico, Passos digeriu de forma elementar e sem pensar muito o liberalismo económico que lhe terá sido explicado por Carlos Moedas ou António Borges.

Para Passos privatizar a saúde ou a EDP não deve ser um problema económico ou social, aliás, para Passos pouco importam as consequências a curto prazo, disseram-lhe que privatizar é promover a democracia económica e, portanto, esta solução é a melhor. O mesmo que anda com livros sobre Salazar debaixo do traseiro, usa o termo “democracia” para justificar as suas alarvidades ideológicas.

Catarina usa o mesmo pensamento científico e basta que lhe seja colocado qualquer problema, não é necessária qualquer reflexão pois o seu modelo ideológico é de carregar pela boca, mete-se o problema e o tiro é imediato. Morreram dois comandos? Acabam-se com a companhia de comandos. Um raciocínio brilhante se, de vez em quando não morressem bombeiros, condutores de ambulâncias, polícias e muitos outros profissionais.

Umas no cravo e outras na ferradura



  
 Jumento do dia
    
António Leitão Amaro, deputado do PSD

António leitão Amaro acha que um imposto sobre o património deve ter em consideração apenas a dimensão e pouco mais, como se a avaliação dos prédios urbanos fosse indiferente a uma grande multiplicidade de factores, incluindo a exposição ao sol ou a localização. Mas parece que o deputado prefere um imposto com critérios cegos que conduza a injustiça.

«Não conseguindo acabar de imediato com o artigo que aumentou o cálculo do coeficiente da localização dos imóveis, o PSD ameaça levar o que chama de “imposto do sol e das vistas” ao Tribunal Constitucional, pedindo a sua fiscalização sucessiva. O anúncio foi feito pelo deputado António Leitão Amaro no momento da votação em que a esquerda chumbou o projecto de resolução social-democrata que pedia a cessação daquele artigo.

Apesar deste chumbo, o diploma de 1 de Agosto que introduziu alterações ao IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis) e outras tributações como o IUC (Imposto Único de Circulação) segue agora para a discussão na especialidade em comissão, já que foram apresentadas algumas alterações pelos partidos.

António Leitão Amaro especificou ao PÚBLICO que o PSD vai insistir, na especialidade, na proposta de eliminação do artigo. Se a esquerda recusar então o pedido de fiscalização sucessiva seguirá para o Palácio Ratton com o argumento de que há uma “inconstitucionalidade formal e procedimental” naquela norma por não terem sido ouvidas as associações de municípios (ANMP) e de freguesias (Anafre) que, pela lei, têm que ser consultadas já que o IMI é um imposto de âmbito municipal.» [Público]

 Passos e a crise

Confrontado com o seu discurso no congresso do PSD onde fala com o se fosse um militante extremista do E, defendendo um imposto especial sobre o imobiliário, Passos Coelho mete dos dedos pelas mãos e justifica-se dizendo que o país atravessava uma situação de crise. O que ele se esquece de dizer é que aumento o IRS mas não aumentou qualquer impostos sobre o imobiliário, mesmo em situação de crise.

 O livro do Saraiva

O que mais impressiona no livro do Saraiva (aqui) não são as baboseiras do artista, é o nível de promiscuidade entre a classe política e este arquitecto do jornalismo.

Três exemplos da prosa da personagem:


«Como disse atrás, Manuel Monteiro estava com dificuldade em ter filhos. Depois de um almoço no Pabe, enquanto finalizamos na rua, frente à porta do restaurante, a conversa iniciada no interior, passa por nós uma jovem não especialmente bonita. Pois M. M. fica a olhar para ela insistente e ostensivamente, seguindo a com os olhos até desaparecer. Foi como se me dissesse: a minha mulher tem tido dificuldade em engravidar, mas eu sou muito viril.»

«Também me contou que a mulher de Durão Barroso teve uma paixoneta por ele. Foram todos colegas na universidade, ela um dia procurou o no escritório, mas ele sempre respeitou as distâncias. Ainda sobre Durão Barroso, Santana dizia: «Eu tenho fama de mulherengo, mas ele é que tem o proveito.» Acredito que tivessem ambos...»

«Em almoço no Pabe, Santana Lopes conta me um pitoresco episó¬dio. Estava a passar férias no Algarve, onde todas as noites ia à Casa Redonda de André Gonçalves Pereira, na Quinta do Lago. Por volta da meia noite saía, metia o carro por um campo lavrado e ia pelas traseiras até casa de uma hospedeira que tinha conhecido num avião. A rapariga tinha 18 anos, estava a passar férias com a mãe, que não a deixava sair tão tarde. Então saltava de casa por uma janela ao encontro de Santana Lopes, que a esperava no carro, e partiam os dois. Uma verdadeira história de Romeu e Julieta. Que ainda não acaba aqui. Na casa de André Gonçalves Pereira reunia se todas as noites um numeroso grupo, onde se incluíam Cinha Jardim e o marido. Ora, Santana Lopes começou a perceber que Cinha se irritava quando ele saía por volta da meia noite. E isso para ele foi um sinal de que Cinha se interessava por ele. Daí a deitar lhe a mão foi um instante. E a jovem hospedeira ficou a ver navios (ou aviões). Quem ri no fim... Uma nota final: Santana Lopes na altura era secretário de Estado da Cultura. O que aconteceria se fosse»

 Explicar um antes e um depois a Durão Barroso

Na tentativa de se defender Durão Barroso está fazendo aquilo que se designa atirar caca para a ventoinha, anda a sujar tudo e todos, incluindo o carlos Moedas, para defender o seu nome. *Para Durão Barroso trabalhar na Goldman Sachs e depois ser dirigente numa instituição europeia é a mesma coisa que ser presidente da Comissão e depois ir para o Goldman Sachs.

Digamos que Durão Barroso acha que o Carlos Moedas pode usar os seus conhecimentos do Goldman para corromper um funcionário do banco que ele nomeou e daí conseguir benefícios para a União Europeia.- Segundo esta lógica um funcionário de um banco ou de qualquer entidade não poderia exercer um cargo público.

Durão Barroso acha que o debate internacional é o mesmo que fazia quando manipulava a comunicação social. 

      
 Instrutores ou assassinos
   
«O furriel Hugo Abreu, um dos dois comandos do Curso 127 que morreram no início de Setembro, foi obrigado a comer terra já depois de entrar em convulsão, de acordo com a mãe, ouvida pela RTP. Ângela Abreu acusa o Exército de ocultar a verdade, nomeia um sargento de nome "Rodrigues", e diz: “Ele é que pode dar as respostas” sobre as causas da morte do jovem, que aconteceu no mesmo dia da prova, domingo, 4 de Setembro. No sábado seguinte, Dylan Silva, colega do mesmo curso e da mesma prova, viria a morrer no Hospital Curry Cabral quando aguardava um transplante de fígado.

A RTP ouviu vários instruendos do curso 127 dos Comandos, que também participaram na prova naquele domingo em que as temperaturas atingiram os 42 graus. Falam sob anonimato e confirmam a versão da família. Um deles descreve os momentos seguintes à forte indisposição do colega: Hugo Abreu já estava “próximo da inconsciência, com imensas dificuldades respiratórias e foi forçado a engolir terra”.

O furriel morreu às 21h45 na enfermaria de campanha criada para o curso. Foi vítima de uma paragem cardio-respiratória ainda na enfermaria de campanha criada para assistir o curso de comandos 127. De acordo com a RTP, o INEM chegou sete horas depois de o jovem ter ficado inconsciente. Na investigação do programa Sexta às 9, testemunhas que falaram isoladamente com a estação, sem saberem que outros colegas estariam também a ser ouvidos, confirmam a versão da família. » [Público]
   
Parecer:

Se o que a mãe do militar conta é verdade os instrutores dos comandos são assassinos e a hierarquia militar tem muitas explicações a dar.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pela conclusão das investigações.»
  
 Olhem quem se lembrou de que é português
   
«Na sua qualidade de ex-presidente da Comissão Europeia, assim como ex-primeiro-ministro de um Estado-membro, Durão Barroso teria o direito a um 'tratamento VIP' pelos líderes e instituições europeias em Bruxelas, mas devido ao seu novo cargo será tratado como um representante de interesses e  terá de dar explicações ao executivo europeu sobre a sua relação contratual com o banco.

“Sei que o Goldman Sachs é um nome controverso, mas como são controversos o nome de praticamente todos os bancos internacionais […] Aceito algumas críticas, mas não aceito outras”, disse aos jornalistas após uma conferência em Cascais.

"O que eu não aceito é que se procure criar uma discriminação contra uma entidade financeira que opere nos mercados devidamente legalizada e regulada e também não aceito que haja discriminação em relação a mim", condenou.

"Não posso aceitar que outras pessoas que estiveram na Comissão, inclusive o presidente da Comissão Europeia, tenham trabalhado para o Goldman Sachs e contra mim haja, talvez seja por ser português".» [Notícias]
   
Parecer:

É preciso lata para se lembrar de usar a nacionalidade para se defender.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»