quinta-feira, Abril 24, 2014

Saídas limpinhas

O memorando previa que terminados os três Portugal regressaria aos mercados e o assunto ficaria “esquecido”, agora em vez de uma casinha com uma porta de saída o memorando passou a ter tantas portas como as do Terreiro do Paço e cada um inventa uma saída limpa à sua maneira, até aquelas que eram consideradas sujas já passaram a ser tratadas como limpas. Depois de três anos em que um coelho que ficou por esfolar decidiu esfolar os grupos sociais e profissionais que odeia nada foi feito e só isso explica tanta preocupação com a limpeza.

Cavaco quer ir morrer descansado e viver os anos que lhe restam com a sensação de que fez grande coisa, foi um primeiro-ministro que usou de forma incompetente as ajudas comunitárias, não tocando nas causas do subdesenvolvimento económico, deixou atrás de si um rasto de ladroagem que lembra os quarenta ladrões do Ali Babá, foi um presidente incompetente, com um discurso crispado e fazendo politiqueira, apoiou a espoliação e empobrecimento forçado dos pensionista e funcionários públicos. Agora quer um programa cautelar, isto é, quer que tudo fique bem preso em arames não vá o país entrar em colapso e alguém lembrar-se de que deve prestar contas ao país.
  
Depois de ter andado armado em Rolex o líder do CDS não tem outra saída que não seja uma saída sem troika, acabando com o protectorado de que andou a falar, até porque a imagem do Vasconcelos a ser atirado pela janela deve atormentar-lhe as noites. Depois de ter sido o partido dos pensionistas que tramou Paulo Portas quer que o CDS seja o partido limpinho e nas próximas eleições em vez de fazer campanha nas feiras vai fazê-la na secção do Skip nos supermercados dos merceeiro holandês.

Passos Coelho ainda não sabe o que fazer, se optar pelo Clarim para lavagem à mão ou pelo lava tudo do Paulo Portas. Se optar por uma limpeza total com recurso à lixívia arrisca-se a ver tudo a desmoronar mal o indiano se vá embora. Se políticos como Portas, Seguro e Cavaco não ficarem em liberdade condicional ao abrigo de um programa cautelar não tarda muito para que a Ilda vá a correr meter os puto na barraca porque vai haver pedrada. Portas vai dizer que a culpa foi do Pedro e o Tozé vai lembrar Cavaco de que foi ele o primeiro a sugerir eleições antecipadas, até as pôs à venda na feira da Ladra. Para Passos Coelho a melhor saída seria suspender a democracia e depois vir dizer que estava previsto no memorando e foi uma imposição da troika.
  
A verdade é que a merda é tanta que não há saída limpa alguma, o país não fez uma reforma séria, os cortes na despesa foram considerados inconstitucionais e tanto quanto se sabe a Constituição é a mesma, a dívida vai nos 130% do PIB, o crescimento económico é de quase zero, os quadros mais jovens e melhor qualificados partem em massa, os serviços públicos foram desvalorizados, desorganizados e lançados no marasmo, a credibilidade do sistema político está ao nível do Burkina Faso, o governo está recheado de gente que nem o merceeiro holandês contrataria para as suas caixas e muito menos para a sua fundação da treta.

O que melhor simboliza a limpeza desta saída é a gente suja que durante os 40 anos de democracia enriqueceu de forma fácil, gente muito bem simbolizada na seita de canalhas que ganharam dinheiro fácil com negócios da SLN. Como é possível uma saída limpa com gente com merda até ao pescoço?
 
 

Umas no cavo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Alfama, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Nuno Magalhães

Para deputado o Nuno Magalhães anda muito mal informado senão sabia que o verbo "repor" não é uma originalidade de Seguro mas sim do Tribunal Constitucional. Se tem dúvidas então que volte a ver a entrevista que Passos Coelho deu em Setembro de 2012 (aqui).

«"É preciso e é salutar em democracia, que da parte da oposição, sobretudo daquela que quer ser alternativa, dê pistas, dê caminhos, dê alternativas, e que não se limite a conjugar o verbo repor", afirmou Nuno Magalhães, na abertura do debate quinzenal com o primeiro-ministro no parlamento.

"Repor, repor, repor", insistiu, afirmando que os socialistas, se não fossem contrariados, "acabariam por repor a ´troika'".» [Notícias ao Minuto]
 
 A incompetência da troika

Aquando da primeira revisão da legislação laboral a troika assegurava ser indispensável para criar emprego, não se tendo queixado da insuficiência das medidas. Como tudo falhou a troika concluiu que é necessário promover mais uma revisão laboral para tornar os salários ainda mais baixos. Quando será que o representante da troika para de tentar criar emprego, quando os portugueses começarem a emigrar para as fábricas têxteis do Bangladesh?

As referências sociais do indiano que lidera a troika não são as melhores, o senhor parece estar ainda na Índia.
 
      
 O polícia que tratou o FMI como deve ser
   
«No aeroporto, o polícia olhou para o passaporte, olhou para o gordo com cara de bem não transacionável e disse-lhe: "Quer uma entrada limpa?" O gordo não percebeu. O polícia: "É que se há saídas limpas, sem favores, também há entradas limpas. Quer entrar em Portugal limpamente?" O gordo disse que sim. O polícia olhou mais dez vezes para o passaporte e disse: "Estou a fazer a minha 11.ª avaliação... Nome, Subir Lall... Chefe de missão do FMI... É, o senhor tem visto." O gordo, já com soberba: "Claro que tenho!" O polícia, como quem fala da subida do salário mínimo: "Mas é prematuro especular sobre o tema... Que dia é hoje?" O gordo, julgando que números é com ele: "20!" O polícia: "Justamente, o visto de entrada é para o dia 21." Pegou numa calculadora, que dedilhou: "21 menos 20... É, falta um dia para entrar." O gordo: "Por amor de Deus, só por um dia..." O polícia: "Deixe-me citá-lo, sr. Subir Lall: este não é tempo para complacências." O gordo: "Mas que mal faz? Não entro amanhã, entro hoje, vá lá..." O polícia: "Aí já não o cito, você gosta da redução dos custos de trabalho mas eu não gosto da redução do tempo de entrada." O gordo, insistindo numa medida de ajustamento. "Vá lá..." O nosso polícia, firme: "O senhor pode gostar de facilitar despedimentos, mas eu não me despeço de si sem o visto em ordem." E durava esta conversa 40 minutos quando, por telefone, chegou o programa de assistência ao gordo. E o gordo lá entrou.» [DN]
   
Autor:
 
Ferreira Fernandes.
   
   
 A não ser que o coelho seja um coelhão como o Coelho
   
«"Não quero alimentar nenhuma especulação. Por uma razão de natureza formal, não concluimos ainda a 12 avaliação", disse Pedro Passos Coelho, sobre a escolha para o período pós-troika, na conferência do 25º aniversário do "Diário Económico".

"Não devemos esfolar um coelho antes o caçar. E eu que sou coelho de mim falo", afirmou, reforçando que a decisão será comunicada "quando o relatório da ultima avaliação estiver em cima da mesa".» [DN]
   
Parecer:

Pois, mas os pensionistas e todos os portugueses que Passos detesta podem ser esfolados em qualquer ocasião e as vezes que ele bem entender.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
  
 Ganda Bertone
   
«O cardeal Bertone, de 79 anos, que foi secretário de Estado de Bento XVI, está em contradição com o apelo de Francisco para uma "Igreja dos pobres", uma situação que está a provocar uma forte irritação no Papa argentino.

De acordo com o diário italiano 'La Repubblica', Bertone uniu dois apartamentos no último andar do Palácio de São Carlos, criando assim uma cobertura de 700 metros quadrados, cem dos quais constituem o terraço.A nova e luxuosa residência de Bertone fica praticamente ao lado da Casa de Santa Marta, onde o Papa Francisco ocupa 70 metros quadrados.» [DN]
   
Parecer:

Os bons católicos pagam a residência luxuosa do alarve com esmolinhas na missa.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 O Coelho estava mesmo inspirado
   
«"O essencial dessas medidas [de austeridade] foi feito à custa da despesa corrente primária, que foi reduzida, fora esses montantes [de cortes em salários e pensões], e em particular com os muitos submarinos que nós poupámos a Portugal e aos portugueses durante muitos anos com os contratos que cancelámos." Foi desta forma que Pedro Passos Coelho enfatizou a redução da despesa pública entre 2010 e 2013, dando o exemplo dos submarinos adquiridos por Paulo Portas e pagos em 2010 pelo Governo de José Sócrates como prova cabal de que o esforço orçamental "não foi simplesmente ancorado em medidas que são extremamente dolorosas como as da redução de rendimentos" de funcionários públicos e pensionistas.» [DN]
   
Parecer:

Digamos que o Portas deverá ter sentido uma sensação estranha no duodeno.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada e sugira-se ao Coelho que em 215 poupe um porta-aviões.»
     

   
   
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quarta-feira, Abril 23, 2014

Os cravos e os cravas de Abril

Se os cravos de Abril começaram a murchar muito depressa houve uma espécie animal oportunista que floresceu ao longo destes 40 anos em todos os domínios da sociedade portuguesa e que dominam a vida do país. Aos poucos foram-se instalando, desenvolvendo subespécies especializadas normais diversos domínios, desde a economia ao jornalismo, até que o seu domínio é tão grande que se fica com a sensação de quem sem eles o país não sobreviveria.
  
É uma espécie omnívora que se alimenta de qualquer fonte de rendimento, cada subespécie destes cravas especializou-se a desviar uma parte da riqueza do país em proveito próprio. Acontece com os cravas o mesmo que com algumas espécies vegetais que para atraírem os insectos apresentam formas, perfumes e cores deslumbrantes. Também os nossos cravas são bem falantes e até parece que sabem muito do que falam, vestem bem, em vez de barbeiros recorrem aos serviços estéticos de cabeleireiros. Alguns até são híbridos conseguindo mudar da política para a advocacia, desta para a gestão de empresas de onde até conseguem dar o pulo para a comunicação social. São estas qualidades que a tornaram numa espécie de mimosas da sociedade portuguesa.
  
A advocacia tem sido um terreno fértil para os cravas até porque beneficiando do estatuto da classe disfarçam melhor a origem dos rendimentos. Os advogados políticos multiplicaram-se, o parlamento não passa de uma sala de estar de um clube de advogados, os gabinetes governamentais estão cheios de jovens advogados representando os seus escritórios. O sucesso destes cravas tem sido tão grande que o Estado quase deixou de ter quadros em lugares de decisão pois foram substituídos pelos cravas dos grandes escritórios especializados em pareceres.
  
O jornalismo já quase o deixou de ser, começa a ser difícil distinguir entre um jornalista e um crava, quando algo é noticiado nunca sabemos se é uma novidade ou mais uma manobra de um crava exercendo a sua actividade parasitária sob a forma de disfarce. Aliás, há mesmo muitos cravas que nem sequer disfarçam o que são, vindo de escritórios de advocacia, de gabinetes de empresas ou de austeras universidades exercem as funções de cravas na comunicação social sem qualquer pudor.

Mas tem sido na política que os cravas têm tido mais sucesso, ainda que na maior parte dos casos consigam ser cravas em regime de acumulação, são advogados e deputados, gestores e consultores presidenciais ou mesmo banqueiros e políticos rascas. Quase todos os cravas passam pela política que está para eles como Meca está para os muçulmanos, têm de lá ir pelo menos uma vez, uns são mais activos e até podem ter a sorte de num dia ganharem dinheiro com acções duvidosas e no outro dia serem presidentes.
  
Mas os cravas têm conseguido chegar a todos os cantos da sociedade, há cravas na universidade ou os que sem lá irem conseguem cravar um canudo numa qualquer ciência tão duvidosa quanto eles,  há cravas nas fundações financiadas por mercearias, há cravas na cultura a exportar obras de arte pela calada da noite, há cravas por tudo quanto é lado. São os cravas de Abril, gente que detesta a democracia mas a parasita, gente que nunca teria enriquecido ou chegado aos altos cargos nacionais ou internacionais sem essa democracia que detestam e à qual atribuem muitos defeitos.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Chafariz das Terras, Lisboa


 Fotos dos visitantes d'O Jumento
  
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Imagem de J. de Sousa
  
PS: Como diria o Durão Barroso no tempo da outra senhora havia uma preocupação sincera pelos pobrezinhos.
  
 Jumento do dia
    
Cavaco Silva

Um dos políticos que mais politiquice fez ao longo da sua carreira política usa agora o cargo presidencial para desvalorizar os partidos e o jogo partidário, numa tentativa desastrada de atacar a oposição num período eleitoral. Quando era primeiro-ministro eram instituições como o Tribunal Constitucional que considerava forças de obstrução, agora atira as culpas para aquilo a que chama crispação

A forma como Cavaco coloca as empresas como a força do progresso por oposição às consequências da democracia é um discurso impróprio de um Presidente da República do Portugal democrático. Ainda por cima quem vem com esta lenga lenga é um político que deu cobertura a falas acusações contra um governo e que entre discursos de vitória e livros da treta tem escrito os momentos de maior crispação e politiqueira de baixo nível.

Este não é o Presidente de que Portugal precisava neste momento, é um opresidente que todos desejamos que parta o mais depressa possível, deixando o cargo para alguém que olhe restitua a dignidade e prestígio que já teve.

«Cavaco Silva afirmou esta terça-feira que “há um sentimento positivo em relação à evolução da economia portuguesa". Perante uma plateia de empresários reunidos em Oliveira de Azemeis, afirmou que são as empresas "e não as intrigas, as agressividades, as crispações, os insultos entre agentes políticos, que promovem o crescimento económico, a criação de emprego e a conquista de novos mercados.”

Foi já no final de um almoço com empresários, no âmbito do Roteiro para uma Economia Dinâmica, que o Presidente da República lançou a farpa para o ar, numa clara alusão ao clima de campanha eleitoral em que o país já vive. Um aviso sem mais explicações nem direito a perguntas.» [Público]
 
 Uma pergunta a Cavaco

Não acha que o melhor contributo que poderia dar ao país seria retirar-se ara a luxuosa Quinta da Coelha ou, como diz o povo, desempatar a loja?
 
      
 Porque é o governo melhor que o FMI?
   
«Obrigar quem manda a dar satisfações a quem obedece foi um grande salto para a humanidade. Os faraós nem se sentiam obrigados a mentir ao povo... Ontem, um Tutancámon moderno, o FMI, desatou a defender os despedimentos fáceis como um estalar de dedos. Sem isso, não haverá "criação de empregos", disse. Isto é, deixe-se despedir agora para ser repescado... Aos olhos do principal interessado, a quem se garante a morte hoje em troca da promessa de vida amanhã, as palavras do FMI são abusivas. Mas naturais porque o abusador não deve ao abusado nada, nem um voto. Já com governantes em democracia a coisa é mais cuidada. Também ontem, em anexo ao documento do FMI que falava de cima aos portugueses, conheceu-se um documento do Governo. Este anunciava despedimentos na Função Pública até ao fim do ano, "um programa de rescisões para funcionários de baixos salários". Não vou discutir o conteúdo, mas a forma. Desta vez, quem fala de despedimentos teve o cuidado de se escudar. Anuncia o mal mas adianta logo aquilo que vai ser a sua justificação: o setor público português tem, na base, trabalhadores a mais e isso impede que se modernize. Ontem, pois, um mesmo problema: os despedimentos. Mas dito de duas formas: um, com a prepotência de quem não precisa de nós e, outro, com o cuidado de quem precisa. Por isso é que um sábio disse que a democracia era o pior dos governos, com exceção de todos os outros.» [DN]
   
Autor:
 
Ferreira Fernandes.
   
   
 Associação 25 apela à expulsão dos vendilhões do templo
   
«A Associação 25 de Abril apelou nesta terça-feira a uma "ampla mobilização nacional" para expulsar os "vendilhões do templo" como classificou o actual Governo e o Presidente da República, na mensagem alusiva aos 40 anos da revolução.

"O Governo, e a cobertura que lhe é dada pelo Presidente da República, protagonizam os fautores do `estado a que isto chegou´, razão pela qual não serão eles a quem possa continuar a confiar-se os destinos de Portugal", defendeu a Associação 25 de Abril, presidida pelo coronel Vasco Lourenço. Por isso, sustentou, "torna-se urgente uma ampla mobilização nacional" para, "aproveitando as armas da Democracia, mostrar aos responsáveis pelo `estado a que isto chegou´ um cartão vermelho, que os expulse de campo". "Temos de ser capazes de expulsar os `vendilhões do templo´. Os desmandos e a tragédia da actual governação não podem continuar", apelou.

Aquela associação defendeu igualmente que os portugueses têm de "ser capazes" de "retornar às presidências de boa memória de Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio", traçando um diagnóstico negativo sobre o estado do país, 40 anos depois do 25 de Abril.

A Associação 25 de Abril  advertiu para possíveis consequências do agravamento das desigualdades, afirmando que a "manutenção da democracia apenas será viável pela reafirmação dos valores de Abril". "As desigualdades, consumadas no aumento do enriquecimento dos que já têm tudo e no cada vez maior empobrecimento dos mais desfavorecidos, transforma a nossa sociedade num barril de pólvora que apenas será sustentável numa nova ditadura opressiva, com o desaparecimento das mais elementares liberdades", advertiu.» [Público]
   
Parecer:

A totó parlamentar vai arrepender-se da sua ligeireza.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Expulsem-se os vendilhões!»
     

   
   
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terça-feira, Abril 22, 2014

O Circo

Se fosse inventado um trapalhómetro, talvez fruto do roteiro do empreendedorismo de Cavaco Silva, o governo português seria o ideal para o testar. Talvez ainda se fosse a tempo de medir os valores da trapalhometria do governo de Santana Lopes com esta coisa a que alguns insistem em designar por governo. Aliás, o trapalhómetro devia ter uma segunda função, a de mentirómetro, isto porque uma das maiores dificuldades na avaliação deste governo está em distinguir mentiras de trapalhadas, principalmente quando as trapalhadas envolvem mentiras ou estas são também trapalhadas.
  
As trapalhadas e as mentiras são tantas que Portugal não tem um governo e uma realidade, temos um circo em permanente digressão e com sucessivas alterações nos seus números. Às vezes não conseguimos distinguir os animais selvagens dos trapezistas ou os palhaços dos contorcionistas, nunca sabemos distinguir a realidade do ilusinismo. Mas não é um circo digno de se apresentar no Mónaco num espectáculo de caridade, é um circo rasca, onde os artistas andam sempre à bulha, com uns tentando dizer que são melhor do que os outros.
  
No circo não falta o apresentador, um verdadeiro mestre do espectáculo e tal como sucede nos circos de feira é um artista já com demasiados anos de trapézios e cambalhotas para que se consiga aguentar com os artelhos. Mas é um apresentador especial pois a ele se deve uma parte do elenco, aliás, mais zangados ou menos zangados aquilo é tudo da mesma família, o circo, as palhaçadas, o ilusionismo e o contorcionismo corre-lhes no sangue.  Nãosó éo patriarca como ao longo da sua carreira já lançou grandes artistas, um até fazia um número de ilusionismo em que apresentava um grande número, de um momento todos os espectadores metiam as mãos nos bolsos e reparavam que tinham ficado com as carteiras, com um golpe de magia aparecia o dinheiro no bolso dos artistas e até o apresentador descobria que lhe tinham aparecido duzentos mil no bolso sem saber ler nem escrever.
  
Um dos números mais emocionante é o do domador de feras amestradas, entrada com um chicote e desde as feras até ao espectador da última fila é corrido à chicotada. Exibe três perigosas feras, duas já tinham sido amansadas antes do início da tourné, são dois leões a que deram o nome de Rangel e de Aguiar. A mais perigosa fera, aquela na qual o domador dá mais chicotadas, que fica no poste mais alto e que é obrigada a passar pela argola de fogo tem o nome de Paulo. O Paulo bem mostra os dentes e ameaça abocanhar o domador mas leva umas chicotadas e o leão é transformado num gatinho desdentado e com as unhas cortadas.
  
Divertida mesmo é a contorcionista, a senhora tem aquele ar de ter lhe terem metido a cabeça num balde com azeite e consegue fazer tudo com aquele corpinho que Deus lhe deu, nela não há inconseguimentos, consegue tudo. Até consegue contorcer-se toda para convencer os espectadores mais desconfiados, até mesmo aqueles que se sentem ofendidos pelo seu espectáculo. Foi a surpresa do circo, até porque só entrou para o elenco com a caravana já em marcha.
  
Num circo pequeno todos ajudam e se o leão é uma poderosa fera no princípio do espectáculo, logo de seguida tem que fazer outra coisa, desde vender pipocas a varrer a cavalariça. Veja o caso do feroz Portas, ainda está a lamber as feridas das chicotadas e já está alegremente a vender Magalhães aos venezuelanos e passaporte aos chineses de uma tríade que foi ao circo em visita de cortesia, pensando na hipótese de comprar  a companhia. Enquanto o leão Portas vende passaportes aos chineses o leão Rangel foi tirar as pulgas aos dálmatas da contorcionista e o Leão Aguiar foi fazer um número artístico de acrobacia aérea em que no final acaba por cair num alguidar.
  
Apesar de um ter um pouco de circo piolho a companhia até tem um grande número de artistas, temos um tipo com a alcunha de Lambretas a fazer de Homem Invisível pois não se deixa ver nem se sabe o que anda a fazer, temos a magia da Santinha da Horta Seca que não há espectáculo em que não faça algo de milagroso, O Guedes dá o seu espectáculo no trapézio e cada vez que a Maria Luís, cá em baixo, dá um berro o Guedes dá mais uma cambalhota lá em cima.  Depois do trapezista vem a Paula, a atiradora de facas, é só entrar e há logo facada num voluntário, o preferido dela era o bastonário da Ordem dos Advogados que não havia espectáculo em que não fosse convidado a colaborar.~
  
Recentemente o circo contratou mais um artista, ainda não se percebe muito bem qual o seu papel  nem se sabe como vai ser remunerado, mas o José Rodrigues dos Santos que até aqui só tinha amestrado caniches teve logo de mostrar que não andou na BBC para aturar canitos, desta vez decidiu amansar de uma vez a mais perigosa fera do país, o famoso Sócrates, mais conhecido por animal feroz. Mas o pobre do Zé acabou todo arranhado e ainda se foi queixar do bicho para o Facebook. Ao que parece o seu número vai acabar.
 
 

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Chafariz do Largo do Carmo, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Subir Lall, o cobardolas do FMI

O representante do FMI em Portugal revela-se um cobardolas quando estão em causa as rendas excessivas, o homem tem muitos argumentos para discordar de um aumento miserável do salário mínimo, mas quando é questionado sobre os abusos das rendas excessivas fica todo engasgado e não consegue explicar a razão dos recuos excessivos nesse capítulo.

«Na mesma conferência de imprensa, Subir Lall foi questionado sobre as rendas excessivas no setor da eletricidade, reiterando que "tem de ser feito mais" para as limitar, de forma a promover a competitividade.

"O tema das rendas excessivas tem sido recorrente, é verdade. Mas é um tema difícil, sobretudo numa altura em que estão a ser feitas tantas reformas. Muito já foi feito, mas é preciso fazer mais", afirmou o chefe da missão do FMI em Portugal, garantindo estar "esperançado" de que vão ser alcançados avanços nesta matéria na 12.ª avaliação regular ao programa, que se inicia na terça-feira.» [Notícias ao Minuto]
 
 Rui Rio
 
Pela forma como fala até parece que nos últimos 20 anos ou mais em vez de político foi bastonário da ordem dos políticos apolíticos.

 Ora aí está, está a ver? Estava à espera de uma novidade...
 
Passos Coelho declara (aqui) que os cortes de vencimentos e de pensões são temporários.

Está tudo esclarecido, os cortes são temporários, até porque são inconstitucionais! Quem o diz é Passos Coelho.
  
O problema é que o prazo de validade das declarações de Passos Coelho é mais pequeno do que o dos iogurtes e este importante esclarecimento foi dado em 13-09-2012. Como é sabido, desde então foram encontrados desvios colossais e Passos Coelho descobriu uma alínea do memorando que previa estes cortes a título definitivo.
  
      
 A decomposição do açúcar e do sal
   
«Vá lá, isto já não é um governo. É um ajuntamento de pessoas unidas para cumprir o fecho do programa da troika, porque se isso não acontecesse - a manutenção do governo em funções mesmo em estado de colapso - a senhora Merkel ficaria muito aborrecida.

E porque isto já não é um governo, o primeiro- -ministro exclui a descida do IRS e o vice-primeiro- -ministro volta a pô-la em cima da mesa com a naturalidade dos funerais - Sócrates e Teixeira dos Santos tinham menos divergências e acabaram sem se falar (e os dois fora do governo).

Porque isto já não é um governo a ministra das Finanças anuncia novos impostos sobre produtos prejudiciais à saúde (o já chamado imposto das batatas fritas ou o imposto Sumol). Concorda imediatamente o secretário de Estado da Saúde - que não o ministro - elogiando exemplos estrangeiros. E depois, como se fosse a coisa mais normal do mundo, o ministro da Economia António Pires de Lima aparece em público a desmentir a ministra das Finanças - não, não haverá nenhum imposto Sumol no governo a que ele pertence. Em declarações ao Público, Pires de Lima fala em "ficção" que nunca foi "discutida em conselho de ministros". Esquece-se que Passos Coelho e Maria Luís discutem os dois sozinhos, como no caso das pensões indexadas ao crescimento, a notícia que o ministério de Maria Luís "libertou" para abrir caminho ao anúncio formal de Passos Coelho.

O CDS irrevogável deixou- -se, como era de prever, meter no bolso do PSD e do primeiro-ministro, o principal interlocutor dos "nossos credores". A forma como na entrevista, que deu na semana passada, o primeiro-ministro se referiu ao seu vice Paulo Portas não poderia revelar maior distanciamento e desprezo - embora negando-o, para que a proclamação se tornasse mais eficaz. Nenhum cínico mais competente apontaria a ida de Paulo Portas à tomada de posse da presidente do Chile, Michelle Bachelet, como prova de que o vice-primeiro-ministro anda "a trabalhar" e não está submerso no governo em decomposição. Há divórcios litigiosos com muito melhor ambiente.

É este ajuntamento que governa o país e vai a votos no dia 25 de Maio em coligação. Se "sucessivos episódios" ainda fossem justificação para derrubar um governo, esse seria o dia. Mas Passos nunca cederá e Paulo Portas foi irrevogavelmente preso a um pacto de sangue, obrigado pelo partido e pelos credores, até ao fim da troika.» [i]
   
Autor:
 
Ana Sá Lopes.
      
 25 de Abril, sempre!
   
«Esta gente que nos governa detesta o 25 de Abril, o dia fundador da nossa democracia - o dia mais feliz da vida de quem o viveu e de quem não se acomodou à ditadura

Comemora-se esta semana o quadragésimo aniversário do derrube da ditadura salazarista. Uma prolongada ditadura que chegou pela mão de um professor da Universidade de Coimbra, apessoado e bem-falante, seminarista e anti-republicano, depois de um golpe militar que pôs termo à I República, a qual se deixou afundar numa crise política, económica e financeira permanente. Uma ditadura igual a todas as ditaduras, com o seu rol de perseguições políticas, prisões e assassinatos de opositores. De pobreza, analfabetismo e cacete. Inculta e profundamente reacionária.

À medida que nos afastamos no tempo daquela madrugada de Abril, adensa-se cada vez mais, no discurso político e na "análise histórica" elaborados nestes últimos anos, a partir de uns "jovens turcos" acantonados em jornais, revistas e blogues, promovidos a "ideólogos" de outros amanhãs que cantam, o branqueamento da ditadura e a desvalorização do significado do dia 25 de Abril, enquanto data fundadora da nossa democracia. O desbragamento e a falta de vergonha e de memória assumiram tais proporções que até Durão Barroso, ex-presidente do PSD, ex-primeiro-ministro de uma coligação dos partidos que nos governam e ainda presidente da Comissão Europeia louvou, descontraidamente e sem corar, a "excelência" do ensino em tempo de ditadura. O velho ditador de Santa Comba Dão, lá na tumba onde expia os seus pecados, deve ter aplaudido o reconhecimento póstumo e gracejado, à sua maneira, sobre os discípulos que por cá deixou.

Os jovens turcos que sustentam ideologicamente este governo sempre se sentiram incomodados com o 25 de Abril, com os militares que executaram o golpe de Estado que derrubou a ditadura e com o povo que o transformou numa revolução. Recusando liminarmente o entendimento de que a democracia é o regime que dá espaço de luta a todas as expressões políticas - o que aconteceu a partir daquele dia de Abril -, começaram por teorizar que só a 25 de Novembro de 1975 nasceu a democracia, quando os comunistas são metidos na ordem democrática. Depois, cimentada a ideia, e após a elaboração de muitos estudos, concluíram que, afinal, a democracia só existiu em Portugal depois de 1982, altura em que foi extinto o Conselho da Revolução. Mas não se ficaram por aqui. Mais tarde, começaram a falar em 1985, altura da assinatura do Tratado de Adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia, como a data fundadora da democracia. De imediato, empurraram-na mais um ano, para 1986, com a eleição de Mário Soares, o primeiro chefe de Estado civil. E a seguir transferiram a data para 1989, aquando da revisão constitucional de 1989, a qual flexibilizou a garantia das nacionalizações.

Mas, mesmo assim, depois de transferirem o 25 de Abril de 1974 para 8 de Julho de 1989, os jovens turcos, os ideólogos deste governo, em sintonia com os principais banqueiros, encabeçados por Fernando Ulrich, insistem ainda que o voto dos portugueses está condicionado pela Constituição: um governo eleito não pode fazer o que quer, tem de subordinar a sua actuação a uma constituição "socialista e marxista", pelo que devemos aguardar que nos indiquem uma nova data para irmos beber um copo em comemoração da instauração da democracia.

Esta gente que nos governa detesta o 25 de Abril, o dia fundador da nossa democracia - o dia mais feliz da vida de quem o viveu e de quem não se acomodou à ditadura. Uns procuram disfarçar essa aversão, com um palavreado redondo, do tipo: "Sim, o 25 de Abril, mas foi só a libertação, não a liberdade ou a democracia"; outros, já enaltecem os feitos da ditadura. E foi aqui o cais a que aportámos, quarenta anos depois. Este governo e os seus ideólogos estão a aplanar o terreno para que o povo diga, como no fim da monarquia, como escreveu Raul Brandão: "Venha tudo, venha o pior, venha o diabo do Inferno que nos livre disto!"» [i]
   
Autor:

Tomás Vasques.
   
   
 Mais uma a bater na ceguinha dos swaps
   
«A ministra da Agricultura e do Mar, Assunção Cristas, afirmou hoje que a taxa sobre produtos alimentares considerados nocivos para a saúde é uma “não questão”, salientando que este assunto não foi abordado em Conselho de Ministros.

“Posso dizer que essa matéria não foi discutida no Conselho de Ministros e, portanto, eu creio que não vale a pena estarmos a falar sobre aquilo que, na minha perspetiva, é, neste momento, uma não questão”, disse Assunção Cristas, em Pombal.» [i]
   
Parecer:

Coitada da Maria Luís, não há gato pingado que não lhe tire o tapete, até parece que o CDS se juntou para lhe partir uma perna. Já só falta o Lambretas dar uma aceleradela sobre o tema.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
     

   
   
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