quinta-feira, setembro 21, 2017

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Catarina Martins, líder do BE

Catarina Martins cuspiu para o ar e depois ficou muito admirada porque Jerónimo de Sousa fez suas dores que não lhe pertenciam. É a consequência de se falar com ar de quem autoridade sobre todas as matérias, mas evitando dar a cara.

Acabou por assegurar que o BE não ataca o PCP, isto é, um grupo de movimentos que nunca reconheceram o estatuto de partido comunista ao PCP, a que se juntaram alguns dissidentes daquele partido, vem assegurar que a seus objetivos políticos não colidem com o PCP ou com a sua existência. Enfim, o disfarce levado ao limite.

«A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, disse nesta terça-feira não perceber o porquê de o secretário-geral comunista ter tomado as dores dos "autarcas que se calaram perante as maldades da troika", rejeitando atacar o PCP, com quem tem caminhos convergentes.

O líder do PCP, Jerónimo de Sousa, iniciou a campanha eleitoral da CDU em defesa dos autarcas e do trabalho desenvolvido localmente, acusando Catarina Martins de ignorância quando disse, na segunda-feira, estar "absolutamente chocada" com o "silêncio cúmplice" da generalidade das autarquias enquanto eram destruídos os serviços públicos.

"Eu critiquei autarcas que se calaram perante as maldades da troika. Jerónimo de Sousa tomou-lhe as dores, não percebo bem porquê e decidiu atacar o Bloco de Esquerda. Nós temos outros adversários e temos também caminhos convergentes para fazer juntos", respondeu Catarina Martins aos jornalistas, no final do comício desta noite da campanha autárquica em Gondomar, no distrito do Porto.» [Público]

 Ainda que mal pergunte

O ue será feito do programa de comentários de Paulo Portas na TVI? Lembro-me de ser notícia que o estúdio já estava desenhado e montado...

      
 Mais dois doutores da mula russa?
   
«A Inspeção Geral da Educação está a investigar as licenciaturas de mais dois altos dirigentes da Proteção Civil devido ao volume de equivalências concedidas, avança o jornal “i” esta quarta-feira.

Luís Belo Costa e Pedro Vicente Nunes, nomeados este ano comandantes operacionais de agrupamento distrital do Centro Sul e do Centro Norte, são licenciados em Proteção Civil pelo Instituto Politécnico de Castelo Branco - a mesma instituição de ensino superior que concedeu por equivalências quase 90% da licenciatura do demissionário comandante nacional da Protecção Civil, Rui Esteves.

Segundo o IPCB, os dois altos dirigentes da Proteção Civil também concluíram uma parte significativa da sua licenciatura através da atribuição de equivalências por experiência profissional. A Inspeção Geral da Educação foi na terça-feira ao Politécnico de Castelo Branco para recolher os processos académicos de ambos.» [Expresso]
   
Parecer:

Este instituto de Castelo branco é um verdadeiro regabofe.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

quarta-feira, setembro 20, 2017

Guinadas

Marcelo foi a Andorra para brincar com Passos Coelho enquanto lhe mandava um recado, queixa-se o Presidente em tom de brincadeira que de vez em quando dá umas guinadas à direita e por cá ninguém repara, sugerindo que PSD e CDS não aproveitavam a boleia. A mensagem era clara, ainda que transmitida em tom de brincadeira e lembrando os melhores tempos de Marcelo, quando se divertia a criar fatos políticos.

Se fosse em tempos de fartura de poder Passos Coelho teria dito logo “estão a ver, o gajo é mesmo um catavento, nunca se sabe para que lado o vento vai soprar!”. Mas depois de dois anos de sofrimento e com tudo a correr-lhe mal Passos deixou de ser o primeiro-ministro arrogante, convencido que sem o seu apoio ninguém seria presidente. Agora é uma espécie de sem abrigo, um líder político sem ideias, que anda nos caixotes do lixo das ideologias em busca de salvação, ultimamente até se tem sujeitado a apoiar o Ventura e a praguejar contra os imigrantes, o equivalente para um” social-democrata” a comer uma sopinha servida pela Isabel Jonet.

Desta vez Passos Coelho engoliu o orgulho e comeu o pão que o diabo amassou, esqueceu mais de dois anos de ofensas, deixou para trás o orgulho ofendido com a dispensa de participar nas presidências e a raiva de ver Costa a segurar o chapéu de chuva para que Marcelo não ficasse molhado com a morrinha que caiu e aproveitou o discurso de Marcelo. 

Em mais um momento de Pilatos Marcelo elogiou os dois governos a propósito da notação da S&P e Passos não perdeu tempo para deixar de andar à bolina, para andar de vento pela poupa. Curiosamente, Marcelo não partilhou a opinião de Passos, que desta vez em vez de praguejar contra as reversões chamou a si todo o mérito, culpando o atraso de dois anos.  Mas Marcelo engoliu em seco e colou-se rapidamente a Marcelo.

Resta agora saber se Marcelo se cola a um Passos cuja agenda política recorre cada vez mais a causas típicas do populismo da extrema-direita ou se prefere dar uma contra guinada à esquerda fugido de Passos como se fosse sarna. Enquanto a própria Assunção Cristas de demarca de Passos, deixando de apoiar a candidatura a Loures e tendo um discurso mais convergentes em temas como a imigração ou o OE, Passos não perdeu tempo para aproveitar as lufadas vindas de Belém e foi a Viana do Castelo iniciar a campanha autárquica com a sua nova bandeira da imigração.

Parece que Passos aproveita o discurso de Marcelo de uma forma estranha, cada vez que o Presidente dá uma guinada à direita Passos dá outra para a extrema-direita e se não fossem os rapazes esganiçados da JC até se diria que a social-democrata é a líder do CDS. Quer em Lisboa, quem no resto do país a Assunção Cristas esta á ganhar aos pontos a um Passos Coelho que com os assessores a fugirem dele começa a ser um político vulgar e sem ideias que tem de recorrer ao Aguiar-Branco para parecer alguém.
  

André e Pedro, ponham os olhos em VRSA!

Em Vila Real de Santo António sempre houve famílias de ciganos instalados e plenamente integrados, não me recordo de existir discriminação ou quaisquer motivos de queixa. Até tenho um dedo marcado por ter sido entalado no portão da escola, o coitado do Garcia¸ um cigano meu colega, fechou o portão sem querer e fiquei com metade do dedo pendurado. Se fosse hoje e em Loures até o Passos Coelho lá iria em solidariedade com as vítimas dos ciganos.

Mas não é por isso que sugiro a Passos Coelho e André Ventura que ponham os olhos em Vila Real de Santo António, um pequeno concelho em comparação como o de Loures, a nova Gomorra da extrema-direita fina que agora lidera o PSD. É porque Vila Real de Santo António deveria ser apontado por Passos Coelho como o modelo das suas ideias, ainda que saibamos que o homem é ideologicamente bipolar.

A São e o Luisinho gozam tanto de ciganos que sentiram a necessidade de promover a diversidade étnica no conselho, como na terra ninguém precisava de habitação e era preciso dar um exemplo a gente como o André Ventura foram ao Alentejo buscar mais de uma centena de cidadãos da comunidade cigana e deram-lhes casa no concelho.

Hoje são cidadãos perfeitamente integrados, apesar de desempregados não passam por quaisquer necessidades, quando precisam de comer vão à churrasqueira local, pedem os frangos assados e mandam a conta para a autarquia. Esta faz-me lembras uma anedota de infância, quando o Dorilo imitou a voz do Machadinho, filho do comandante dos bombeiros dos anos 50 do século passado, encomendado uma dúzia de frangos para lhe entregarem em casa.

A nova comunidade cigana de VRSA é uma comunidade exemplar e muito apreciada pelo PSD local, o seu empenho é tanto que no passado dia 14 estiveram em massa na refeição de lombo assado servido na apresentação da candidatura. Eram mais de uma centena a aplaudir e a elogiar a São. A pobre rapariga mereceu, até se inspirou no Bruno de Carvalho que escolheu o dia do Sporting para o seu casamento, fez a apresentação da candidatura no dia do seu aniversário. Uma ternura.

Pois é André , nas próximas eleições faz como a São, defende a instalação da comum idade cigana de Lisboa e arredores em Loures, manda o pessoal mudar o recenseamento para aquela terra, vais ver que tens os comícios do lombo assado apinhados e a vitória garantida e ainda ganhas uma medalha do Marcelo. Até podes aproveitar e contratas o Maduro local, uma espécie de Tony Silva, um rei da musica local com sotaque das Caraíbas, vais ver que entre subsídios, casas, frangos assados e subsídios ganhas as eleições com uma perna às costas! Não sejas parvo, faz como a São.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Estudantes de medicina da Universidade de Lisboa

Usar imagens de tortura como protesto contra esta prática pode não ser a melhor opção, mas seria aceitável. O que não é aceitável é que a imagem da tortura seja banalizada usando-a como divertimento, neste caso como uma aceitação de caloiros na sua nova vida profissional. Reproduzir na Rua Augusta as imagens de Abu Ghraib ou das execuções do DAESH, ainda que com camisolas amarelas, tornando essa simulação numa exibição para divertimento de quem passa na Rua Augusta foi uma opção miserável dos estudantes praxistas da Faculdade de Medicina.

Está-se a tornar moda os praxistas usarem a Rua Augusta para transformarem as suas idiotices em espetáculos públicos para turista ver, desta vez foi um espetáculo miserável, tanto mais que sendo estudantes de medicina seria de esperar que tivessem mais um danoninho de cultura. Talvez por isso estivessem de consciência pesada, permitiam aos turistas que fotografasse o espetáculo degradante, mas quando viram uma máquina com ar profissional fizeram tudo para evitar fotografias.




 Não havia necessidade

Qualquer cidadão que ainda suporte a malfadada sobretaxa recorda-se que a promessa deste governo era acabar com ela em finais de 2016, mas a prendinha no sapatinho do OE de 2017 foi a continuação da sobretaxa. As famílias do 4.º escalão vão ter de a suportar até Novembro.

Centeno usou o fim adiado da sobretaxa para que as 90 famílias que ainda a suportam fiquem agradecidas e isso foi um erro, uma boa oportunidade de ficar calado. Em primeiro lugar que ofende aqueles que ainda estão em regime de austeridade e em segundo lugar porque é tecnicamente mentira. O tal alívio fiscal termina antes do final de 2017, isto é, termina em Novembro, isto é, o alívio fiscal surge um mês antes da entrada em vigor do OE para 2018.

 A Teresa na Quinta do cabrinha

Teresa Leal Coelho, de quem se diz ser candidata do PSD à autarquia de Lisboa, escolheu a quinta do Cabrinha para uma cerimónia tristonha de apresentação do seu programa. Foi pouco mais do que um faz de conta paras as televisões, lá estavam os funcionários do partido, as velhinhas olhavam de soslaio a partir das janela e a suposta candidata lá fez o seu discurso. Para apimentar a visita e a título de prova de qual a candidata se preocupa com os pobres, lá se fez um passeio pelas caves de um dos edifícios, com a locutora a mostrar lixo e dizendo que as casas estavam degradadas.

É uma pena que a a candidata do PSD não tenha ido a um bairro social cuja construção tenha sido da iniciativa do seu partido, provavelmente porque não haverá nenhum ou porque estão todos em excelentes condições. A quinta do Cabrinha foi obra do mandato de João Soares, ainda que de pouco lhe tenha servido ao então candidato, a inauguração ocorreu em vésperas de eleições autárquicas e os residentes aproveitavam o interesse das televisões para reivindicar e protestar. Quem tinha um T2 precisava de um T3, quem tinha um T3 queria um T4 porque queria ter mais um filho e por aí adiante.

Este bairro social foi muito útil ao PSD quando Santana chegou a presidente da CML e talvez por isso tenha inspirado Teresa Leal Coelho, ainda que desta vez não havia casas para distribuir e o povo não veio para a rua. Restou à candidata tentar passar a imagem de desleixo, mostrando caves com lixo, como este tivesse sido ali depositado por Medina ou como se nalgumas casas a obrigação da limpeza em vez de caber aos residentes coubesse à CML, como se o regime dos bairros sociais fosse o de "cama, comida e roupa lavada".

Em Lisboa há muitos milhares de prédios com muitos mais anos do que os da Quinta do cabrinha, mas as caixas de correio estão inteiras, as paredes estão limpas, as partes comuns dos prédios estão lavadas e o lixo não se cumula. São casas onde vive gente que pagou a casa com sacrifício ou que suporta rendas por vezes elevadas, mas que assume as responsabilidades por cuidar do que é seu e do que não é, que limpa o que suja e repara o que estraga.

É lamentável que em Loures o PSD recorra ao racismo para atirar os eleitores contra os ciganos e em Lisboa a candidata do mesmo PSD se venha socorrer de um bairro social e use a degradação dos prédios de que os responsáveis são unicamente os seus residentes para de forma subliminar atacar a edilidade. A isto chama-se jogo sujo eleitoral.

Vale a pena ler a notícia do Público sobre a apresentação do programa, um espetáculo ridículo.

 A frigideira da Baixa de Lisboa

Do Cais do Sodré até ao Chafariz d'El Rei a Baixa de Lisboa está sendo transformada numa frigideira, em frente à estação Sul- Sueste há uma placa de cimento sem uma única sombra, o Terreiro do Paço é outra placa de cimento sem uma sombra, o Campo das Cebolas émeio placa de cimento e meio relvado com uns quantos pinheirinhos depenados.

Tenho a impressão de que os arquitetos da CML devem sofrer de alergia ao pólen e odeiam árvores.

 Desprezo canino

O embaixador da Guiné-Bissau acusou Portugal de ter um desprezo canino e avisou de que era um Estado. Ainda bem que avisou, pela forma como falou poderíamos ficar a pensar que era um canil.

      
 Estabilidade psicossomatica 
   
«O vice-presidente da câmara de Manteigas, José Manuel Cardoso (PSD), foi representar a autarquia numa viagem Paris, mas levou o próprio carro e cobrou mais de 1000 euros ao município só em quilómetros. No total, o vice-presidente gastou 1.842 euros em despesas com a viagem. Na Assembleia Municipal, José Manuel Cardoso chegou a justificar que estava apenas a “fazer poupanças” a favor de uma câmara “pequenina” e que tinha “fotocópias” que demonstravam que a viagem de avião a Paris teria ficado em 3.060 euros por ter levado mais pessoas no carro. Ao Observador acrescentou que o seu carro pessoal lhe dá mais “estabilidade psicossomática.”

A viagem foi em outubro de 2014 e, segundo explica o vice-presidente da autarquia em respostas enviadas ao Observador, tratou-se de uma “ação de promoção das Beiras e Serra da Estrela e da Beira Baixa para mostra, divulgação e comercialização de produtos endógenos, enquadrada numa missão promovida pelo jornal do Fundão”. O evento, acrescenta o número dois da autarquia, tinha “a colaboração e apoio institucional das Comunidades Intermunicipais da Beira e Serra da Estrela e da Beira Baixa, em parceria com a Embaixada de Portugal em Paris, a Câmara de Paris, o Instituto Camões e outras entidades oficiais e particulares, designadamente empresários, mas também todas a associações de emigrantes portugueses de França e de Paris.” José Manuel Cardoso esclarece ainda que “ao município de Manteigas incumbiu designadamente ofertar e transportar todo o pão a consumir nos eventos“.» [Observador]
   
Parecer:

Pobre doente...
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Marque-se uma consulta e reserve-se vaga na enfermaria dos idiotas no Júlio de Matos.»

terça-feira, setembro 19, 2017

Estava-se mesmo a ver

Era mais do que óbvio que o esquema dos vistos gold iria atrair a nata da criminalidade mundial, compravam uma casa em Portugal e tinham direito a residência e a circular livremente na Europa. O dinheiro fácil começou a aparecer, houve quem se dedicasse ao negócio da intermediação e o Paulo portas dizia cobras e lagarto de quem ousasse criticar o esquema.

O negócio atraiu os do costume e lambuzaram-se de tal forma que alguns, incluindo um ministro de Passos Coelho estão a contas com um processo judicial, tendo dado lugar aos primeiros casos de corrupção ao mais alto nível do Estado. As grandes imobiliárias ficaram excitadas e algumas boas famílias decadentes venderam os seus palacetes a bom preço.  Agora sabe-se que a Comissão Europeia está preocupada com a concessão de vistos gold a gente corrupta.

Paulo Portas desancava em quem ousava criticar o esquema e designava o esquema por investimento. Entretanto, Paulo Portas desapareceu, muito provavelmente anda a fazer negócio com “investidores” do género que os vistos atraíram, o esquema ainda existe, mas os resultados são mais do que escassos.

Que investidores queremos para Portugal? Chineses que enriqueceram à pressa, brasileiros em fuga ou generis angolanos? Isto é o lúmpen do capitalismo, figuras falhadas da corrupção que sentem a necessidade de assegurar uma fuga provável e de garantir um local onde possam viver tranquilos. Chamar a isto investidores é gozar com o país.

Não é destes investidores que Portugal precisa, esta gente não traz qualquer progresso e as suas empresas prosseguirão no país com os esquemas fáceis com que enriqueceram nos seus países de origem. Portugal precisa de bons investidores, gente que traga know how, competitividade, atividades de alto valor acrescentado, empresas que apostem na qualificação, na investigação. É nestes investidores que Portugal deve apostar e para isso é preciso muito mais do que vistos com mel para corruptos.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Mário Centeno, ministro generoso

Enquanto os declarantes de rendimentos mais baixos se escaparam a cortes de vencimentos beneficiaram da eliminação rápida e da sobretaxa, anunciando-se agora reduções do IRS que suportam, os que tiveram os maiores cortes de vencimento ainda suportam parte da sobretaxa e agora são gozados com a declaração de que iria haver um desagravamento fiscal em todos os escalões.

Tive o cuidado de ler bem as declarações e considerar como desagravento fiscal a eliminação de uma sobretaxa cuja eliminação estavam anunciada só pode merecer uma gargalhada. De um ministro  como Centeno foi uma argolada inadmissível. Será que devo ficar-lhe grato por ter adiado o fim da sobretaxa e agora iludir-me falando de desagravamento fiscal?

A inteligência dos cidadãos deve ser tratada com mais consideração.

 Dúvidas que me atormentam

De certeza que a Teresa Leal Coelho ainda é candidata a Lisboa?

Algum dirigente do PSD e do CDS criticou as agências de notação por não tirarem a dívida do lixo nos últimos dois anos? 

      
 No melhor pano cai a nódoa
   
«O grupo Cofina, que entre outras publicações detém o "Correio da Manhã", o "Record" e a "Sábado", deve ao Fisco cerca de 13,5 milhões de euros, depois da sua adesão ao Plano Especial de Redução do Endividamento ao Estado (PERES), um programa lançado pelo Governo de António Costa em novembro do ano passado com o objetivo de cobrar dívidas antigas das empresas.

Apesar de o grupo liderado por Paulo Fernandes ter pago cerca de 3,6 milhões de euros no âmbito do PERES, a Cofina Media continua com um penhor das Finanças por dívidas ao Fisco e à Segurança Social, tendo em 2016 constituído provisões de três milhões de euros para fazer face às divergências com o Estado.

Segundo o relatório e contas de 2016 da empresa, mantêm-se "em aberto divergências com a Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) na sequência de uma inspeção incidente sobre o exercício de 2007 em sede de imposto sobre o rendimento das pessoas coletivas (IRC), cujo montante questionado inicialmente pelas autoridades fiscais ascendia a, aproximadamente, 17 900 000 euros".» [JN]
   
Parecer:

Quem diria?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um peditório no MP.»
  
 Anda, anda e ainda vai para a geringonça
   
«"O CDS em todas as medidas do Orçamento do Estado que faziam sentido para os portugueses teve uma posição favorável, em muitas foi contra e em muitas absteve-se", afirmou Assunção Cristas aos jornalistas, durante uma ação de campanha à Câmara de Lisboa, à qual se candidata encabeçando a coligação "Pela Nossa Lisboa" (CDS-PP/MPT/PPM).

A líder centrista, que já tinha defendido uma baixa de impostos em todos os escalões do IRS, numa intervenção há mais de uma semana, disse o partido não tem qualquer problema "em votar pontualmente medidas que pareçam oportunas".

"Votámos, por exemplo, também as medidas relacionadas com o fim da sobretaxa que, aparentemente, só com este Orçamento do Estado é que vai terminar. As nossas votações têm sido consistentes com aquilo que é importante para os portugueses, nomeadamente, ao nível do desagravamento fiscal", argumentou.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Aos poucos e quando lhe dá jeito Assunção Cristas demarca-se do PSD.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

 Sócrates entra na campanha
   
«José Sócrates deixa esta segunda-feira fortes críticas ao Ministério Público, acusando-o de uma “golpada repugnante” no que diz respeito à investigação que envolve a aquisição de um T4 duplex por Fernando Medina, atual presidente da Câmara Municipal de Lisboa e candidato pelo Partido Socialista às eleições autárquicas na mesma cidade. 

À semelhança do método utilizado há duas semanas, quando colocou vários vídeos a justificar a relação do governo que liderou com a Portugal Telecom, o antigo primeiro-ministro volta a recorrer ao YouTube para expor a sua opinião relativamente à atuação do Ministério Público. Para Sócrates, a recente polémica criada em torno de Fernando Medina representa uma “armadilha política” de que o próprio diz já ter sido alvo.

Segundo José Sócrates, a “golpada” começa quando “alguém escreve uma denúncia anónima que remete ao Ministério Público. Mais tarde, o denunciante, ou o próprio Ministério Público, fá-la então chegar a um jornalista, que por sua vez divulga o conteúdo dessa denúncia anónima. Seguidamente, num terceiro andamento, um outro jornalismo ou o mesmo questiona então o Ministério Público que, solícito, confirma ao jornalista que recebeu a denúncia e que abriu a competente investigação”.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Resta saber o que pensa Medina.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se.»

 Cobrar primeiro  e responder depois?
   
«O Adicional ao Imposto Municipal sobre Imóveis (AIMI), cobrado este ano pela primeira vez, continua envolto em polémica, agora por falta de capacidade de resposta do sistema das Finanças às reclamações apresentadas para actualização das matrizes prediais. O prazo de pagamento do imposto termina no fim deste mês de Setembro. E para quem pediu a actualização da matriz (apenas possível em algumas situações) coloca-se a dúvida de saber se devem aguardar pela resposta à reclamação para pagar o imposto ou se devem fazê-lo já. Nos serviços não há uma orientação para dar resposta às dúvidas dos contribuintes.

Com a actualização das matrizes e o pedido de reclamação graciosa (para rever o imposto), alguns contribuintes podem ficar isentos ou pagar menos (o adicional do IMI incide sobre o património acima dos 600 mil euros para os solteiros e para um contribuinte com tributação individual, ou 1,2 milhões de euros para casal em tributação conjunta).

A actualização das matrizes pode ser pedida pelos contribuintes casados ou em união de facto que tenham prédios registados de forma errada ou incompleta. São várias as situações em causa, como, por exemplo, prédios que embora pertençam aos dois elementos do casal apenas estão registados no nome de um deles, ou quando o casal optou pela comunhão total de bens e há prédios anteriores ao casamento apenas no nome de um dos cônjuges; o mesmo pode acontecer quando os imóveis foram vendidos e ainda não foi feita a alteração da propriedade.» [Público]
   
Parecer:

É uma pena que o fisco tenha duas velocidades, uma para cobrar e executar, outra para responder a reclamações e devolver.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Avalie-se.»

 Obrigadinho pela informação
   
«As reacções dos protagonistas do sistema financeiro foram positivas, mas dominadas pela cautela. Em Bruxelas fala-se em “primeiro passo” e em “continuar a trajectória”. Em Lisboa, a presidente do Instituto de Gestão de Crédito Público (IGCP), Cristina Casalinho, explica ao PÚBLICO que a decisão da S&P só terá impacto profundo no custo do financiamento da República quando for acompanhada por outra agência de classificação de dívida, como a Moody’s ou a Fitch.

A S&P decidiu na sexta-feira tirar Portugal do “lixo”, revendo em alta o rating atribuído à dívida soberana portuguesa de 'BB+' para 'BBB-', o primeiro nível de investimento, permitindo à dívida portuguesa passar a ser vista como elegível para investimento por uma das três principais agências de rating mundiais. Segundo Cristina Casalinho, é preciso mais. “Para a entrada nos índices de governos, é necessário que pelo menos duas agências de rating tenham Portugal em Investment Grade [nível de investimento] e normalmente as que contam são a S&P e a Moody’s. Vamos ter de esperar pela decisão de ambas”.» [Público]
   
Parecer:

O que seríamos de nós sem o seu esclarecimento.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Números interessantes
   
«Pedro, de 19 anos, natural do Porto, vive em Lisboa há um ano, desde que entrou no curso de Engenharia Agronómica, e até ser contactado pelo DN nunca tinha parado para pensar quanto é que gasta por mês. Faz rapidamente as contas: "Cerca de 830 euros, se incluir a prestação das propinas. Fica caríssimo, é uma despesa muito elevada". Este é um dos exemplos do que pode custar a vida de um universitário em Lisboa, a cidade onde, de acordo com as estimativas dadas ao DN, os estudantes precisam de mais dinheiro para viver. Na capital, e um pouco por todo o País, há ainda o problema da falta de quartos e dos preços cada vez mais elevados devido ao turismo.

Regressando ao caso de Pedro, o estudante "não tinha a mínima noção que gastava tanto", já que são os pais que pagam diretamente algumas despesas. "São 350 euros para alojamento, com limpeza duas vezes por semana; 150 para alimentação; 30 para transportes; 92 para as viagens a casa; 30 para ginásio; 80 para jantares e noite; cerca de 100 euros de propinas".» [DN]
   
Parecer:

Estes números provam que são os mais esquecidos pela política económica que mais apostam na educação.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Analise-se.»