quarta-feira, dezembro 13, 2017

TUDO ISTO ENOJA

Uma senhora cheia de glamour que parecia planar ao lado de damas da corte, uma associação cheia de sucesso que todos queriam financiar, premiar e visitar, um governante embeiçado e bem remunerado, massagens revigorantes num SPA de luxo, passeios apaixonados à beira-mar. A senhora exagerou na dose e agora faz companhia ao Ricardo Salgado, ninguém se deixa ver ao seu lado, os que a bajulavam agora são os piores verdugos, os que encheram álbuns de fotos comprovativos de muitos afetos exigem agora investigações pormenorizadas, como se na justiça houvesse uma ementa de investigações.

Tudo isto é pode e não estamos perante a ponta de um icebergue, isto é mais o cume de uma montanha de lixo. Não estamos apenas perante um caso de oportunismo, estamos também perante um espetáculo degradante onde são poucos os que se escapam. É tão miserável a senhora que decide tirar a barriguinha de misérias como os que lhe querem suceder, os que se zangaram depois de muitos abusos ou os que querem tomar o lugar ao lado da Leticia.

As almas caridosas do mundo empresarial que cheias de amor e afeto para dar alegravam as contas da associação com chorudos donativos e prémios de todos os tipos, os que queriam aparecer associados a uma instituição que era escolhida para visitas de cabeças coroadas dedicadas à caridade, fogem agora da associação como o diabo foge da cruz. Que se lixem as crianças e jovens deficientes, as vítimas das doenças raríssimas, vou ali e já venho.

Não sei se o senhor administrador que abandona a empresa porque a Leticia já lá não volta é menos perverso do que a bonitona que gostava de luxo. Não sei se os que à boa maneira portuguesa fizeram a cama à rapariga são mesmo almas caridosas e impolutas ou sofredores de uma doença mais nacional e menos rara do que a doença dos pezinhos, a penosa dor de corno.

Sei que tudo isto é um espetáculo degradante que nos devia enojar, que devia envergonhar os que andam a fazer de conta que de nada sabiam ou que nada viam. Estamos a assistir de novo ao espetáculo que esteve em cena na fase final do BES, quando os que iam à missa na capela do Ricardo fugiram a sete pés, quando os que adoravam animar os jantares dos banqueiros passaram a fazer de conta que o desconheciam e deram agora em voluntários das noites frias, quando os que o bajulavam e recebiam benesses se transformara num momento nos seus algozes.


Esta caso nada tem de raro, é a fotografia de muita miséria que graça na nossa melhor sociedade, sejam senhoras de boas famílias, esposas de gestores bem-sucedidos, presidentes e primeiras-damas, banqueiros, princesas e rainhas, jovens políticos ambiciosos especializados no exercício de cargos pro bono ou candidatos ministeriáveis. Tudo isto retrata a nossa miséria em todo o seu esplendor e devia ser motivo de vergonha.

UMAS NO CRAVO E OUTRAS NA FERRADURA



 Jumento do Dia

   
Manuel Delgado, assessor da Raríssimas

Desde a primeira hora que era óbvio que o secretário de Estado seria um caso raríssimo se conseguisse sobreviver, desde que se soube do que ganhara como assessor da associação que eram óbvias as suas ligações pessoais à presidente da instituição. Que sirva de exemplo para os que envolvem nos negócios da IPSS.

«O secretário de Estado da Saúde Manuel Delgado, que viu o seu nome envolvido na polémica da Raríssimas, está de saída do Governo. O governante sai depois da reportagem da TVI denunciar alegadas irregularidades nas contas da instituição por parte da presidente na Associação Nacional de Deficiências Mentais e Raras, Paula Brito e Costa, e de ser confrontado pela jornalista da TVI sobre “viagens que terá feito com a presidente da Raríssimas. O gabinete do primeiro-ministro já “aceitou o pedido de exoneração” e informou que a substituta será Rosa Augusta Valente de Matos Zorrinho, até aqui presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARS LVT).

O pedido de exoneração foi apresentado pelo próprio e o Presidente da República já aceitou. “O Presidente da República aceitou hoje [terça-feira] as propostas do Primeiro Ministro de exoneração, a seu pedido, do Secretário de Estado da Saúde Manuel Martins dos Santos Delgado e de nomeação para o mesmo cargo da Dra. Rosa Augusta Valente de Matos Zorrinho”, que tomará posse já esta tarde, pelas 19h30, lê-se na nota publicada na página da Presidência.» [Observador]

      
 E quantas auditorias fizeram à Raríssimas
   
«De acordo com os dados do Ministério do Trabalho e Segurança Social, entre 2015 e novembro de 2017, o Departamento de Fiscalização realizou mais de 1615 ações de fiscalização a instituições particulares de segurança social (IPSS).

Destas operações, resultaram 46 propostas de suspensão de acordos e 71 propostas de destituição de corpos gerentes em IPSS, apresentadas junto do Ministério Público territorialmente competente.

Foram, ainda, levantados 1.710 autos de contraordenação e 61 de ilícitos criminais.

O Ministério do Trabalho e Segurança Social entregou à associação Raríssimas mais de 2 milhões de euros desde 2013. Os dados enviados ao Expresso pelo gabinete de Vieira da Silva demonstram que a instituição de solidariedade social recebeu dinheiro do Estado através do Centro de Atividades Ocupacionais, do Lar Residencial e da Residência Autónoma que totaliza mais de 1,9 milhões de euros.» [Expresso]
   
Parecer:

Perante o escândalo da Raríssimas o Ministério do Trabalho apressou-se a divulgar o número de auditorias que foram feitas a IPSS. Só não disseram quantas vezes a Raríssimas foi auditada, já que recebeu muito dinheiro do Estado.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aposte-se que as auditorias à Raríssimas foram raríssimas.»
  
 A  fuga da LIFT
   
«O caso foi denunciado numa reportagem da TVI, que refere que quando Paula Brito e Costa, presidente da Raríssimas, foi contactada, a Lift assumiu o papel de intermediário. Agora, a agência assume que participou nessa mediação entre a estação de televisão e a associação, mas sublinha que se tratou “mais uma vez um trabalho pontual, pro-bono, que se extinguiu nesse momento”.

“A Lift apoiou a associação num pedido de entrevista solicitado pela TVI. Foi, mais uma vez um trabalho pontual, pro-bono, que se extinguiu nesse momento. A Lift não tem nem nunca teve um mandato de representação da Raríssimas”, informou a agência, que diz “sempre trabalhou com várias associações de carácter social em regime de pro-bono, de forma pontual ou permanente”.» [Expresso]
   
Parecer:

Na reportagem da TVI o senhor da LIFT portou-se como um verdadeiro Pitbull, agora foge como se fosse uma ratazana.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 Pobre senhora
   
«A presidente da Raríssimas, Paula Brito e Costa, decidiu deixar o cargo na sequência da polémica gerada pelo alegado uso de dinheiros da associação para gastos pessoais. O caso foi revelado no sábado pela TVI.

Ao início da tarde, em declarações ao Expresso, Paula Brito e Costa disse-se vítima de “uma cabala muito bem feita”.

“Deixo à Justiça o que é da Justiça, aos homens o que é dos homens e ao meu país uma das maiores obras, mas mesmo assim vou. Presa só estou às minhas convicções”, declarou a presidente da Raríssimas.» [Público]
   
Parecer:

Expulsa do Jet Set e a ter que pagar as contas do SPA com o seu dinheirinho.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 O outro lado do negócio
   
«A polémica foi conhecida depois de uma reportagem da TVI que denunciava que Paula Brito e Costa teria usado dinheiro da instituição sem fins lucrativos e com apoios públicos em proveito próprio, para fazer compras e ter uma vida de luxo. No momento em que a jornalista da TVI se encontrou com Paula Brito e Costa para a entrevista onde faria o contraditório sobre a gestão do dinheiro, o intermediário entre a associação e a jornalista é o CEO da Lift, Salvador da Cunha, que questiona Ana Leal sobre quais as perguntas que pretende fazer à presidente. Quando a jornalista recusa revelar em concreto quais as questões, o assessor é gravado a chamar-lhe “pulha”.

Segundo a reportagem, Salvador da Cunha assumiu o papel de assessor da Raríssimas depois de Paula Brito e Costa ter cancelado a primeira entrevista agendada com a TVI e ter remarcado um segundo encontro com a jornalista Ana Leal. O CEO da consultora de comunicação pede então à jornalista que lhe forneça as perguntas que pretende fazer à presidente da Raríssimas, o que ela recusa.

Salvador da Cunha também reagiu imediatamente à reportagem no Twitter emitida no último sábado à noite: “A TVI faz emboscada, tem a faca e queijo na mão e faz o frete de uma parte numa guerra de poder”, começou por escrever na rede social. O CEO da Lift acusa o canal de ter usado “provas falsas e exageradas” e ter feito montagens na reportagem. E volta a adjetivar Ana Leal de “pulha”: “Ela foi pulha só de filmar sem autorização uma conversa combinada para contextualizar a reportagem”. Ao Observador, Ana Leal garantiu que todos os presentes na sala sabiam que estavam a ser gravados, mas não quis fazer mais comentários.» [Observador]
   
Parecer:

Esta guerra entre a TVI e uma empresa de comunicação diz muito sobre a podridão que por aí vai.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

terça-feira, dezembro 12, 2017

A ECONOMIA PARALELA

Ainda recentemente o país assistiu a uma guerra surda pela posse de uma importante fatia de negócios que ainda funcionam nos mercados e que muitas boas almas estão empenhadas em que seja transferido para a área da economia social, essa imensa economia paralela onde as regras, as auditorias e as investigações porque é um mercado sem pecado, de gente dedicada e honesta que receberam uma graça divina e é como se tivessem recebido uma vacina contra a corrupção, a incompetência, o favorecimentos e outros males, que, como se sabe, só atingem gente pecaminosa das empresas e da política, de preferência os segundos.

Enquanto o OE era discutido um deputado do CDS e vereador da CM de Cascais lançou uma petição para que as refeições escolares fossem retiradas do mercado normal, para passarem para o mercado da gente bondosa. Ao mesmo tempo Catarina Martins, representando outro lóbi de gente igualmente bondosa se metia no assunto. Por coincidência ou talvez não o país foi assolado quase diariamente com notícias desagradáveis, até se descobriu uma lesma nacional que é resistente ao calor, depois de cozida com a sopa conseguia nadar alegremente enquanto era filmada. Acabada a negociação do OE desapareceram as más notícias, o vereador de Cascais esqueceu-se da petição e a Catarina Martins passou a entreter-se com o Mário Centeno.

Também nestas semanas se escreveu muito sobre os almoços frugais de sandes de pão com ar, servidos aos nossos heroicos bombeiros. Deu numa guerra entre o presidente da Liga dos Bombeiros, um senhor poliglota nesta coisa das línguas do poder e as associações dos bombeiros. Ainda a propósito dos incêndios fica para a história os muitos mortos e feridos devidos a suicídios ou tentativas de suicídios por parte de portugueses que se sentiam abandonados pelo Estado, inventados pelo generoso presidente da Santa Casa de Pedrógão para alegria de Passos Coelho.

Estamos falando de centenas de corporações de bombeiros, de centenas de santas casas, de milhares de associações e ONG dedicadas às mais variadas causas, todas juntas movimentando milhares de milhões de euros, em grande parte financiados pelo Estado. Gerem compras de muitos bilhões em matérias-primas, equipamentos e produtos alimentares, gerem centenas de negócios que vão de cantinas a grandes centros hospitalares de reabilitação, milhares de lares e de creches. Todas estas atividades juntas são a maior empresa do país e seguramente uma grande empresa à escala europeia.

É um mundo fechado a controlos, inspeções, auditorias, controlos fiscais, uma imensa zona franca onde as autoridades têm medo de entrar, onde qualquer dúvida sobre o que se faz é considerada um pecado mortal. Dominam o poder político porque usam esta imensa máquina em todas as eleições ou para melhorar a imagem de autarcas, deputados, ministros e presidentes.  Quem se mete com eles leva, quem se mete com a Santa Casa leva, quem se mete com o presidente da Liga dos Bombeiros leva, quem se metesse há uma semana atrás com a Senhora raríssima levava. Os políticos têm medo e cedem cada vez mais fatias de negócios que sendo do Estado são decididos segundo as regras de mercado, em concursos públicos. Nesta imensa economia paralela não há regras, não há mercado, não há polícias nem agentes do fisco, só há gente imensamente bondosa.

UMAS NO CRAVO E OUTRAS NA FERRADURA



 Jumento do Dia

   
Vieira da Silva, ministro

Não há nenhum compromisso cívico que obrigue uma personalidade política a envolver-se numa associação cívica, por melhores que sejam as suas intenções. É um casamento que só pode dar maus resultados e os políticos com ambições governamentais deveriam ter o bom senso de perceber que quando são convidados para dar a cara por certas instituições não é peolos seus belos olhos.

Casos como o da Rarísimas não são assim tão raros, o negócio da economia social depende dos revursos do Estado ou de grandes empresas que, por sua vez, também dependem do Estado. Quando estas associações e outras santas casas mais ou menos caridosas, destinem-se a apagar os fogos do estômago ou os das florestas, convidam políticos para casamentos de oportunidade com políticos promissores, visam apenas fazer ou receber favores políticos.

Vieira da Silva não é nenhum jovem com ambições, é um político experiente, um macaco com muitos calos no rabo. Quando se envolve nestas associações sabe muito bem ao que vai e assume as responsabilidades pelas suas opções. Se ainda não tinha aprendido a lição, acabou por a aprender agora e da pior forma. Como diz o povo, quem não quer ser urso não lhe veste a pele. Vieira da Silva vestiu-se dos pés à cabeça.

«O Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (MTSSS) pediu uma inspecção global urgente ao funcionamento da associação de doentes Raríssimas, anunciou nesta segunda-feira o ministro Vieira da Silva, em conferência de imprensa.  

Tendo em conta “o justificado alarme” provocado pela divulgação de alegadas irregularidades na gestão financeira e pelas notícias de uso indevido de dinheiros da associação pela sua presidente, Paula Brito e Costa, o MTSSS solicitou à sua Inspecção-Geral que, com carácter de urgência, seja feita uma inspecção global à Raríssimas, disse o governante. Esta decorrerá nos próximos dias. Uma equipa dedicada irá avaliar todas as dimensões da instituição, explicou ainda Vieira da Silva.

Petição pela demissão da presidente da Raríssimas reúne mais de 1600 assinaturas em duas horas
Petição pela demissão da presidente da Raríssimas reúne mais de 1600 assinaturas em duas horas
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O ministro aproveitou para esclarecer que ocupou o cargo de vice-presidente da assembleia geral da Raríssimas entre 2013 e 2015, antes de integrar o Governo e que o fez apenas por "compromisso cívico" sem receber qualquer "contrapartida financeira". 

Garantiu igualmente que não teve informações sobre uma eventual gestão danosa da instituição, apesar de a associação já estar a ser alvo de investigação na sequência de uma denúncia sobre o não cumprimento de “todas as normas dos estatutos” das Instituição Particulares de Solidariedade Social.

"Relativamente às denúncias que foram feitas e divulgadas de gestão danosa nesta instituição, não tive, nem teve a minha equipa, nenhuma informação em particular do que foi divulgado pela TVI. Nunca recebi nenhuma indicação sobre actos de gestão danosa nessa instituição", assegurou.» [Público]

 Já tenho saudades do velho Intendente das putas e marinheiros



Marcelo até tem razão ao dizer que:

«"Temos de evitar que as pessoas, de repente, venham a Lisboa para ver estrangeiros. Não veem lisboetas e vão aos lugares típicos para ver franceses, brasileiros, asiáticos, africanos. Não é que não seja interessante, mas convinha haver pessoas e coletividades com a maneira de ser de quem vive em Lisboa"» [DN]

Temos que proteger as espécies indígenas no Intendente, ou senão é como ir ao Jardim Zoológico e não haver macacos.

Enfim, Marcelo fala tanto que começa a ter dificuldades em dizer algo que mereça ser ouvido.

 Andarão distraídos?

Ninguém se lembrou de questionar se o governo teria adoptado as medidas para evitar a queda de árvores, a pobre senhora que faleceu porque o Estado terá falhado não tem direito a presença presidencial no funeral ou a exigências de uma indemnização por parte da Cristas?

Parece que em Portugal há vítimas de primeira e vítimas de segunda. Desta vez nem sequer se lembraram de declarar que a nova prioridade do país passava a ser a prevenção das consequências provocadas por grandes tempestades. O nosso Marcelo parece estar a perder qualidades e desta vez nem foi fazer uma visitinha aos estragos provocados pela Ana. Enfim, teremos de esperar pelo Bruno ou por alguma tromba de água em Lisboa, de preferência ao mesmo tempo que o Tejo estiver com a maré cheia, aí sim, teremos matéria para animação presidencial.

 Que ganhe o Santana Lopes

O candidato não é grande coisa, já se sabe que vamos ter dois anos de circo itinerante, mas o sistema político português tem mais a ganhar com Santana Lopes do que com Rio. Santana assume-se claramente como sendo de direita, apoia claramente as políticas adotadas por Passos Coelho. Rui Rio não sabe bem se é de esquerda ou de direita, em vez de projetos políticos claros fala num 25 de Abril que ninguém percebeu o que era.

É bom que a direita deixe de andar armada em social-democrata, como se existisse uma social-democracia de esquerda ou uma democracia nascida da direita em vez de ser uma abordagem do marxismo. É bom que existe direita e esquerda e que tanto de um lado como do outro lado haja confronto entre projetos diferentes. É bom que o PCP e o BE não se confundam ou se armem em "PS". É mau que o CDS se assuma como apêndice do PSD ou que a única diferente entre os seus dirigentes e os do PSD seja o número de vezes que vão à missa.

Uma das piores heranças deixadas por Sá Carneiro foi esta capacidade da direita andar armada em esquerda, consequência dos tempos em que o PSD era um firme apoiante do MFA e grande defensor do socialismo. O PPD, depois PPD/PSD, é um caso de contrafação política, a ala liberal de um regime totalitário, para se disfarçar em democracia apropriou-se da designação de uma das grandes correntes do marxismo.

Santana Lopes é um dos poucos herdeiros da versão de direita e não travestida de Sá Carneiro, fazendo todo o sentido o regresso à designação de PPD, porque o seu partido nunca foi marxista, a não ser por mera conveniência cobarde, sempre foi de direita e populista. Rui Rio e muitos dos que o apoiam nada têm de social-democratas, como é o caso de personalidades como Pinto Balsemão ou Morais Sarmento que são tão de direita quanto Passos Coelho ou Pedro Santana Lopes, mas insistem num falso discurso político.

Há toda a vantagem em que se clarifique qual a diferença entre o CDS e o PSD e se for caso disso levar à extinção de um partido, foi um clã ao serviço da ambição política de Paulo Portas, sendo hoje uma frente de apoio aos negócios que o seu líder anda fazendo em paragens e em empresas especializadas na corrupção que grassa nalguns países.



É tempo de acabar com a farsa do centro e dos blocos centrais e de uma direita que por não se afirmar ideologicamente se organiza em torno de políticos que atuam como velhos senhores da guerra. Uma liderança do PPD por Rui Rio significa a continuação desta farsa que há décadas que apodrece a vida política portuguesa. O país e o PPD têm mais a ganhar com esta clarificação e não vales a pena sugerir que com este ou com aquele candidato o PPD ganha ou perde eleições. Rui Rio é um candidato tão fraco quanto Pedro Santana Lopes e não é por ser uma marioneta do Balsemão ou de Manuela Ferreira Leite que irá mais longe.

 Raríssimas





No negócio da caridade também há diferenças, há as de gente fina e as outras. A Raríssimas era o Jet Set da economia social, depois da sua presidente ter aparecido toda aperaltada a andar toda emproada e esticadinha ao lado da rainha de Espanha era o ver se te avia, não havia político que não gostasse de ser convidado para uma cargozito na associação. Ainda por cima a senhora era muito democrata e tinha o cuidado ter ter o seu próprio mini parlamento.

Agora que a coisa deu para o torto fogem dela como se tivesse sarna, já ninguém quer aparecer ao lado da pobre senhora. è o país que temos e no seu melhora, uma exposição viva de miséria humana. Uns pede inspeções, outros demitem-se, recusam convites que tinham acabado de aceitar ou querem que se apure a verdade.

Enfim, se doenças como a cobardia ou a hipocrisia não são "raríssimas" o que levou tamntos doentes com estas enfermidades a passarem por lá?

      
 Raríssimas
   
«A Raríssimas, Associação Nacional de Deficiências Mentais e Raras, não podia aguentar-se à custa de um mecenas. Estes são raros em Portugal. Fosse o caso, uma Raríssimas rara porque a viver de dinheiros privados, não faria sentido a recente reportagem da TVI sobre a Raríssimas e a gestão da sua presidente. Cada um faz o que quer da sua caridade. Da sua. Mas a Raríssimas é uma instituição que, embora privada, sobrevive graças a subsídios estatais (665 mil euros em 2016). Porém, nem mesmo essa condição de dependente de donativos oficiais pode proibir à presidente os tiques de soberba que lhe são assinalados na reportagem. A presidente emprega o filho e apresenta-o publicamente como "o herdeiro da parada" (isto é, da Raríssimas); a presidente fazia levantar o pessoal de cada vez que ela passava no corredor; enfim, a presidente é quero, posso e mando... Não gosto, mas não é isso o essencial. Sempre houve grandes dirigentes com manias dessas e bem estúpido seria a TVI, eu e os leitores exigirmos modéstia aos grandes fazedores. Até Albert Schweitzer, quase santo, era paternalista com os seus doentes leprosos, no Gabão... O problema com a presidente da Raríssimas, e que torna útil a reportagem da TVI, é que a senhora não pode vestir--se caro, andar de carro de gama alta, ter um salário desmesurado e essas despesas serem imputadas à Raríssimas. Isto é, se ela quer fazer caridade paga pelos contribuintes não pode ser consigo própria. Acresce ao abuso público uma indecência: o prejuízo causado por ela a gente e instituições que, ao contrário da senhora, não abusam. E esse é o crime maior. A presidente da Raríssimas atirou os deficientes portugueses, raros ou não, para o seu destino vulgar: em nome deles serem ainda mais desapossados.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

      
 Outro "raríssimo"
   
«O deputado do PSD Ricardo Baptista Leite já não vai assumir as funções de vice-presidente da associação Raríssimas, cargo para o qual tinha sido convidado e que se preparava para começar a desempenhar. “Não existem, naturalmente, condições e informarei o presidente da Assembleia Geral disso mesmo”, diz ao Observador.

O convite feito por Paula Brito e Costa, presidente da associação, tinha recebido resposta positiva do deputado há cerca de duas semanas. Nesse momento, diz Baptista Leite, o deputado ainda não tinha qualquer indício de eventuais irregularidades na gestão da Raríssimas. No final da semana passada, a “preocupação” instalou-se com a reportagem da TVI em que se dá conta de que a presidente estaria a usufruir de dinheiro da instituição em benefício próprio – comprando roupas, usando carros de alta gama, entre outros gastos.» [Observador]
   
Parecer:

Digam o que disserem uma boa parte dos nossos políticos ia comer nn mão da senhora, apareceu ao lado da rainha de Espanha e depois todos querem aparecer ao lado dela.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

segunda-feira, dezembro 11, 2017

SERÃO MESMO RARÍSSIMAS OU SERÃO MAIS DO QUE AS MÃES?

Com ao rasto de miséria deixado pela combinação entre as medidas do memorando coma Troika e a agenda económica de extrema-direita de Passos Coelho a economia social floresceu e a caridade foi institucionalizadas. Aliás, só por acidente um dos senhores desse mundo da caridade e da economia social não foi mais longe, Fernando Nobre foi candidato presidencial e só não chegou a presidente da Assembleia da República devido a divergências dentro do PSD. Para a história ficam as denuncias da forte presença familiar de Fernando Nobre na AMI, uma  empresa no negócio da ajuda.

Em Portugal há a falsa ideia de que esses verdadeiros senhores da guerra que gerem as muitas instituições da economia social são gente com lugar reservado no céu, concidadãos que dão o melhor de si para servir os outros e que graças à sua dedicação as instituições conseguem os donativos que lhe permite estar onde falta o Estado. Nada mais fácil, a generalidade da imensidão de instituições do negócio, desde as santas e santíssimas Casas às corporações de bombeiros vivem ou de subsídios estatais ou de mecenatos alimentados por benefícios fiscais, que na prática são uma receita fiscal negativa, o equivalente a uma despesa.

Ainda há poucos dias falou-se muito das refeições dos bombeiros e foi o que se viu, com o senhor da Liga a fazer ameaças e com comandantes de bombeiros a justificarem-se com argumentos como o de gente a mais para comida a menos. Talvez isso tenha sido verdade na hora de cortar os papos-secos para fazerem sandes de ar, mas não o foi certamente na hora de pedirem ao Estado mais de vinte euros por cada papo-seco.

Esta ideia de que a economia social é fundamental para a sobrevivência dos pobres conduz à total impunidade dos muitos senhores deste grande negócio, nenhuma polícia se lembra de investigar um senhor da economia social e o ministro que decida aumentar as auditorias será corrido enquanto o diabo esfrega o olho. Neste imenso mundo de dinheiro fácil do Estado não há regras nem controlo e está apodrecido por uma imensidão de esquemas de compadrio.

O mais grave é que a ligação desta economia social à política é cada vez maior e não faltam deputados, autarcas e governante que devem o cargo aos favores eleitorais do submundo da economia social.  Uma boa parte das campanhas eleitorais consiste em visitas organizadas a velhinhos e o patrocínio destas organizações elege cada vez mais políticos. Aliás, estas organizações multiplicam-se como cogumelos, chamando a si a gestão de cada vez maiores volumes de dinheiros públicos, não sendo de admirar o envolvimento de personalidades políticas na sua criação e gestão.

Um bom exemplo desta relação entre poder e economia social foi dada por Passos Coelho, cortou nos apoios do Estado e com o que tirou aos pobres financiou as instituições da economia social, tendo o cuidado de colocar um dos seus à frente da mais importante dessas agremiações, a Misericórdia de Lisboa. Para a história da última legislativa ficam a intervenção política de personalidades da economia social, com destaque para Santana Lopes, Fernando Nobre e a senhora do Banco Alimentar contra a Fome.


UMAS NO CRAVO E OUTRAS NA FERRADURA



 Jumento do Dia

   
Paula Brito Costa, vedeta da economia social

Em Portugal a chamada "economia social" onde se mistura poder, dinheiro e caridade. beneficia de uma total impunidade, como é tudo gente boa quase é uma ofensa auditar ou investigar. Com a institucionalização da caridade durante o período da troika, fenómeno que Marcelo parece pretender continuar, a economia social cresceu de forma exponencial.

Agora parece ter caído uma senhora da economia social, talvez seja o abrir de uma porta para que os portugueses percebam que neste país não há vacinas contra a corrupção e que os únicos que não t~em direito a elas são os que servem o Estado como funcionários ou como políticos.

lamentavelmente, os políticos também parecem ter-se especializado nesta economia social, sendo muitas as organizações criadas por políticos ambiciosos que as usam como tropa de choque eleitioral. No caso da raríssimas é óbvio que algo está mal quando alguém ganha três mil euros mensais como consultor de uma organização cheia de amor.

Aposto que desta vez Marcelo Rebelo de Sousa evitará o comentário na hora, vai ser lerdo o suficiente para ver se o assunto é esquecido e nenhum jornalista lhe faz a pergunta difícil. Cheios de sorte estão os outros políticos envolvidos, desta vez o Presidente da República não lhes vai exigir explicações.

«A TVI emitiu uma reportagem onde é demonstrado como a presidente da Raríssimas, uma associação sem fins lucrativos que recebeu mais de 1,5 milhões de euros, dos quais metade são subsídios estatais, pode ter recorrido aos fundos daquela associação para pagar mensalmente milhares de euros em despesas pessoais. Surgem também envolvidos o secretário de Estado da Saúde, que foi consultor da associação recebendo 3 mil euros por mês, e a deputada do PS Sónia Fertuzinhos, que viajou até à Noruega paga pela Associação. Marcelo Rebelo de Sousa também é visado, Paula Brito da Costa é filmada a dizer mal do Presidente da República.

As acusações contra Paula Brito da Costa são corroboradas pelo testemunho de vários ex-funcionários da Raríssimas, entre os quais estão dois ex-tesoureiros, uma antiga dirigente e outra pessoa que trabalhou como secretária naquela associação sem fins lucrativos, munidos de vários documentos que dão conta de transações alegadamente ilícitas que terão beneficiado a presidente desta associação sem fins lucrativos dedicada aos cuidados de portadores de doenças pouco comuns. Ao longo dos anos, a Raríssimas recebeu a visita de ministros, do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa e também da rainha Letícia, de Espanha.

Segundo a TVI, Paula Brito da Costa recebia um salário base de 3 mil euros mensais, ao qual acresciam 1300 em ajudas de custo, 816,67 euros de um plano poupança-reforma e ainda 1500 euros em deslocações. A esta quantia, que já ultrapassa os 6500 euros, deve ainda ser acrescentado o aluguer de um carro de luxo com o valor mensal de 921,59 euros e compras pessoais que a presidente da Raríssimas faria com o cartão de crédito da associação. Na reportagem, é publicada uma fatura de um vestido de 228 euros; outra que dá conta de 821,92 em compras; e ainda uma terceira que demonstra uma despesa de 364 euros no supermercado, entre os quais 230 dizem respeito a gambas.

Paula Brito da Costa também cobraria à Associação as deslocações diárias de casa para o trabalho, declarando que estas eram feitas em carro próprio. Porém, o carro que usava para fazer esse trajeto pertencia à Federação de Doenças Raras, associação da qual também foi presidente e onde, segundo a TVI, auferia 1315 euros acrescidos de 540 euros de despesas, também elas de deslocação.» [Observador]

      
 Há 22 anos que o SCP não começava assim
   
«Esse dado acaba por empurrar o Sporting para uma estatística que mostra bem a consistência da equipa até ao momento: há 22 anos que os leões não chegavam ao final da 14.ª jornada sem derrotas, melhorando até o registo dessa equipa liderada por Carlos Queiroz que tinha Figo, Balakov, Amunike e companhia (11 vitórias e três empates agora, contra dez triunfos e quatro igualdades na temporada de 1994/95). Pormenor curioso: Gelson Martins e Daniel Podence, titulares na partida desta noite, não eram sequer nascidos…» [Observador]
   
Parecer:

Os portistas responderão que esperam que desta vez acabe como nesse época brilhante de há 22 anos, o SCP ficou a sete pontos do FCP.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Mais um negócio tradicional que morre
   
«Proprietário da Livraria Saturno, em Oliveira do Bairro, José Augusto diz ter "a sorte" de trabalhar com um agrupamento de escolas compreensivo, que optou por dar às famílias a opção de escolherem onde compram os manuais escolares do 1.º ciclo oferecidos pelo Estado. Mas também não se sente livre de perigo: "Com o nosso agrupamento não temos problemas mas, como as coisas estão, não sabemos se amanhã as coisas mudam e ficamos na mesma situação dos que já perderam tudo", diz.

Penalizadas por um mercado editorial que tem vindo a perder leitores a um ritmo acelerado, as pequenas livrarias e papelarias tinham na área escolar - não só nos manuais e fichas de exercícios como nos restantes materiais que as famílias acabavam por comprar - a última boia de salvação dos seus negócios. Mas estão a tornar-se num indesejável efeito colateral da distribuição gratuita dos livros escolares. Não pela medida em si mas devido à forma como esta tem sido implementada, com muitos agrupamentos de escolas a optarem por grandes fornecedores, que lhes garantem as quantidades necessárias com elevados descontos.» [DN]
   
Parecer:

Desta vez ninguém fica preocupado com o interior?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao Presidente.»