quinta-feira, Agosto 21, 2014

Os nossos jornalistas de economia

Ontem o país ficou a saber que tinha sido aberta a época de caça ao grupo GES com o lançamento de uma OPA por parte de um grupo mexicano à empresa do sector da saúde daquele grupo.
  
Os nossos jornalistas de economia andaram excitadíssimos com esta OPA que até serviu de oportunidade para Passos Coelho anunciar o interesse de grupos estrangeiros na nova situação da economia portuguesa, algo parecido com os saques que se seguem às grandes calamidades naturais, mas que por estas bandas é motivo de elogio.
  
Em poucas hora já se sabia que os mexicanos já cá andam, que elogiam a administração da empresa do GES, que já contactaram advogados, que tinham adquirido nos últimos tempos mais de 2% da empresa, que iam contar com os serviços do BBVA, que a OPA era simpática, que se tratava de um grande grupo com sucesso no sector da saúde, enfim, um fartote de elogios aos japoneses. Até se fica com a impressão de que os Angels trouxeram umas caixas de tequila e embebedaram os nossos jornalistas.
  
Mas ninguém reparou que antes de lançarem a OPA os nossos amigos mexicanos enganaram um número significativo de pequenos investidores comprando-lhes acções da empresa do GES a preços quase 10% inferiores ao que iam oferecer. Se as regras do mercado o permitissem até comprariam muito mais, com os pequenos investidores do BES/GES em pânico não teria sido difícil.
  
Os nossos grandes jornalistas económicos que todos os dias desancam no Tribunal Constitucional e em todos os que discordem da pinochetada económica conduzida por Passos Coelho, que até escrevem livros a explicar como se salva a economia portuguesas, que escrevem como se todos eles fossem galardoados com o Nobel da Economia poderiam ter defendido os interesses nacionais, podiam ter denunciado o lucro fácil dos mexicanos, podiam questionar se o país vai ganhar alguma coisa com o desmantelamento do GES. Mas não fizeram nada disso, preferiram lamber o rabo aos mexicanos, é que os homens trazem dinheiro fresco para comprar portugueses ansiosos por se venderem, agora que o dono deles todos faliu.
  

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Cardo do parque Florestal de Monsanto, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Directior-geral de Saúde

Agora que já é uase impossível viajar para os países atingidos pela epidemia de ébola eis que a Direcção-Geral de Saúde se lembrou de aconselhar os portugueses a não viajar para esses países. Uma anedota.

«As autoridades portuguesas recomendam aos cidadãos portugueses que evitem viajar para os países afetados pelo Ébola, a menos que o façam por “absoluta necessidade”, segundo numa nota publicada hoje na página da Direção Geral da Saúde (DGS).

A DGS sublinha que a situação na Costa Ocidental de África “impõe ações de prevenção e controlo” tanto na fonte (epicentro da epidemia), como nas medidas que visam impedir a exportação de casos de doença para outros países.

Segundo a nota, é necessário distinguir entre o problema que surgiu inicialmente na Guiné-Conacri e que se propagou aos países africanos vizinhos (Serra Leoa e Libéria), devido à quase inexistência de fronteiras, e a eventual importação de casos em Estados de outros Continentes.» [i]
   
   
 Taxistas irritados com os tuk-tuk
   
«A mulher de Javier está maravilhada. “Então e um pastelinho de Belém, não há?”, pergunta, depois de saber que o tuk-tuk onde ela, o marido e dois filhos vão fazer um passeio lhes oferece uma garrafa de água pelo percurso de uma hora. Eles e outros familiares, vindos de Granada, chegaram à Praça da Figueira e dirigiram-se imediatamente aos mais recentes veículos turísticos da capital. Os tuk-tuk são uma espécie de triciclo a motor com um número variável de lugares que estão a ganhar cada vez mais popularidade entre os turistas estrangeiros. Para Javier, a escolha foi “natural”. “Pareceu-nos mais cómodo e original”, explica, referindo que, por onde o tour vai passar – as ruas estreitas da Mouraria – nenhum autocarro passaria.

“Isto é ‘bué’ de giro”, afirma uma muito entusiasmada Camila, motorista de tuk-tuk da empresa Tuk Guide Portugal, que é a que vai levar Javier e a família a conhecer a Lisboa medieval. A alegria do seu discurso reflete aquilo que diz ter sido uma das grandes vantagens da chegada dos tuk-tuk à cidade: a possibilidade de os turistas fazerem passeios com pessoas jovens, que falam várias línguas e que têm formação específica para falar sobre os locais históricos de Lisboa. Algo que muitos taxistas não têm, pelo que Camila rejeita as acusações que as associações de táxi têm feito a este meio de transporte.

Joaquim Martins, taxista com pouso habitual no Largo do Chiado, não tem dúvidas: os tuk-tuk são “uma praga”. E não é o único a pensar assim. “Esta merda devia ser toda incendiada”, grita um taxista da Praça do Comércio que pede para ser identificado apenas como sr. Nogueira. Um colega, que não quis dizer o nome, acrescenta: “Isto só se resolve com os táxis parados e atirando essas merdas todas ao rio”. Segundo relatam, isso até já aconteceu junto às Docas com dois tuk-tuk.» [Observador]
   
Parecer:

Entre um jovem educado que sabe várias línguas e serve de guia e uma besta quadrada que não sabe nada e lhes vai enfiar o barrete é óbvio que os turistas sabem escolher. Os nossos taxistas esquecem que hoje os turistas chegam a Lisboa muito bem informados sobre as suas personagens típicas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Novo Banco lança campanha de imagem
   
«O Novo Banco vai lançar uma campanha publicitária com a nova imagem a partir da próxima sexta-feira e irá de seguida começar a alterar a imagem em todos os balcões, segundo o líder do banco, Vítor Bento. A campanha publicitária irá decorrer na rádio e na imprensa e a mudança da totalidade dos balcões irá decorrer posteriormente, seguindo uma imposição dos reguladores que obriga a que a mesma ocorra no prazo de dois meses de forma a fazer desaparecer a marca BES do Novo Banco.» [Observador]
   
Parecer:

Deve ser para atrair depositantes a converter em lixo num domingo à noite com comunicação prévia pelo Marques Mendes.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 É o mercado estúpidos
   
«As companhias aéreas do Médio Oriente viraram-se para Portugal (e para a Europa) e parecem não querer arredar pé. Para estas empresas, o Velho Continente é uma aposta séria e Portugal tem sido um dos países escolhidos para fazer recrutamento.

De acordo com a edição online do Expresso, num ano e meio, a TAP perdeu 37 comandantes, principalmente para companhias do Médio Oriente (Emirates, Qatar Airways, Etihad Airways) e asiáticas (Korean Air).

As razões? Várias e todas relacionadas com melhores condições de emprego, diz a mesma publicação. Desde salários líquidos superiores aos pagos pela transportadora aérea portuguesa (em 60% a 65%), casas pagas ou subsídios mensais para habitação na ordem dos três mil euros líquidos e até dinheiro para pagar a escola a cada filho.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

A políica de baixos salários não tem grande futuro num mercado laboral globalizado.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao incompetente Lambretas.»
     

   
   
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quarta-feira, Agosto 20, 2014

Empresários ou oportunistas?

Seria muito interessante lançar agora o debate em torno de algumas questões que ao longo dos últimos anos mobilizaram a nossa direita, os seus políticos e uma boa parte dos nossos empresários.
  
Seria interessante promover um debate sobre as vantagens da banca privada moderado pelo campeão das privatizações da banca, o actual presidente Cavaco Silva. Até se poderia debater coisas muito interessantes como foi a fórmula adoptada para a privatização do BPA, mas deixemos isso para os historiadores ainda que nos últimos três anos não tenha sido produzido um único documento a arquivar na Torre do Tombo, é mais fácil saber o que se disse e decidiu na corte de D. João II do que em qualquer um dos nossos governos do pós-25 de Abril.
  
Até se poderia convidar Cavaco Silva para abrir o debate aproveitando os seus conhecimentos de economia e experiência governativa para nos falar sobre as vantagens económicas da gestão privada, sobre a maior honestidade de gestores que gerem a sua própria empresas por oposição aos gestores públicos, sobre o maior rigor na escolha dos gestores nas empresas privadas, ou sobre a menor apetência para a corrupção nas instituições privadas. Passos Coelho poderia dar o seu contributo falando sobre o conceito de democracia económica a que se refere tantas vezes.
  
Um segundo tema a debater e que no passado mobilizou muitos dos nossos notáveis, até me recordo de delegações de banqueiros como Ricardo Salgado irem à Presidência para discutir o tema são os famosos centros de decisão nacional pelos quais todos esses senhores se batiam. Partindo do pressuposto de que manter um centro de decisão no país não é vender a EDP aos chineses e meter uma cunha para que o Catroga ganhes uns pentelhos, ou vender a PT aos brasileiros e enganá-los comprando lixo do BES, seria muito interessante ver como os nossos políticos e empresários  se têm dedicado a defender o interesse económico dos tugas.
  
A verdade é que as privatizações portuguesas são das piores experiências de liberalização da economia à escala mundial. EM nenhum país do mundo os empresários locais corromperam tanto, os banqueiros compraram tantos políticos e as empresas foram tão rapidamente revendidas a estrangeiros. O nossos empresários e políticos aproveitaram-se das privatizações para corromper, enriquecer rapidamente e colocar os lucros fáceis conseguidos com a intermediação em off shores.

Hoje o país tem as suas principais empresas em mãos estrangeiras, uma classe política que não vale um chavo, está sem investimento e à beira da bancarrota. Foi este o resultado da liberalização da economia por uma elite oportunista, incompetente e corrupta. Todo este processo mostra como muito dos bons argumentos usados pela nossa elite não passam de treta.
 

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Pilrito-pequeno (Calidris minuta), Terreiro do Paço, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Miguel Macedo, ministro da Administração Interna

O que sucedeu em Ferreira do Alentejo quase parece uma anedota, milhares de pessoas organizaram uma festa ilegal e barulhenta junto a uma barragem sem que as autoridades se tivessem apercebido da chegada de muitas dezenas de caravanas para as margens de uma pequena barragem. A GNR apenas apareceu depois das queixas de moradores das redondezas e acabou por fugir para um café da aldeia, onde segundo a dona chegaram a transpirar.

Muitos agentes feridos, viaturas danificadas, tiros de armas ilegais e a GNR fez o quê? Fugiu e apareceu depois em força para expulsar a meia dúzia de campistas que ainda permaneciam no local, dois dias depois da festa.

Parece que o nosso ministro só tem coragem para enfrentar manifestações, é um problema deste governo, só são corajosos quando isso não é necessário.
 
 Best ice bucket

   
      
 Tempos esquisitos, estes
   
«Tudo foge entre os dedos. Espírito Santo era uma família, certo? Tão poderosa que da admiração de muitos à inveja de tantos não deixava de ser o que sobretudo era: passado, riqueza, patine, poder. Família centenária. Agora, são queixinhas: "Olhem que os meus primos também..." Outros a patinar: a polícia era força, certo? Às vezes, extravasava, marrava para a sua crença natural, ser força. Mas querem os tempos modernos que ela agora seja mais de levar e calar. No sábado, foi cumprir a lei e baixar o som de uma rave em campos alentejanos e foi recebida à pedrada e sofreu feridos. Não está aí o problema, no levar. Não se exige à polícia que ganhe todas as batalhas. Não se exige, à primeira, atenção! Mas depois de ir curar os dói-dóis à urgência, não pode exibir como único espólio a detenção de um pobre diabo apanhado junto a aparelhos sonoros sem licença. Se policiar fosse só passar multas, era só armada de esferográficas. Terceiro sinal moderno: jornalismo é para informar, certo? Ontem, a RTP apresentou uma reportagem de um "bombista português" (e no último momento riscou "mártir", felizmente). Pois passou o tempo a pôr-lhe aspas no nome e a esconder a cidade onde morava. Mas até a esconder a reportagem foi má, tapou Marselha e mostrou igrejas emblemáticas de Marselha. Que saudades dos tempos em que as famílias presunçosas eram família, os polícias policiavam e os jornalistas revelavam, não apagavam.» [DN]
   
Autor:
 
Ferreira Fernandes.
     

   
   
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terça-feira, Agosto 19, 2014

Ainda bem

Ainda bem que temos uma CMVM, graças a ele o cidadão comum pode sentir-se confiante e em vez de recorrer a depósitos a prazos pode optar por financiar as empresas investindo no mercado bolsista, está certo de que ao fazer não corre o risco de ser roubado como se tivesse ido passear para um morro do Rio de Janeiro.

Ainda bem que existe um Banco de Portugal, graças a ele a economia beneficia da segurança e estabilidade do sistema financeiro, os banco minimizam os juros que cobram em consequência da concorrência sã e leal promovida pelo regulador, os depositantes ficam tranquilos ao depositar as suas poupanças, os investidores estrangeiros confiam nos intermediários financeiros locais e apostam na no futuro da nossa economia.
 
Ainda bem que temos uma justiça eficaz, graças a ela temos a certeza de que os que roubam milhões são presos primeiros do que os que roubam um papo-seco no hipermercado, a justiça é célere e é feita nas salas de audiências, os investidores confiam que podem recorrer à justiça se forem roubados por gatunos da banca.
 
Ainda bem que temos uma comunicação social honesta e independente, os jornalistas não se deixam comprar por banqueiros empresários pouco escrupulosos, os seus donos não usam a manipulação da informação em favor dos seus negócios e magistrados e políticos sem escrúpulos não a podem usar para destruir adversários.
 
Ainda bem que temos um Tribunal Constitucional, graças a ele o cidadão pode optar por ser funcionário público sem correr o risco de um dia lhe dizerem que por ter feito tal opção será chulado até à medula em nome da crise financeira.
 
Ainda bem que temos um Presidente da República, graças a ele sabemos que não há abusos de poder, que os corruptos e banqueiros duvidosos não são declarados inocentes, que as candidaturas presidenciais não se preparam em jantares feitos em casa de banqueiros, graças ao presidente temos alguém que cumpre e faz cumprir a constituição, que está acima de interesses ou dos partidos.
  
Ainda bem que vivemos numa democracia moderna, graças a ela são escolhidos para o governo os mais honestos e capazes, os presidentes nunca fizeram negócios menos claros, o maior partido da oposição oferece uma alternativa credível e os cidadãos não são atirados uns contra os outros e não há grupos sociais ou profissionais tratados como cidadãos de segunda porque ganham salários pagos pelo Estado ou porque beneficiam de apoios do Estado. 
  

Ainda bem que vivemos num país justo, democrático, onde os cidadãos são respeitados, governado por um governo competente e honesto, presidido por um presidente que não se esqueceu do que jurou quando tomou posse.
   

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Alqueva
  
 Jumento do dia
    
Pires de Lima, a santinha milagreira da Rua da Horta Seca

Mal chegou ao cargo de ministro, depois de Portas se conseguir ver livre do Álvaro, Pires de Lima foi a correr estudar as estatísticas do comércio externo e destronou a santinha da Ladeira com o seu grande milagre económico. Enquanto houve estatísticas para encontrar milagres foi o ver se te avias.

Agora que as coisas correm mal a nossa santinha anda muito desaparecida, provavelmente ainda não aderiu às férias em Portugal, logo ele que até já anda armado em chunga com sapatos fabricados em Portugal. Será que quando a santinha regressar de férias ainda chgará a tempo de comentar o facto de o nosso déficie comercial ser um quinto maior da UE (Público)?
 
 Força, força, companheiro Passos, nós seremos a muralha de aço

Desde o famoso discurso de Vasco Gonçalves em Almada (18/8/1975) que não se ouvia nada assim. Foi claramente um discurso de alguém que sabendo estar derrotado reage como a senhora que foi ao juramento de bandeira do filho e concluiu que na parada era o seu rebento o único que tinha o passo certo.

 
 Antevisão

Se a direita perder as próximas legislativas Marques Mendes deixará de contar os segredos do governo e passará a apresentar a previsão meteorológica para os domingos.
 
 Dúvida

Paulo Portas ainda coordena alguma coisa neste governo? Ainda houve um tempo em que a ministra das Finanças parecia obedecer a Portas, agora só meso o Lambretas lhe dará atenção.
 
      
 A miniatura
   
«Tenho acompanhado pelos media a candidatura de António José Seguro (CAJS) para responder ao repto interno lançado por Costa. Não gosto de ver o meu partido a fazer má figura, para gáudio do Governo. Por dever de cidadania devo ajudar criticamente esta candidatura a melhorar o seu desempenho. Vamos por partes.

Banalidades e truísmos. Afirmar que a solução do crescimento e emprego está na promoção da indústria é um truísmo. Ninguém discorda, mas poucos indicam o caminho para lá chegar, no maremoto europeu. De nada adianta dizer hoje que a solução está na indústria, amanhã que está na inovação, depois de amanhã que só pode vir da economia digital, para no final da semana se afirmar que tem que ser pelo mercado interno, depois que será pelas energias renováveis, sem esquecer, naturalmente, os milagres que se esperam do conhecimento e da tecnologia. E assim sucessivamente, pois a lista do politicamente correcto criada em Bruxelas é inesgotável. Esquecendo que lançar ao ar ideias serôdias e vagas para conquistar eleitores indecisos é como fazia o Príncipe Regente, mais tarde D. João VI, lançar moedas de ouro à pilha, na Baía, para agradar à populaça.

Protagonismo e assertividade. Seguro vai visitar o governador do Banco de Portugal e compra prime time com declarações de quem, tendo dúvidas, as desfez completamente com uma simples conversa. Requere um briefing sobre incêndios florestais, é recebido com honras de governante pelo ministro da pasta, com quem se fotografa, certamente reconhecendo que este ano estão a deflagrar menos incêndios, uma verdade que não precisa de ser repetida. Conquistou tempo de visibilidade nacional e o regozijo do ministro. Este, com a visita meteu no papo a oposição e dela se servirá se as coisas correrem mal, brandindo como desculpa o “consenso nacional” sobre o dispositivo contra os fogos de verão. A CAJS devia ter experiência política suficiente para perceber que tal protagonismo não carreia assertividade, apenas auto-limitação da crítica futura, se necessária. Além do mais, deu aos seus críticos um argumento de ouro: ele e o Governo, afinal andam próximos. Em 1991, o então ministro da saúde, Arlindo de Carvalho, deu ordem expressa à administração dos Hospitais Civis para não facultar a uma delegação presidida pelo então líder parlamentar António Guterres o acesso a uma visita do PS ao Hospital de São José. Cavaco então temia a oposição, Passos Coelho nada receia desta.

Promessas e indecisão. Seguro prometeu que, com ele, os pensionistas não pagarão nenhuma taxa de sustentabilidade. A mim dava-me jeito, mas parece-me fartura a mais. Com este ou outro nome ou dispositivo, onde vai ele conseguir o equilíbrio orçamental exigido pelo semestre europeu que todos aprovámos? Onde se esperava um candidato a primeiro-ministro com ideias assentes, para isso ele próprio exigiu as directas, afinal submeteria a novo referendo interno futuras coligações por força de eventual vitória minoritária. E se a vitória fosse de um partido da direita, sem maioria à direita? Também submeteria eventual coligação a referendo? Tudo visto, Seguro promete aos portugueses mais dois meses de espera para se constituir o próximo governo.

A vitimização habitual. A CAJS levou Seguro a adoptar desde o início a táctica do “queixinhas”. Queixa-se de ser desafiado quando tinha (mal) ganho duas eleições, esquecendo os grandes municípios que perdeu e os que não ganhou, tendo podido fazê-lo; confundindo um ganho modesto nas europeias com uma grandiosa vitória. Queixa-se de ser forçado a apresentar uma moção às directas, quando foi ele que desenhou todo o processo rígido e longo para fustigar e desgastar Costa e queimar a terra para que não cresça semente. Criticando as trinta páginas de Costa, frente às suas oitenta medidas, acabou por ser minimalista reduzindo a sua moção a cinco páginas e meia de banalidades. De resto, quem autorizou a CAJS a considerar propriedade sua o trabalho colectivo realizado dentro do PS ao longo de muitos meses?

Perante um festival quotidiano de banalidades e truísmos, ideias soltas em sementeira dispersa, confusão de protagonismo com assertividade, promessas de indecisão onde deveria haver acção, generosidade extemporânea e, como não podia deixar de ser, a clássica vitimização, implorando afagos, a CAJS não contribui para levantar a moral do país e não ajuda o PS.» [Público]
   
Autor:
 
António Correia de Campos.
   
   
 Vade retro Guterres!
   
«Se quiser continuar na ONU, quer como Alto Comissário para os Refugiados – cargo que ocupa há nove anos -, ou tentar candidatar-se a secretário-geral da organização em 2016, António Guterres pode contar com o apoio diplomático do Governo de Passos Coelho.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) não tem em marcha, ainda, nenhuma campanha diplomática para apoiar uma candidatura de António Guterres para o cargo de secretário-geral da ONU ou qualquer outro cargo internacional. “Desconhecemos que o ex-primeiro-ministro tenha manifestado essa intenção ou qualquer outra”, afirmou fonte do MNE ao Observador. Mas há uma nota adicional vinda das Necessidades: o Governo, “por princípio, apoia indivíduos portugueses com currículo para ocupar relevantes postos em organizações internacionais”.

Ou seja, se o ex-primeiro-ministro socialista e atual Alto Comissário da ONU para os Refugiados quiser continuar nas Nações Unidas, o Governo de Pedro Passos Coelho vai apoiá-lo nessa pretensão. Como é natural, uma carreira mais prolongada na ONU retiraria Guterres de uma corrida às eleições presidenciais, em janeiro de 2016.» [Observador]
   
Parecer:

Até parece que Guterres foi para o Alto Comissariado graças ao apoio da direita ou de Passos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  
 Boa Marcelo!
   
«O ex-líder do PSD e comentador político da TVI, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou hoje que o Tribunal Constitucional só vai viabilizar a reforma da Segurança Social quando o Partido Socialista estiver envolvido.

No seu espaço de comentário habitual ao domingo, Marcelo Rebelo de Sousa voltou a acusar o Tribunal Constitucional de ser um tribunal politico e de fazer uma leitura política quando declarou, esta semana, inconstitucionais os cortes nas pensões do próximo ano.» [Observador]
   
Parecer:

Um corte das pensões com apoio de uma maioria constitucional...
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Boa Marcelo! Andas, andas e o Passos ainda de apoia na corrida a Belém.»
   
 Mais um sucesso do ajustamento
   
«Portugal registou nos cinco primeiros meses do ano um défice comercial de 4100 milhões de euros, o quinto maior da União Europeia (UE). Até Maio, Reino Unido, França, Espanha, Grécia tiveram a maior diferença entre as exportações e as importações, mostram dados publicados nesta segunda-feira pelo Eurostat.

No caso português, o saldo da balança agravou-se face ao mesmo período do ano passado, altura em que o comércio internacional de mercadorias registava um défice de 3400 milhões de euros.

Com um saldo negativo de 48.100 milhões de euros, o Reino Unido teve o maior défice comercial, seguindo-se França (com um défice de 30.400 milhões de euros), Espanha (com saldo negativo de 10.100 milhões de euros) e a Grécia (um défice de 8800 milhões de euros).» [Público]
   
Parecer:

Parece que Portugal foi abandonado pela santinha da Rua da Horta Seca.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se à santinha milagreira do governo se deixou de se dedicar aos milagres económicos.»
      
 Uma ideia para os nossos políticos
   
«Geri Müller, presidente da câmara da cidade suíça de Baden, foi temporariamente suspenso das suas funções, esta segunda-feira, devido a alegadas selfies que tirou no seu gabinete e onde apareceria sem roupa.

O conselho municipal de Baden, cidade localizada no cantão de Aargau, perto de Zurique, decidiu demitir temporariamente do cargo o autarca para "esclarecer a situação", explicou num comunicado.800 milhões de euros).» [DN]
   
Parecer:

Até votava em Seguro se o betinho de Penamacor tirasse uma destas selfies.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se a proposta de negócio eleitoral.»
     

   
   
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