terça-feira, maio 24, 2016

Os segredos são o negócio

Há pouco tempo foram detidos dois inspectores da Polícia Judiciária acusados de vender informações a traficantes de droga, ainda mais recentemente foi tornada pública a suspeita de que funcionários do fisco andariam a vender segredos ficais, agora um suposto espião andaria a vender segredos aos russos. Suposto espião porque ao que parece os nossos espiões não espiam nada, estão em gabinetes de Lisboa a analisar informação que outros espiam, seja os espiões de outros países ou pequenos bisbilhoteiros de empresas de telecomunicações.

Não deixa de ser divertido que no país onde tudo se sabe e há muito que não há segredos, o que esteja a dar é precisamente vender segredos. Talvez por isso, á uns tempos atrás se tenha assistido a tanta agitação por causa do acesso ao segredo fiscal dos cidadãos, até ouvimos alguns sindicalistas defenderem que o acesso aos segredos de cada um era um direito profissional inalienável dos funcionários do fisco. Na ocasião o que se defendeu não era o direito ao segredo, mas antes a desbunda, isto é, ninguém devia estar acima do cidadão comum na hora de sabermos dos seus segredos fiscais.

Que argumentos terão levado a Arrow Gloal a contratar Maria Luís Albuquerque? O que terá a  ex-ministra de especial para que seja contratada por uma empresa que compra dívida aos bancos num país onde estes estão intoxicados até às orelhas? Dir-se-ia que é a experiência, ora a experiência aqui não e mais do que a de ter estudado os dossiers, dossier que estão cheios de segredos.
  
Até o Jorge Jesus foi para o SCP cheio de segredos, sabia de tudo e mais alguma coisa, das metodologias seguidas no clube que se tornou o seu ódio de estimação. Muito provavelmente até sabia do segredo das prendas de cortesia aos árbitros, muito provavelmente, como sucede em todas as empresas, ele próprio deve ter ficado com algumas dessas prendas de cortesia com que muito provavelmente brindava os seus próprios interlocutores.

Dantes vendiam-se favores, mas parece que com a crise o grande negócio são os segredos, os políticos levam os segredos para o privado, os gestores vendem os segredos à concorrência, os treinadores valorizam-se vendendo segredos aos clubes rivais, nunca foi tão verdade que o segredo é a alma do negócio. Mas foi-se mais longe, a venda de segredos é o grande negócio e quando já não conseguimos ter segredos nossos fazemos como o espião, os treinadores ou os políticos, vendemos os segredos dos outros.


Umas no cravo e outras na ferradura


   
 Jumento do dia
    
Carvalhão Gil, o espião descuidado
É preciso ser um espião muito descuidado para arranjar uma namorada russa e levá-la ao estrangeiro em iniciativas profissionais. Estamos muito bem entregues em matéria de segurança, depois do espião da Ongoing temos agora um espião que gosta de namoradas russas.

«Um dos membros mais antigos do Serviço de Informações de Segurança (SIS), a secreta portuguesa que atua no campo interno, tendo entrado nos quadros logo nos primeiros cursos, a partir do final dos anos oitenta. Nos últimos anos teria porém caído em descrédito por ter levantado suspeitas.

Frederico Carvalhão Gil chegou mesmo a ocupar um cargo dirigente na organização, ou seja, chefe de divisão, que na casa se designa por "diretor de área".

Mas durante um curso frequentado no estrangeiro terá levado com ele a namorada - uma cidadã do Leste - que com ele se encontrava hospedada num hotel. A entidade estrangeira que patrocinou esse curso alertou então a congénere portuguesa por considerar que ele "não estaria a ter um comportamento adequado", segundo uma fonte contactada pelo Expresso.» [Expresso]

      
 O país das prescrições
   
«Os processos de contra-ordenação abertos contra João Rendeiro e restantes administradores do Banco Privado Português (BPP) estão à beira da prescrição. Faltam seis meses para que as condenações que se verificaram nos dois processos do Banco de Portugal (BdP) e da Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) percam eficácia jurídica por prescrição destes procedimentos administrativos sancionatórios.

Está em causa um conjunto de multas que totaliza cerca de 11 milhões de euros, cuja prescrição deverá ocorrer durante o próximo mês de novembro. Será nessa altura que decorrerão os oito anos de prazo máximo prescricional definido pela lei de 1982 aplicável a este caso. A prescrição dos processos do BdP e da CMVM implicará também que João Rendeiro e os restantes arguidos poderão voltar a desempenhar funções nos órgãos sociais de instituições financeiras.

A prescrição só poderá ser evitada com o trânsito em julgado das penas aplicadas pelo BdP e pela CMVM — parcialmente confirmadas pelo Tribunal de Supervisão e Regulação e pelo Tribunal da Relação de Lisboa. Mas a João Rendeiro e aos restantes arguidos do chamado caso BPP ainda resta uma última instância de recurso: o Tribunal Constitucional (TC).» [Observador]
   
Parecer:

Neste país só as dívidas dos pobres é que não prescrevem.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
  

segunda-feira, maio 23, 2016

A mais importante das reversões

Quase ninguém reparou, mas esta Taça de Portugal teve um pequeno mas muito grande pormenor, uma grande reversão no relacionamento entre povo e instituições. Desde que Durão Barroso ouviu uma assobiadela num estádio de futebol que muitos políticos começaram a ter medo de multidões, Passos Coelho evitou-as e Cavaco Silva, condenado a estar presente nas finais da Taça de Portugal chegou ao ridículo de chegar ao estádio em cima da hora do início do jogo, para que ninguém reparasse nele quando se sentasse na tribuna.
 
Ninguém sabe SE Cavaco era adepto de algum clube, nem sequer se sabe seo o homem gostava de futebol, aliás, em matéria de gostos pessoais o povo pouco mais sabia do que dos carapaus alimados. Foram dois mandatos presidenciais de que ninguém tem saudades, daí que o comportamento absolutamente normal por parte de Marcelo Rebelo de Sousa chega a parecer um exagero. O ambiente da presidência de Cavaco era o de um velório, daí que a presidência de Marcelo pareça um arraial permanente.

Aos poucos o país vai sofrendo uma reversão de que a direita parece não se querer queixar, o país tinha medo que o presidente brincasse, uma simples referência do presidente ao governo deveria ser alvo de interpretações durante quase uma semana, era um país de recados velados, de mensagens subtis, de sombras. Tinha-se medo de governar sem austeridade, foi imposta uma cultura de graxa aos comissários europeus.
 

Aos poucos o país vai aprendendo a viver em liberdade, algo que aos poucos e graças a dois mandatos de Cavaco e um de Passos Coelho quase deixou de o saber fazer. 

domingo, maio 22, 2016

Semanada

Num momento de hinduísmo António Costa juntou-se a Cavaco Silva na adoração das vacas, ainda que na versão das vacas leiteiras da raça Frísia. Só que em mais um momento de optimismo irritante e hilariante o primeiro-ministro não se limitou a ver so sorriso feliz das vacas, deus- Red Bull à vaquinha do Simplex e esta bateu as asas. Agora ficamos a aguardar que se consiga reduzir a flatulência dos bovinos, para proteger a camada de ozono, e esperemos que tal como para os drones também  se adoptem normas para o voos das vacas, sendo de esperar que, no mínimo, as vacas usem fraldas. Enfim, Portugal já tinha a Vaca Cornélia, agora temos a vaca Simplex +.

JJ perdeu o campeonato, perdeu a Taça de Portugal que o SCP tinha conquistado, ficou afastado da Taça da Liga, teve uma prestação medíocre nas competições europeias, mas apresenta-se nas televisões como um vencedor que retirou o SCP das trevas. Agora até dá entrevistas na SIC, onde os jornalistas o levam ao colinho face às evidentes dificuldades intelectuais e linguísticas.
  
Os colégios defendem que o governo desrespeitou um contrato, mas para a líder do CDS deve ser adoptada uma nova política de investimento no ensino, devendo o Estado pagar as melhores escolas. Isto é, estamos perante um caso evidente de oportunismo, o discurso da líder do CDS nada tem que vem com o que está em causa e o facto de as suas deputadas parecerem jogadores do Estoril não é mais do que andar à boleia dos acontecimentos. Esta líder do CDS está em queda livre.
 

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do dia
    
Teodora Cardoso, pessimista

Teodora Cardoso não se limita a ser pessimista, parece querer que o seu pessimismo se confirme e dá entrevistas para que haja um clima de desconfiança em relação ao país.

«Teodora Cardoso, presidente do Conselho de Finanças Públicas, não põe de lado um cenário de novo resgate porque considera que com uma das maiores dívidas do Mundo, o país continua vulnerável. Sobre as metas do défice do Governo, a economista diz que um possível alívio ainda “vai ter grandes dificuldades” e que as medidas do Governo para o segundo semestre apontam para o aumento do défice não para a sua redução.

Em entrevista à TSF, Teodora Cardoso afirma que “a Europa está muito mais atenta ao nosso OE, mesmo sem sanções” e avisa que Bruxelas vai ser mais “intrusiva”. Sobre o Orçamento apresentado pelo Governo, a economia disse que “há mais medidas não especificadas do que habitual”, nomeadamente as 35 horas, e avisou que as medidas não especificadas “implicam esforço financeiro grande”.

Sobre um possível novo resgate, Teodora Cardoso argumenta que a dívida externa é “muitíssimo elevada” e que isso faz com que não se possa pôr de lado esse cenário. Apesar de a dívida dos particulares estar controlada, há um endividamento alto das empresas e um “conjunto de problemas financeiros muito sérios”, segundo indicou.» [Observador]
  

sábado, maio 21, 2016

Liberdade de escolha

Liberdade de escolha é quase todos os portugueses que já pagam as escolas dos seus filhos através dos impostos terem de contribuir também com impostos para ajudar a pagar as escolas daqueles que rejeitam as escolas do ensino público, para tentarem favorecer os seus filhos em escolas privadas, para que estes possam, quando concorrerem às universidades ficarem á frente dos que pagaram as escolas que não podiam usar.
  
Liberdade de escolha é beneficiar das condições vantajosas oferecidas por uma escola e pagas pelos impostos daqueles que não podem usar essas mesmas escolas, instaladas de forma manhosa por altos responsáveis do ministério que depois se transferem do Estado para a gestão de escolas privadas.
  
Liberdade de escolha é muitos pais com posses beneficiarem de escolas privadas mais baratas, quando muitos outros pais que optam pelo ensino privados em muitas regiões do país não beneficiam de qualquer vantagem e não é por isso que andam por aí armados em pintainhos a piar onde o Marcelo aparece.

Liberdade de escolha é as escolas do senhor cardeal altamente selectivas como sucede, por exemplo, com colégios como o Sãio João de Brito, onde as crianças são inscritas antes de nascer e estarão em vantagem se os pais pertencerem a uma conhecida congregação religiosa. Liberdade de escolha é a Igreja Católica só ter escolas onde há pais em condições para as pagar.

Liberdade de escolha é uns poderem escolher e outros serem obrigados a pagar o que não podem escolher mais o que os outros escolheram, enfim, os de amarelo escolhem, os outros pagam.