terça-feira, Outubro 21, 2014

Um ano de pântano

Cavaco Silva está convencido de que é um especialista em vitórias eleitorais e Passos Coelho ainda sonha com o milagre económico que Vítor Gaspar lhe prometeu ao aplicar uma pinochetada económica a Portugal. Rodeados de graxistas profissionais nem, nem o outro têm a lucidez suficiente para o desastre para que caminham.
 
Cavaco Silva tudo fará para ajudar eleitoralmente um governo que foi ele que inventou, que foi ele que defendeu em todos os momentos e muito menos o fará para dar posse a um governo de gente com que se cruzo num passado recente e que não esquece o seu papel na forma pouco leal com que se comportou com um governo do PS. Cavaco tentou evitar este cenário ao ter acenado a Seguro com um lugar no governo e quando o ex-líder do PS foi confrontado com o desafio de Costa fez questão de o recordar.
 
Passos estava convencido que tramava os funcionários públicos mas tinha o apoio dos trabalhadores do sector privado, que beneficiava os rios mas que podia contar com os votos dos pobres a quem deu uma fala protecção com algumas medidas avulso. Teve azar, todos os seus orçamentos foram um desastre, todas as suas previsões foram um falhanço, não conseguiu cumprir nenhuma das metas orçamentais e salvou as aparências com cortes inconstitucionais de vencimentos e pensões e com aumentos brutais da carga fiscal.
 

Nem Cavaco, nem Passos estão dispostos a ir a eleições, Passos não vai querer largar o poder e Cavaco não quererá ver desmoronar-se o seu sonho de líder um governo salvador da pátria com que possa branquear o seu percurso político. O país arrisca-se a passar um ano enterrado num pântano de lodo resultante desta mistura do lixo cavaquista com o lixo deixado por Pedro Passos Coelho.
 
Durante um ano há muitos negócios por concluir, muitas promessas por cumprir, muitos boys para empregar e dando por perdidas as eleições Passos Coelho não quererá largar o cargo até ao último dia da legislatura. Pela forma como fala e se agarra à Constituição o ainda primeiro-ministro revela um total desprezo pelos poderes constitucionais de Cavaco e pela vontade do seu parceiro de coligação, dá claramente a impressão de que tanto um como o outro estão na sua mão.
 
Resta aos portugueses esperar pacientemente que o país vá sendo destruído pelas mentiras da ministra das Finanças, pela velhacaria na gestão da Saúde ou pela incompetência de ministros como o Crato, o Aguiar- Branco ou a Paula Teixeira da Cruz?
  

Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


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Convento dos Barbadinhos, Lisboa

 Imagens dos visitantes d'O Jumento

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Cabeleiras, Senhora da Graça, Idanha-a-Nova [A. Santos]

 Jumento do dia
    
Rui Rio, empresário de negócios com o Estado

Para se defender de críticas em relação a uma adjudicação estatal feita a uma empresa sua Rui Rio defende-se dizendo que se estivesse em causa um favor o Estado teria recorrido a uma adjudicação directa, sugerindo que este é o procedimento utilizado por quem quer beneficiar os amigos. Rui Rio está muito enganado, precisamente por causa do seu raciocínio a melhor forma de favorecer um amigo é esconder esse favorecimento atrás de um concurso manipulado.

Rui Rio sabe muito bem que os concursos do Estado são muitas vezes manipulados, da mesma forma que sabe que não sendo um governante a decidir um resultado de um concurso a verdade é que os directores-gerias são, não raras vezes, paus mandados, eles igualmente escolhidos em concursos manipulados pelos governantes.

Não estando em causa a honestidade de Rui Rio, ainda que seria bom que os governantes e políticos no activo se abstivessem de ter empresas que vivem de negócios com o Estado, espera-se que o ex-autarca evite argumentos que sendo meras nuvens de fumo só instalam a dúvida.

«No seguimento da notícia avançada pelo i, que dava conta de que uma mudança nas regras de jogo levou a empresa onde trabalha Rui Rio a ser selecionada num concurso, o ex-presidente da Câmara do Porto emitiu um documento que intitula de “desmentido público”.

Reagindo à polémica, Rui Rio garante que o trabalho adjudicado à Boyden “foi comprado por bem menos de 70 mil euros, pelo que poderia ter sido simplesmente adjudicado por ajuste direto, se a intenção [do secretário de Estado Castro Almeida] fosse a de escolher só uma determinada empresa”.

Contudo, tal decisão não poderia ser tomada pelo governante, sendo para isso necessário o aval da Agência para o Desenvolvimento e Coesão (ADC).

Em reação, o responsável daquela entidade esclareceu, de acordo com o i, que foi selecionada a empresa Heidrick & Struggles, no concurso para a seleção de futuros gestores de fundos europeus, por apresentar a proposta mais baixa. E disse ainda que só depois da seleção surgiram novas indicações por parte do secretário de Estado.» [Notícias ao Minuto]

 Maria de Belém Roseira

Leio o artigo da senhora no CM sobre o OE2015 e sou assaltado por uma dúvida, como é que esta senhora chegou a ministra e a presidente deste país, ou será que estou sonhando?

 A dívida pública comentada

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in O Portugal Futuro

      
 Até os patrões?
   
«“Portugal não aguenta ter eleições em outubro, o que vai significar viver a prazo, sem orçamento e sem planificação”, quem o diz é o presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), João Machado, em declarações ao jornal i, esta segunda-feira.

Os representantes dos setores empresariais portugueses, ouvidos pelo mesmo jornal, defendem, de resto, a mesma posição de João Machado: as eleições legislativas de 2015, previstas para setembro ou outubro, devem ser antecipadas. Em causa, está a preparação do Orçamento do Estado para o próximo ano sem o fantasma das eleições.

Mais prudente, a Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) ainda apela à “estabilidade política”, deixou o aviso: “Se entrarmos em campanha em vez de governarmos com eficácia, então será preferível antecipar [as eleições]“. António Saraiva acredita que o Executivo começa a dar “sinais de cansaço” e de “desagregação” e teme que, por isso, os partidos entrem em campanha eleitoral numa altura decisiva para a economia do país.» [Observador]
   
Parecer:

Este governo vai ter um fim muito triste.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Uma rapidinha governativa
   
«Numa nota divulgada por Belém, refere-se que o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, aceitou a proposta apresentada pelo primeiro-ministro de "exoneração, a seu pedido, do Dr. João Henrique de Carvalho Dias Grancho do cargo de Secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário" e que foi tornada pública na sexta-feira.

"Nos termos da mesma norma constitucional, o Presidente da República aceitou a proposta que lhe foi apresentada pelo Primeiro-Ministro de nomeação do Prof. Doutor Fernando José Egídio Reis para o mesmo cargo", lê-se ainda na nota.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
Parece que para tachos governamentais há sempre voluntários suicidas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Deseje-se boa sorte ao novo governante com contrato a prazo incerto.»

 Ministra hilariante
   
«"É meu timbre apurar responsabilidades e é isso que vamos fazer e depois atuar em função desse mesmo apuramento", disse, adiantando que vai decorrer um inquérito interno assim que for entregue o relatório do Instituto de Gestão Financeira e dos Equipamentos da Justiça.

Paula Teixeira da Cruz falava aos jornalistas à margem da Conferência "Os Direitos da criança. Prioridade para quando?", promovido pelo Instituto de Apoio à Criança para assinalar os 25 anos da Convenção dos Direitos das Crianças e que decorre em Lisboa até terça-feira.

Questionada se se colocava a hipótese da sua demissão, a ministra da Justiça disse que depois de todas as reformas feitas no Ministério da Justiça, qualquer pretexto seria bom para essa demissão.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Esta senhora tentar disfarçar a sua incompetência lançando acusações duvidosas sobre incertos e agora promove inquéritos para inocentar-se a si própria.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se à ministra irresponsável e incompetente que restrinja o inquérito ao seu gabinete.»

 Os democratas que iam libertar a Síria
   
«Desta feita, dá conta o Daily Mail, foram encontradas imagens no telemóvel de um jihadista onde se pode ver uma bebé decapitada, mas também outras onde vários jihadistas a jogar futebol com cabeças de outras pessoas.

As imagens da bebé foram recuperadas pelos soldados curdos e mostram os momentos anteriores à decapitação da menina, com a bebé atirada para o chão, muito aflita com a proximidade da faca do seu pescoço.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

A verdade é que o Ocidente só atacou o ISIS quando este matou um americano e a Turquia tem usado esta gente para matar curdos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Acabe-se com o ISIS até ao seu último bandido.»

 Grande Santinha da Horta Seca
   
«O ministro da Economia, António Pires de Lima, acusou nesta segunda-feira o candidato socialista a primeiro-ministro, António Costa, de ser um “fervoroso adepto” da criação de taxas de dormidas na hotelaria, garantindo que enquanto ocupar o cargo não haverá mais “taxas nem taxinhas”.

Pires de Lima afirmou em Braga, à margem do 25.º Congresso Nacional da Hotelaria e Turismo, que a criação daquela taxa é a “única ideia” do presidente da Câmara Municipal de Lisboa “que se conhece”, acusando-o também de assistir de “forma impávida” às cheias na capital.

O titular da pasta da Economia afirmou ainda que, “face à situação orçamental”, não foi possível diminuir o IVA na restauração, mas disse que o Governo “tem procurado evitar” a criação de novas taxas que “penalizem a economia”, nomeadamente o setor do turismo.» [Observador]
   
Parecer:

Com tanta caca que fazem isto já não é uma coligação, este governo apoia-se numa verdadeira culigação. Agora este ministro falhado já não promete alívios vários, a sua grande obra é impedir que o governo aumente ainda mais a austeridade e sem mais argumentos depois de atribuir o desastre da PT a Sócrates recorre á chuva para atacar António Costa. Este rapazinho andou anos a surfar nos orçamentos publicitários da Unicer, agora de que depende do seu real valor tem-se revlado uma nulidade.

Foi para meterem esta "encomenda" do Ports que correram com o sôr Álvaro?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Mais um que anda a ver organizações secretas
   
«Rui Rio acusa “setores que não serão alheios ao próprio partido e, quiçá, a alguma organização mais ou menos secreta” de estar por trás das últimas notícias do jornal i que dão conta de que uma empresa do ex-autarca do Porto terá sido beneficiada em concurso público.

“O objetivo foi muito claro: denegrir, neste momento concreto, a minha pessoa do ponto de vista político e profissional”, afirmou o ex-presidente da Câmara do Porto num comunicado emitido no fim de semana, dizendo que houve uma espécie de conspiração jornalística para o travar. Aponta o dedo a uma organização “mais ou menos secreta” que, diz, se move com “maior destreza” nos meios do jornalismo e que, por isso, pode ter alguma coisa a ver com “estas coisas” – leia-se, as notícias que, segundo Rio, procuram atingir o seu nome e reputação.

“Se assim não fosse, e se realmente tivesse havido alguma irregularidade – que não houve – o sujeito e o destaque da notícia nunca deveria ser eu, mas sim, o membro do Governo que a tivesse praticado. A invenção de uma alegada “empresa de Rui Rio”, e o exagerado ênfase dado ao meu nome, demonstram a infantilidade de quem não tem ainda know how suficiente para fazer “estas coisas” com a habitual sofisticação”, escreveu.» [Observador]
   
Parecer:

Dantes era o Alberto que acusava as organizações secretas que o atacavam, mais recentemente foi a incompetente da Justiça a sugerir que forças ocultas tinham citiado a justiça, agora é o Rui Rio que em vez de se explicar melhor inventa secretas. Agora já só falta vir o carlos Costa dizer que foram as organizações secretas a impedi-lo de actuar a tempo no BES.

Em vez destas manobras ou de explicações da treta sobre concursos seria melhor que Rui Rio se explicasse melhor.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se de dó.»
 Ministra corajosa!
   
«Paula Teixeira da Cruz assume que espera pelo relatório que irá apurar as responsabilidades pelo bloqueio do Citius e diz que se manterá no cargo até resolver "as coisas".» [DN]
   
Parecer:

Esta rapariga é mesmo muito corajosa, encomenda uma auditoria a ser feita por gente que depende dela e aguarda pelo relatório para saber se deve apresentar um pedido de demissão. Esta rapariga começa a dar sinais de que aquela cabeça começa a dar sinias de não aguentar.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê.-se a merecida gargalhada.»
  
 Governo chegou ao 69
   
«"Curioso número", disse um dia Mota Amaral quando, como presidente da Assembleia da República, se deparou com o 69. Será esse o número de secretários de Estado que já tomaram posse neste Governo quando, esta terça-feira à tarde, Fernando Reis substituir João Grancho como responsável pelo  Ensino Básico e Secundário. Desses, 40 mantém-se no Governo, 39 como secretários de Estado. Mas já lá vamos.

Nos 1218 dias do Executivo de Pedro Passos Coelho, Grancho é o 29.º secretário de Estado a abandonar essas funções. Contas feitas, em média, saiu um secretário de Estado a cada 42 dias. Dito de outra forma: a cada mês e meio, mais coisa, menos coisa. Como média, não é coisa pouca. Sobretudo, se tivermos em conta que Passos Coelho não gosta de remodelar, e que a única grande remodelação que fez, ainda que a contragosto, foi no verão passado, quando o Governo esteve por um fio, com a demissão de Portas.» [Expresso]
   
Parecer:

É um governo para maiores de 18....
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Mas que grande pontaria
   
«O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, reiterou hoje a sua confiança no ministro da Educação e sublinhou a forma como Nuno Crato assumiu e resolveu os problemas da contratação de professores.

Confirmando que o ministro da Educação colocou o lugar à sua "inteira disposição", Passos Coelho enfatizou a forma como Crato se empenhou na resolução do problema da colocação dos professores.
"Só significa que acertei quando o escolhi para ministro da Educação", referiu.» [DE]
   
Parecer:

Passos teve muito boa pontaria na escolha dos seus ministros, começando pelo Crato e acabando na rapariga da justiça, sem esquecer o Aguiar dos drones.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dês-e mais uma gargalhada.»

   
   
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segunda-feira, Outubro 20, 2014

A geração BES, yuppies, o botox e a sucata liberal que nos governa

Se a história deste desgraçado país fosse um filme valia a pena rebobinar e ver o que diziam, faziam ou defendiam alguns dos manjericos que por aí andam. Recuemos, por exemplo, aos tempos de Cavaco Silva primeiro-ministro e procuremos nos seus discursos, nos seus programas de governo ou nas suas propostas eleitorais uma preocupação com a importância dos famosos “bens transaccionáveis” de que se lembrou quando precisou de dar coerência económica ao seu ataque ao governo de Sócrates.
  
Aliás, se a história pudesse ser rebobinada para ajudar a memória colectiva o percurso de Cavaco seria uma preciosa ajuda para percebermos o que se passa agora. Seria muito interessante ir rever a privatização do BPA ou os discursos em que apresentava a banca de sucesso como o exemplo da liberalização económicia por si defendida.
  
Mas deixemos de bater no “ceguinho”, o percurso político de Cavaco é de tal modo desastroso que bater em tal figurar já começa a meter algum dó. Pequemos antes num Vítor Gaspar que atingiu o pico de notoriedade quando escreveu um editorial para um livro com teses por provar assentes em erros. Seria interessante ver se nos seus escritos Vítor Gaspar alertou com a devida antecedência para a crise das dívidas soberanas.
  
Recuando dez ou quinze anos iríamos descobrir um Horta Hosório em boa forma jogando squash com um ainda jovial Belmiro de Azevedo, esquecido o problema das heranças o Belmiro era um caso de sucesso enquanto o Horta Osório era a prova de que qualquer jovem podia ter sucesso sem grandes doutoramentos, bastava estar no dia certo no lugar certo e tornar-se amigo da filha de um grande banqueiro.  O que um e o outro diziam era bebido avidamente pelos jovens tigres do liberalismo tuga. Hoje um está velho e outro tem aa cara com tantos inchaços que aprece ter sido insuflado com alguma mezinha da juventude.
  
Mais ou menos nessa época o Ricardo Salgado era dono disto tudo, todos os jornalistas económicos estavam disponíveis para o lamber dos pés à cabeça, ditos cujos incluídos. Era um tempo em que as grandes vedetas do liberalismo iam a Belém defender os centros de decisão tugas e todos se reuniam sob o patrocínio do dono num Compromisso Portugal. 
  
Hoje o Cavaco está em decadência acelerada, o Horta Osório apresenta sinais de velhice, do Mexia nem se fala, a geração BES está retirada, gorda e enriquecida. Deixaram a sucata liberal, com licenciaturas tiradas em universidades da treta, com um pensamento económico cheio de citações coladas a cuspo e uma ideologia onde se misturam, as ideias do Gaspar com o fundamentalismo cristão da sua avozinha de Manteigas.

Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


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Flores do Jardim Gulbenkian, Lisboa

 Imagens dos visitantes do Jumento
  
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Parque Borghese, Roma [Dafne]
    
 Jumento do dia
    
Paulo Portas

Enquanto a sua agremiação ainda aparece nas sondagens eleitorais Paulo Portas organiza jantares concorridos por quem gosta de sentar com o poder e vai dizendo as suas baboseiras fiscais, passando a imagem do bonzinho do governo. Só que Portas tem um problema, ou assume que é mauzinho nos impostos e é gente dentro do governo, ou continua armado em partido dos contribuintes e evidencia que é um zé ninguém no governo.

Paulo Portas passouy meses a sugerir que iria ocorrer um alívio fiscal e o resultado foi aquele que está á vista mais impostos e se os portugueses quiserem ser reembolsados de uma parte de uma sobretaxa que era para durar durante o ajustamento terão de pagar ainda mais impostos.

A dúvida agora está em saber qual o momento que Portas escolhe para rasteirar o PSD ou, o que é mais provável, o que impede Portas de se afastar de Passos Coelho.

«"Se preferia a redução da sobretaxa em um por cento no próximo ano? Preferia! Mas se a proposta não foi consensual, então a minha opção era outra: um crédito de imposto, que era um compromisso possível em que todo o ganho de receita fica a favor do contribuinte", alegou.

No final de um jantar com militantes do CDS/PP de Viseu, em que discursou perto de 50 minutos, Paulo Portas sublinhou aos jornalistas que houve ganhos de receitas nos últimos anos e que acredita que estes voltem a repetir-se.» [DN]

 Reler a carta de demissão de Gaspar

Num gesto frontal o ex-ministro das Finanças reconheceu o seu falhanço, apontou para uma mudanpça de estratégia e demitiu-se dando lugar a uma modesta economista que em boa hora deu umas aulas a Passos Coelho. Vale a pena ler a carta à luz do OE 2015, fica-se com a impressão de que Portugal ainda está em 2011, o volume de austeridade traduzido em cortes e aumento de impostos é bem maior do que o adoptado por Gaspar, a ministra continuou a pinochetada económica e só vai desistir quando os portugueses ou uma qualquer calamidade derrubar este governo.

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 Moçambique: o milagre eleitoral da FRELIMO

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Com 504 votos na urna o candidato da Frelimo consegue ter 968 votos!

 Maria Luís para líder do PSD?

E quem lhe escreve as intervenções que lê cuidadosamente vai escrever-lhe todos os discursos partidários?

 O cartão Portas

A promessa de devolução de parte da sobretaxa em 2016 se os portugueses pagarem muitos mais impostos do que os previstos equivale ao Continente prometer um desconto no seu cartão Continente válido apenas em 2016 e utilizável em exclusivo nos supermercados do pingo Doce.
   
      
 Notas orçamentais
   
«1 "O governo optou por não aumentar os impostos", disse Maria Luís Albuquerque na conferência de imprensa de apresentação do Orçamento de Estado para 2015. Ficamos logo a saber que a ministra das finanças não fala com Paulo Portas, nem devem frequentar o mesmo conselho de ministros. Pelos vistos, a dúvida era se se subiam os impostos ou não, logo, o vice-primeiro-ministro, quando defendia publicamente a descida da sobretaxa, não fazia a mais pequena ideia do que se estava a passar. Digamos que estamos perante um Governo sui generis.

No dia seguinte, titulava o DN: "um orçamento que não sobe impostos mas agrava a carga fiscal". Ou seja, os impostos não aumentam, mas vamos pagar mais impostos. Não vamos empobrecer, mas vamos ficar mais pobres. Ninguém se está a rir da nossa cara, estão apenas a gozar connosco.

Estávamos a assistir às habituais críticas ao Tribunal Constitucional por este insistir em fazer cumprir a Constituição, quando apareceram boas notícias: acaba parte da CES e começam-se a repor os salários dos funcionários públicos. A sra. ministra disse que a responsabilidade por estas duas medidas era do Governo. Se calhar, desta vez, nem estava a gozar, nem queria enganar ninguém, devia estar, com certeza, confusa por ter estado a falar do Tribunal Constitucional.

2 "Eu sei que há políticos que acham que as eleições se ganham baixando impostos e aumentando salários", disse o primeiro-ministro, no dia da apresentação do OE. Ou seja, Passos Coelho não perde uma oportunidade para humilhar Paulo Portas.

Não consta que o irrevogável Vice-primeiro-ministro tenha dito saber que existem políticos que não hesitam em dizer que não vão cortar salários e pensões para ganhar eleições. Também não foram divulgadas declarações de Paulo Portas sobre o novo rumo do ex-partido do contribuinte e do pensionista.

3 Segundo Maria Luís não dá para cortar na despesa. Pelos vistos, não havia assim tantas gorduras, nem tanto consumo intermédio. Mesmo os cortes em salários e pensões - os que a Constituição permite - não chegam. Nem mesmo a genial reforma do Estado que ia reduzir estruturalmente a despesa, desenhada por Paulo Portas e explicada num documento que fica para a história do anedotário político, conseguiu vergar o monstro batizado por Cavaco Silva.

Mas nem tudo está perdido. Afinal cai haver cortes na despesa.

Voltam os cantados consumos intermédios. Pelos vistos só agora é que foi possível descobrir 507 milhões deles para cortar. Também se esperou pelo próximo ano para acabar com as despesas em licenças de software, pareceres e assim: 317 milhões de euros... gente esquecida. Depois temos ainda mais 300 milhões de poupança na misteriosa rúbrica "Outras medidas sectoriais", que é como quem diz logo se vê. Resumindo, com estas e outras mais de metade dos cortes na despesa ninguém sabe como serão feitos.

Deixemos de lado o corte de 700 milhões na educação. Segundo o ministro Crato, para o ano não há mais experimentalismos, logo o dinheiro não deve fazer falta.

Alguém se lembra da consolidação através dum esforço de 1/3 na receita e 2/3 na despesa?

Lá está, baixando impostos e aumentando salários podem-se não ganhar eleições, mas já mentindo...
4 Anedotas, brincadeiras, despesa que desaparece sem se saber bem como e, não podia faltar, um pouco de ilusionismo. Temos, por exemplo, uma previsão de crescimento do consumo privado de 2% e uma previsão de aumento na receita do IVA de 4,6%. Ou seja, ou vamos ter um crescimento inimaginável na detecção da fuga a este imposto ou estamos perante um puro delírio. E por falar em delírio, teremos a devolução da sobretaxa se o IVA e o IRS subirem 6,4%, sabendo que a previsão do crescimento do PIB é de 1,5%. Talvez seja aquele ilusionismo já nosso conhecido: o que faz desaparecer o coelho mas não o faz reaparecer.

5 É por estas e por outras que concordo com algumas análises que tenho lido e ouvido, que este é um orçamento na linha dos anteriores: ficcionista nas previsões mas muito real a destruir a economia. A mesma economia de cuja evolução positiva depende a execução deste OE. Isto é, faz-se depender tudo do bom desempenho económico quando a carga fiscal aumenta, as economias dos mercados para onde exportamos fraquejam, o investimento continua anémico e os nossos conhecidos mercados não andam propriamente estáveis. Talvez fosse bom lembrar que ultimamente não tem havido grande fartura de milagres.

6 Há, porém, sempre um pouco de paraíso na zona de desastre. A reforma do IRS e a pacote da Fiscalidade verde vão no bom sentido. É verdade que o efeito no rendimento é, para a esmagadora maiorias das famílias, muito baixo, mas a possibilidade de mais tipos de deduções serem admitidas é um bom sinal. Tal como é uma excelente indicação a substituição do quociente conjugal pelo familiar, apoiando, por pouco que seja, as famílias com dependentes a cargo.

A Fiscalidade verde é um dossier bem pensado e com uma visão que vai muito para além do aspeto fiscal. Incentiva comportamentos que beneficiam a comunidade, como a diminuição dos sacos de plástico, menos emissões de CO2, os apoios à utilização de carros elétricos.

No fundo os dois pacotes são bons exemplos do que seria um bom caminho, e não só fiscal: uma visão de política global com contributos para mais apoios às famílias e a uma boa política ambiental. O problema, claro está, é que essa visão não existe, e a que há é de forma a destruir até as boas iniciativas.» [DN]
   
Autor:

Pedro marques Lopes.
   

   
   
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